O herói que resta

Raquel Abecasis

RR on-line, 20090413

O relativismo está mesmo a dar cabo da Europa, da política aos valores. O status quo é o que mais interessa aos líderes europeus, mas não aos seus cidadãos.


É sintomático o acolhimento que foi dado a Barack Obama na sua viagem à Europa.
A multidão que, em Praga, ouviu o discurso do Presidente norte-americano, ou as salas repletas de jornalistas transformados em fãs, em Londres e Estrasburgo, deviam levar-nos a perguntar: porquê tanto entusiasmo à volta de um político que é presidente de outro país que nem sempre tem interesses coincidentes com os nossos?

É estranho que tal fenómeno pareça normal a toda a gente. É o primeiro sinal da apatia e falta de esperança com que há muitos anos se vive neste velho continente.
Não é por acaso que velhos líderes como Mário Soares se indignam com o facto de a Europa, da esquerda à direita, não discutir sequer o facto de reeleger para Presidente da Comissão o ex-liberal Durão Barroso.

Patriotismos à parte, a verdade é que o relativismo está mesmo a dar cabo da Europa, da política aos valores. O 'status quo' é o que mais interessa aos líderes europeus, mas não aos seus cidadãos. Prova disso é o facto de manifestarem por Obama um apreço que não lhes passa sequer pela cabeça manifestar pelos seus governantes.

A falta de líderes e de políticas leva a que Barack Obama surja aos olhos do mundo como o herói que todos querem ter como líder em vez dos seus próprios chefes de Estado.


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