"Não se preocupe!"

DESTAK | 28 | 04 | 2010   20.50H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
A mais recente vítima dos mercados financeiros está a ser a Grécia. Desta vez, como nas telenovelas, somos informados dos próximos capítulos: os especialistas asseguram que Portugal vem a seguir.
O paralelismo entre a situação das duas economias é objectivamente falso. O nosso país, por muito desequilibrado e, sobretudo, desanimado que ande, está longe do «buraco» grego e, sobretudo, do descontrolo a que chegou aquele orçamento. Mas as seme-lhanças são inegáveis.
A Grécia tem uma longa história de endividamento, manipulação das contas e, pior de tudo, alto grau de contestação, corrupção e bloqueio social. O problema grego assusta mesmo. Portugal tem um nível inferior, mas crescente, do primeiro elemento e, tremendismos à parte, muito menos dos outros. Mas isso chega para merecer o acompanhamento dos credores.
Acima de tudo, um aspecto justifica plenamente o nervosismo dos mercados: o estado de negação do Governo. As declarações dos nossos responsáveis são todas no sentido de desdramatizar. Mas se quem tem de tomar medidas se recusa a ver a questão, isso assusta mesmo. A pior coisa para um credor desconfiado é tentarem convencê-lo de que não há problema. O que seria razoável era admitir a gravidade e mostrar empenho em corrigi-la, como a Irlanda fez. O resto é irresponsabilidade.
O melhor paralelo que conheço está nas conversas com a minha filha adolescente sobre os estudos. Quando lhe faço algum aviso a resposta invariável é: «Oh pai, não se preocupe!». Já lhe expliquei que, quando me diz isso, é que fico mesmo preocupado...

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