Poder Supremo

DESTAK| 21 | 04 | 2010   20.55H

João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

 

Há uns dias um jornalista escrevia sobre os casos de pedofilia com o título: «A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos» (António Marujo, Público, 27 de Março). Mas a Igreja Católica nos últimos cem anos sofreu as terríveis perseguições de ateus e maçons no México, Portugal, etc. Seguiram-se os morticínios nazi, soviético, maoísta.

A Igreja Católica nos últimos cem anos foi eliminada fisicamente em múltiplos países e teve mais mártires que na acumulação dos anteriores 1900 anos. Um Papa foi baleado. Além disso existiram enormes crises teológicas, desde a polémica do modernismo até às terríveis tempestades do pós-concílio, o cisma Lefebvre, teologia da libertação, perda de vocações.

Será a crise de hoje maior que tudo isto? Os crimes agora referidos são sem dúvida muito graves, mas a Igreja condenou-os inequívoca e repetidamente. Para mais estão centrados num punhado de clérigos, vários já falecidos. Enquanto a Justiça trata dos casos, a vida real de fiéis e instituições eclesiais continua. Que é que querem mais?

Juízo tão feroz só esse entende de uma forma. É que desta vez a Igreja enfrenta, não Hitler, Estaline ou a heresia, mas o poder supremo dos jornais. Os jornalistas consideram-se a força mais devastadora de todos os tempos. Depois de Watergate, a imprensa sente-se capaz de assaltar o próprio Altíssimo.

Ou pelo menos o seu Vigário na Terra. Foi isso que o Miguel Sousa Tavares afirmou no último Expresso sobre o Papa: «mais duas ou três revelações e ele desaba». Diz o oráculo do poder supremo.

 

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