O CASAMENTO…DA RITA E DO ZÉ…A FELICIDADE


Isilda Pegado
Boletim Salesiano

A Rita e o Zé casaram, já lá vão 14 anos e têm três filhos (maravilhosos!). Ambos têm uma profissão exigente – ele é engenheiro informático e ela economista num Banco. O dia-a-dia é "espartano". É o Zé quem leva os filhos ao infantário e ao Colégio e a Rita, que sai do Banco mais cedo, vai buscá-los pelas 17 horas para os levar às actividades desportivas e à música ao fim de tarde.
Em alguns dias o Zé assegura a saída do karaté e da natação. A Rita cuida das compras, dos jantares e dos lanches para o dia seguinte. Na lida da casa têm a D. Augusta que em duas tardes dá uma ajuda nas roupas e nas limpezas maiores. Mas há sempre mais coisas para fazer em casa…
Com os custos do infantário, do Colégio e das prestações da casa e do carro, o orçamento familiar não permite aventuras.
Quando, por volta das 10 horas da noite têm os filhos deitados, sentam-se então a jantar. A Rita tem o cuidado de pôr a mesa, muito bem posta… é um "mimo" para ambos. Aquela é a hora deles – contam um ao outro as histórias do dia de trabalho, os recados da escola dos filhos, a doença da mãe do colega da Teresinha ou, comentam a "patetice" que o Parlamento agora quer aprovar … (barrigas de aluguer!!!).
Àquela hora nem as sogras telefonam. Ou, quando o fazem, ouvem do lado de cá "mãe, estamos a jantar…" – "desculpa filha, amanhã falo-te…".
Naquela hora a conversa é tal que, já tem acontecido, o Joãozinho acordar mas não se "atreve" a incomodar, e fica embalado pelo sussurrar das conversas dos pais.
Quando chega sexta-feira é como se um "largo mar" se abrisse. Vai haver tempo para tudo (que não vai …). Mas, bom… bom… era pedir aos avós Silva para no sábado depois da explicação da Teresinha e da catequese, oferecerem jantar e dormida aos netos… "Quem pede?" "Os meus pais nunca te dizem que não…"
No domingo de manhã ao acordar, a Rita diz "estou cheia de saudades dos miúdos, o jantar de ontem em casa dos Alves foi bom, mas falta-me o barulho dos miúdos a saltar para a nossa cama". O Zé, sempre prudente, diz "olha que a Teresinha tem 11 anos e, bem cedo, vai deixar de vir para aqui".
De repente, recordam que à tarde, é preciso levar o João e o Pedro ao aniversário do Manelinho que vai ser em Bucelas… levá-los e ir buscá-los… "Temos de vir cedo porque amanhã é dia de trabalho!"
No carro os manos mais novos pegam-se a beliscar – a mãe Rita intervém primeira, segunda e terceira vez… o pai Zé "ri-se por dentro" porque também fazia o mesmo com o Henrique, seu irmão mais novo, "a família é a primeira escola, onde se medem forças e se testa a relação com o outro", pensa. Na missa do meio-dia tinha acontecido o mesmo. A Rita até "transpirava" para não criar incómodo às pessoas que estavam ao lado, com as traquinices daqueles seus dois filhos e, mantê-los atentos. "É o crescimento" – concluía o Zé.
Ao chegar a casa a Teresinha diz que ainda lhe falta terminar a "ficha de matemática". Esgotado, o Zé repreende-a, mas ajuda-a… é assim!
O fim-de-semana está a terminar. Não houve tempo para nada. Não houve descanso. Talvez ainda tenha sido mais exigente do que a semana? Ou não? Ou, é outro cansaço? Ou, é uma Grande Dádiva ter esta vida cheia… de dificuldades… de cansaço… de desafios… de amigos e familiares… de alegrias…
Ou é mesmo algo de muito Bom – fazer o que tem de ser feito. E olhar a cara dos filhos, vê-los crescer. Ver crescer a cumplicidade que se gera nas dificuldades, nos reveses e entraves da vida a dois.
O avô Joaquim bate à porta, entra e vê a Rita a ultimar o jantar, enquanto dá um olho nos banhos e, vê o Zé ajudar na matemática da Teresinha, enquanto completa um programa da sua empresa…, o avô Joaquim deixa apressadamente um pão-de-ló de Ovar e diz, tal como aprendeu no Oriente, "O que é fácil não presta".

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