Diário de Notícias, 080714 João César das Neves professor universitário naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt Todos os políticos nos dizem que temos falta de reformas estruturais. Mas também existe em Portugal o problema oposto, um excesso de medidas e transformações, que arruina um sector por exagero na interferência.Na Educação, cada vez que muda o Governo inicia-se uma nova estratégia (estrutural, claro), que reformula e desestabiliza tudo. O que não tínhamos até agora era um mesmo executivo a fazer oposição a si próprio ensaiando, na mesma legislatura, duas orientações opostas e conflituantes.O actual Governo começou o seu mandato em 2005 com vontade de reforma e prudência na abordagem. A situação era grave e exigia-se um estudo cuidadoso para conhecer as reais circunstâncias.Uma das poucas áreas onde havia ideias claras e actuação célere era a Saúde. O ministro Correia de Campos, além de especialista nas teorias recentes de gestão do sector, tinha ocupado antes a pasta e sabia o que faze...
Comentários
(Desculpe, mas quis partilhar consigo o meu último editorial e não encontrei outra forma; dê o uso pessoal que entender...)
Natal sem menino...
Torna-se já um hábito, para os que vão estando mais atentos ao desenrolar da vida e dos acontecimentos, comentar o progressivo apagamento cultural das tradições, das datas e das memórias. É nos momentos de especial significado que se torna mais patente esta “limpeza” civilizacional, que nos leva a esquecer a história e o sentido das coisas e das personalidades. O que construímos durante séculos, o que celebrámos e vivemos outrora, vai-se transformando em vazio de conteúdos, em pasta informe de gestos e ritos, que destroem pela raiz o fundo cultural em que nos movemos. Quase sempre, o lugar da substituição é ditado pela moda, pelo consumismo e pela ausência de reflexão que dita quase todos os passos do nosso stress de viver.
Nos últimos anos, algumas vozes bradam no deserto, chamando a atenção para os valores fundamentais da festa do Natal, para o perigo do materialismo dominante apagar a imagem do que realmente interessa. Parece que o perigo passou, ultrapassado pela própria realidade. O Natal não tem já qualquer sentido de “nascimento”, de menino, de paz ou de simplicidade e ternura. Em vez de nascimento, tem compras. Em vez de menino, tem velho de barbas brancas. Em vez de paz, tem barulho frenético de campanhas de pseudo-solidariedade em competição, não pela dádiva da nossa ternura, mas por mais compras, mais mediatismo e mais euros. Como se tudo se resumisse a isso...
Luís Miguel Ferraz