O fogo que dá brilho ao olhar

José Luís Nunes Martins
ionline 2014.0.13
Não devemos decidir nada de importante sem antes o avaliarmos no sossego do nosso coração. As grandes viagens começam sempre muito tempo antes da partida
Em certos momentos da nossa vida é chegada a hora de enfrentar os perigos de uma viagem cheia de sombras e medos, partindo em direção ao mais profundo de nós... ao infinito mistério onde a chama do nosso coração arde. Aí se encontra a paz verdadeira que se vai perdendo por entre tantos ruídos e pressas.
É tempo de pensar em cada pilar da nossa vida… em cada decisão. Separando o que é essencial do que o não é. O que tem valor do que apenas parece. Compreender o tempo e as forças aplicadas no sentido correto e as que foram perdidas em vão. A pouco e pouco, de forma calma, vão surgindo pistas e sinais importantes... é preciso ter sossego, paciência e atenção.
Não devemos decidir nada de importante sem antes o avaliarmos no sossego do nosso coração. As grandes viagens começam sempre muito tempo antes da partida. As nossas maiores obras surgem sempre primeiro no silêncio íntimo da nossa alma.
É no no mais fundo de mim que me encontro. Só aí sou... eu.
Estou sozinho no mundo? O que é importante na vida? O que devo levar do meu passado para o meu futuro? Que significo eu para os outros?
A vida está cheia de superficialidades, ilusões e mentiras que, por mais belas e agradáveis que sejam, não são senão enganos que nos afastam da nossa mais nobre missão.
Há quem muito viaje (pelo mundo e pelos sonhos) para fugir de si mesmo. Há também quem desperdice os seus dias com preocupações vazias… fazendo de tudo para viver longe da realidade. E ainda há quem viva sem abrigo, fora de si. Quem busque em todas as coisas do mundo o que traz no fundo do seu coração. É preciso coragem para parar e se deixar apanhar por este rasgo de silêncio que tudo muda.
Ninguém se pode abrir ao exterior se não conseguir abrir-se ao seu interior. A harmonia que tanto se busca passa por um equilíbrio essencial, por uma tensão do que sou ao que quero ser. Projetando-me para diante, para um eu melhor. A conquista da felicidade é  sempre feita a partir de dentro.
As feridas profundas não saram se estiverem tapadas. Apenas se agravam enquanto não formos capazes de as assumir. De lhe darmos ar e tempo... de lhes dedicarmos o amor que precisam.
A intimidade assusta. O interior é apenas o que está debaixo da superfície. O íntimo é bem mais profundo, é a essência, a base dinâmica da nossa existência. A verdade do que fazemos de nós mesmos. O eu. Sem artifícios ou acessórios. Somos muitas vezes estranhos a nós mesmos. Quando, na verdade, o  verdadeiro silêncio chama por nós desde sempre...
Valemos muito, mas só pelo que formos capazes de levar à vida dos outros. Pelos fogos que formos capazes de atear e alimentar no coração dos que connosco se cruzam... partilhando a nossa luz e calor. No final, só o amor conta, tudo o mais é escuro e frio.
É sempre tempo de partir. Não somos mais de nenhum espaço que de outro. Não somos mais de um tempo que de outro. Somos de nós mesmos, mas não somos para nós mesmos. Somos amor. Partes ínfimas do caminho, da verdade e da vida.
O brilho do nosso olhar resulta do fogo que, apesar de tudo, conseguimos manter aceso no fundo do nosso coração. Mas que serve para alastrar a outros, para semear luz nas trevas por onde tanta gente anda perdida...
O fogo do amor não consome nem destrói. Aquece, ilumina e aperfeiçoa.
Somos uma luz. Para os outros.

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