A arma da paz

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada | ionline 2014.6.21
É por demais evidente a enorme transcendência do gesto do Papa Francisco, ao chamar ao Vaticano os chefes dos Estados palestiniano e israelita. Quaisquer que venham a ser, na prática, as consequências desta iniciativa para o processo de paz no Médio Oriente, não restam dúvidas de que se tratou de um acontecimento histórico e inédito.
Que os dois políticos desavindos tenham acedido ao convite papal, que lhes tinha sido pessoalmente dirigido pelo Sumo Pontífice, por ocasião da sua recente visita à Terra Santa, prova que o Vigário de Cristo goza de um imenso prestígio, não apenas entre os seus fiéis e os que são mais sensíveis à temática religiosa, mas também entre os estadistas. Neste caso, tenha-se presente que nenhum dos presidentes é católico, ou sequer cristão, o que, no entanto, os não impediu de aceitar a mediação do sucessor de Pedro.
É também notável que a cimeira não tenha sido perspectivada como mais uma ronda de negociações diplomáticas, nem como uma actividade de carácter político. Foi, pelo contrário, um encontro de irmãos, na base daquela igualdade que nasce da consciência da comum filiação divina. Sem Deus, a fraternidade universal é uma falácia, porque só no Pai comum os homens se podem reconhecer como irmãos.
Foi, portanto, uma jornada de oração e de diálogo. Estaline não temia o exército do Vaticano, que o não tem. Mas o império bolchevique foi vencido pela consagração que da Rússia fez São João Paulo II e pela oração de milhões de fiéis. Um terço são cinquenta balas contra a guerra. É a arma que Maria propôs, em Fátima, para se alcançar o fim da primeira Guerra Mundial.
Não se combate a guerra com mais guerra, mas com oração, que é a arma da paz.

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