A bondade e o despeito

DESTAK | 03 | 12 | 2013
José Luís Seixas

A campanha de recolha de alimentos promovida pelo Banco Alimentar, apesar do êxito que constituiu quer ao nível das toneladas recolhidas quer ao nível da mobilização de voluntários, foi objecto de apreciações que, sem medo das palavras, adjectivamos de indecorosas.
O Dr. Paulo Morais, em crónica jornalística, apodou a iniciativa como uma gigantesca manobra de marketing das grandes superfícies comerciais, levantando suspeições graves sobre o destino dos bens oferecidos, o que, além de observação caluniosa, sinaliza a forma leviana e, por vezes ignara, como, impunemente, se levanta e espalha lama sobre pessoas, instituições e iniciativas. Por seu turno, o Dr. Paulo Pedroso repetiu no seu blogue a ladainha das críticas do "sociologuês" básico, utilizando uma ironia grosseira e descabida: exibição de "caridadezinha" promovida por (sic) "Madame Jonet".
É uma evidência que os Bancos Alimentares não resolvem o problema estrutural da pobreza em Portugal. Mas é também uma evidência que contribuem para minorar muitas carências e que, através das redes institucionais que fornecem, satisfazem necessidades, designadamente dando de comer a quem tem fome. Será reprovável mobilizar os portugueses para contribuir num esforço de solidariedade, proporcionando um pouco do que compram a quem carece de tudo? O que faz concitar estas duas pessoas, cada uma com o seu peso relativo e com a sua relativa importância, na luta contra os Bancos Alimentares e contra a Dra. Isabel Jonet? Esta catequese contra a espontaneidade do voluntariado social, contra a genuinidade da solidariedade, contra a prática da "boa acção" não é fruto do acaso ou da análise social. Têm lastro, têm matriz e têm loja. Importa não ter medo de o denunciar!

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