Crise

20 | 04 | 2011   20.13H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
O que mais custa nesta terrível crise é a suprema injustiça. Pessoas inocentes são despedidas, prejudicadas, espezinhadas, agredidas, e os verdadeiros responsáveis não só ficam incólumes, mas ainda se atrevem a protestar e dar-se como vítimas.
Parece que todos aqueles que se diziam líderes e tanto prometeram agora não são culpados, impondo aos pobres as cargas que eles criaram. Somos governados por crianças. Além da injustiça, sente-se a impotência. Não há nada que possamos fazer contra a tempestade que aí vem.
A crise embrulha-nos como enxurrada impiedosa e imparável, ao sabor dos credores internacionais. Sentimo-nos como gado levado para o matadouro, ovelhas mudas ante aqueles que nos tosquiam. É precisamente nesta altura que o calendário nos traz a Páscoa, que nos mostra isto mesmo, num grau muito superior. Milhares de milhões de pessoas em todo o mundo vão celebrar o mistério da suprema injustiça, da mais completa impotência.
Em Cristo a perfeita inocência é tratada com a máxima crueldade. A sublime divindade sujeita-se ao juízo iníquo por amor daqueles que não merecem a salvação. Esta redenção realizou-se uma vez por todas na história e cumpriu-se definitivamente sem precisar de acrescentos.
Mas ao mesmo tempo, misteriosamente, ela repete-se quotidianamente na vida de cada um, renovando-se sem cessar no nosso sofrimento. A celebração anual é uma lembrança solene daquilo que acontece continuamente na vida de quem tem fé. Este ano a Páscoa só se concretizará se nós virmos a crise com outros olhos.

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