O bom benificente

MIGUEL ESTEVES CARDOSO       09.01.17    PÚBLICO

Nunca conheci ninguém que não gostasse do Professor Daniel Serrão. Gostávamos todos dele. Gostávamos pela pessoa pública que ele era, sempre disposto a partilhar a curiosidade científica, a sabedoria de médico e de ser humano, com a bondade lúcida e carinhosa que era a dele.

Mas também gostávamos dele pelas ajudas que nos dava em particular. Há pessoas que fazem tudo em público. Outras não. Daniel Serrão era um homem tranquilo cujas graças se moviam directamente, de alma em alma e de corpo em corpo, dele próprio para cada um dos outros. Nem fugia: estava sempre pronto para dar um bom conselho ou oferecer um bocado do tempo que não tinha.

Conheço muitas pessoas que foram ajudadas individualmente por Daniel Serrão. Muitas delas nem sequer tinham pedido ajuda mas ele sabia das aflições dos outros, arranjava uma solução esclarecida e sensata e não descansava enquanto não fosse transmitida.

Os livros sagrados de várias religiões elogiam esta caridade íntima em que a pessoa que é ajudada nem sequer vem a saber quem o ajudou. Daniel Serrão passa em qualquer exame, de consciência ou não.  Era um grande senhor, um grande médico e um grande cientista.

Era muito discreto mas era bom de mais para insistir na discrição. Por isso não fugia da vida pública e até através da televisão, com a clareza, simpatia e facilidade de expressão com que era capaz de comunicar ideias difíceis e inovadoras, soube intervir de uma forma sempre avançada e sempre útil.

Deus o abençoe para todo o sempre.
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