quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Um problema de relação

POVO   11.01.17


"A eutanásia não é um problema jurídico, é um problema exclusivamente médico, da relação entre o médico e o doente"

Dr. Daniel Serrão
(1928-2017)


Enquanto procurava uma frase do Dr. Daniel Serrão que fosse útil para esta semana, fiquei impressionada com o corpo de trabalho que ele deixou e a clareza do seu juízo, cheio de ciência, de experiência e de fé. Não há realmente incompatibilidade entre estes valores que exijam uma separação da fé para educar na ciência e para guiar a experiência de vida.

Um problema de relação será a verdadeira origem do assunto da eutanásia, mas também da educação. Chamam uma educação extremista propôr a abstinência sexual, porque os alunos não vão perceber, aplicando assim o espartilho que se pretende evitar à dinâmica desta relação entre professor e aluno que é tão intangível quanto eficaz quando é estabelecida na liberdade

"Só faz sentido falar em educação para a sexualidade nas escolas quando as escolas e os professores forem completamente livres para elaborarem e apresentaram os projectos educativos que acreditam ser os mais adequados, e aos pais for reconhecido o direito de escolherem a escola que entenderem mais adequada para os seus filhos, optando livre e esclarecidamente por aquela que melhor lhes garantir o cumprimento dos pilares estruturais da educação que defendem." Fernando Adão da Fonseca

Um problema de relação entre os jornalistas e os directores de programação e o público, é o que leva à banalização da violência que se vê hoje na televisão. O conceito não é novo, como já Hannah Arendt antes identificou como a banalidade do mal"o que estava em causa era o facto de aqueles homens terem perdido a capacidade de se imaginarem no lugar dos outros, de já não conseguirem ver a realidade, de no frémito das suas actividades não conseguirem parar para pensar. Destituídos de discernimento, absortos num não-pensamento, entregavam-se ao mundo falso da ideologia. A sua predisposição para ideias que explicavam os factos como leis, que eliminavam a espontaneidade e as coincidências, era total. Fugindo à realidade, precipitavam-se numa espécie de ficção que criava a sua própria consistência: a da lógica."


Hoje faz 3 meses que o pai morreu. O caminho do nosso luto não tem nada de lógico, mas é sustentado somente pela fé numa relação que permanece. Será rezada missa por sua alma hoje, 11 de Janeiro, às 20h00 na missa mensal do movimento de Comunhão e Libertação, na Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, no Chiado em Lisboa. 
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