Pluralismo, pluralidade e unidade

Pe. DUARTE DA CUNHA    VOZ DA VERDADE    09.07.17

São Tomás de Aquino dizia que a existência de tanta variedade na natureza criada é sinal de que Deus é infinito. Ainda que a natureza criada seja incapaz de revelar toda a realidade de Deus, o facto de haver tantos seres e de cada um deles mostrar algo da verdade do Criador dá a entender que há sempre algum aspeto de Deus que ainda não foi mostrado. Isto vale para a natureza no seu todo, mas é especialmente importante recordar quando pensamos na humanidade. Apesar de todos os seres humanos terem a mesma natureza, é impressionante o facto de não haver dois iguais. Cada um é único! E desde a história da humanidade são tantos e tantos! E todos são, a seu modo, imagem e semelhança do Criador.
O mais espantoso, porém, não é só que a criação é muito variegada, mas que existe harmonia. A lógica impressa pelo Criador na criação junta variedade e unidade. A humanidade não é só a soma de seres diferentes, mas é chamada a ser uma unidade harmónica, ou seja, bela! Este é o plano de Deus: que cada pessoa seja ela mesmo e esteja em relação com os outros. Esta unidade de seres diferentes que constitui a humanidade exprime-se de modo muito claro no facto de que os homens e as mulheres se complementam e formam famílias. Todavia, também ao nível das nações se pode ver que há muita coisa que une seres diferentes e que só unidos os homens se realizam. 
Ora o que o cristianismo diz é que a unir os homens, no plano de Deus, não estão só dependências económicas ou a necessidade de ser mais forte contra inimigos comuns, mas o amor. Ninguém se pode realizar plenamente sem os outros. Não só sem as ajudas que pode receber, mas sem amar e ser amado! Tudo o que vai contra o amor vai contra o plano de Deus, vai contra a unidade da humanidade, vai contra o bem do homem.
Hoje em dia dá-se pouca importância à possibilidade do pecado afetar o plano de Deus. Mas não nos iludamos, cada pecado ofende a Deus porque vai contra o Seu plano, já que, introduzindo desarmonia no coração da pessoa e nas relações humanas, acaba por fazer mesmo mal às pessoas. O pecado fere a harmonia e a justiça e, consequentemente, a unidade e cada uma das pessoas que a constitui. 
Apesar da gravidade do pecado, um dado essencial da fé cristã é que Deus nunca desiste do Seu plano. Jesus Cristo veio restaurar a unidade do género humano. A Igreja é chamada a fazer tudo para que cada pessoa seja salva, ou seja, se integre na comunhão com Deus. A missão da Igreja é a unidade. Ela valoriza o facto de cada um ser único, mas, ao mesmo tempo, empenha-se na promoção da coesão nas famílias, nas nações e entre as nações.
Hoje há novos sinais assustadores que fazem pensar que o plano de Deus está a ser atacado de modo estratégico. Houve um tempo em que o ataque pretendia desligar as pessoas de Deus anulando a variedade entre as pessoas e a isso chamámos homologação. Foi o que os regimes comunistas tentaram fazer. E falharam!
Hoje o ataque parece ser diferente, mas não menos grave. Em jogo está, de novo, a verdade da pessoa. Só que agora não se nega a variedade, pelo contrário, exaltam-se as diferenças. Hoje os ataques à verdade da pessoa dirigem-se contra a harmonia, a complementariedade, contra o próprio significado do amor. A este movimento que ataca a comunhão das pessoas chama-se individualismo. 
A ideia motora da nova ideologia é a afirmação de que o indivíduo é tudo e o centro de tudo. Deste modo cada pessoa deixa de ser uma rede de relações. É significativo que se deixe de falar de pessoa, e se fale habitualmente de indivíduo. Em vez dos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana ouvimos falar das liberdades individuais como direitos. É isso que dá origem à pretensão de que o aborto ou a eutanásia se apresentem como direitos! Cada um decide por si e desinteressa-se dos outros.
O individualismo, porém, é uma falsa exaltação do indivíduo, ele combate a verdade da pessoa porque a desliga dos outros. Isto não é um jogo de palavras, ou um debate de ideias abstratas. Está em questão a humanidade. São visíveis os sinais de que há quem tente orientar a sociedade na direção do individualismo, desacreditando os laços entre as pessoas, as instituições, a família. E isto é um ir contra a natureza humana e contra Deus! Mas atenção, não se responde a esta ameaça anulando o que é único de cada pessoa ou de cada família ou de cada nação. O plano de Deus é unir pessoas diferentes mantendo o específico de cada uma através do amor.
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