Escândalos

DESTAK | 14 | 04 | 2010   20.54H

João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

É muito curiosa a morfologia e dinâmica dos escândalos mediáticos. Na idade contemporânea vivemos em alvoroço permanente por um fluxo contínuo de broncas e indignações, que seguem todas um caminho semelhante.
Alguém se lembra de focar a atenção num caso particular. Com ou sem justificação evidente, numa oportunidade mais ou menos clara, o assunto surge.


Ninguém questiona porquê? porquê agora? porquê assim? Não se procura saber se é mesmo o pior que acontece ou até se merece atenção. O caso é dado como patente e obcecante e todos obedientemente procedem à sua escalpelização atenta e detalhada. Durante umas semanas só se fala disso e dizem-se as coisas mais graves e mirabolantes. Depois tudo se esquece e passamos ao seguinte. Quem fixa a agenda vai controlando tudo.

O caso recente do ordenado do presidente da EDP é paradigmático. Alguém reparou, comentou violentamente e todos correram a dar a sua colherada. No final ficará tudo na mesma.

Outro elemento curioso é o paralelismo partidário dos escândalos. Assim que um dos dois grandes partidos é apanhado num abuso grave, aparece logo um ligado ao outro. Durante anos os processos contra Carlos Melancia e Leonor Beleza andaram a par nos jornais. Desta vez demorou algum tempo, mas lá apareceram os submarinos para equilibrar o "Face Oculta".

O que surpreende no meio disto é que ainda se leve a sério. O mais espantoso é pessoas respeitáveis prestarem-se a esta liturgia, obedecendo atentamente aos caprichos do momento. Mas esta é a nossa cultura e temos de jogar nela.

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