sexta-feira, 30 de junho de 2017

“Sou administrador de uma graça muito grande que não é minha”

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Pedro Tavares
25 anos
Batizado na Paróquia de São Sebastião, Peniche

No 7º ano de escolaridade, em 2005, por sua “autorrecriação”, quis fazer uma experiência no pré-seminário. Pedro Tavares era acólito e “não descurava a questão do sacerdócio”. “Pedi autorização aos meus pais, inscrevi-me e fui. E detestei. Era muita oração, muitas Missas e jurei para nunca mais”, conta. A porta da vocação só se voltaria a abrir em 2009, durante um retiro de acólitos da sua paróquia. O então padre que o recebera no pré-seminário, em 2005, padre Filipe Santos, atual diretor adjunto do Pré-Seminário de Lisboa, era o pregador. “Se soubesse que era ele, acho que não tinha ido”, graceja Pedro Tavares. No retiro não foi abordado o assunto da sua vocação; contudo, Pedro deixa-se tocar pela reflexão sobre a parte final do Evangelho de São João, com a pergunta de Jesus a Pedro: ‘Tu amas-me?’. “Estava projetada na parede. Achei que aquela pergunta era para mim. Ali fiz uma experiência de Deus como nunca tinha feito. Senti-me muito feliz com o que estava a viver porque era completamente novo mas, ao mesmo tempo, com medo, porque achei que Deus me pedia alguma coisa que não sabia o que era”, conta.
Teve as notas que sempre almejou, para poder entrar no concorrido curso de ‘Multimédia e Design Gráfico”, na Faculdade de Belas Artes. Mas as dúvidas, quanto à vocação, fizeram-no questionar sobre o futuro. Mais tarde, numa celebração penitencial, escolheu “um padre novo, com pouco tempo de sacerdócio”. “E a coisa deu mau resultado...”, refere, sorridente. O padre Moisés, atual pároco da Nazaré, disse-lhe uma frase que “não se esquece”: ‘Tu apaixonaste-te por Deus’. “Quando ele me disse isto, foi como se tivesse levado um soco na barriga, porque era isso mesmo”, lembra. O momento de tomar a decisão de entrar no seminário surge após dois momentos: escutar uma palavra da homilia do Papa Bento XVI, em 2010, na Missa no Terreiro do Paço, em Lisboa – ‘Só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura’ – e o falecimento do seu pároco, padre Bastos, passado um mês da visita papal. Os pais “receberam bem” a decisão do filho mais velho. “A minha mãe já percebia o que estava a acontecer, mas o meu pai agarrou-se a mim, a chorar, e disse-me: ‘Se é isso que tu queres, com muito orgulho te vou levar. Mas se um dia perceberes que não é isso, com muito orgulho te vou buscar’”, lembra Pedro. Já no Seminário de Caparide, o “choque” que sentiu nos primeiros tempos, sem poder ir a casa “quando queria” e por estar “sob as ‘ordens’ de uma equipa formadora”, foi-se transformando numa certeza: “A vida já não me pertencia”.
Com o trabalho pastoral nas paróquias de Benfica, Algés e Loures, foi procurando “descobrir onde Jesus estava e onde é que Ele queria chegar aos outros”. Considerando-se “indigno”, diz que fica “extasiado” por ver que, apesar de “tantas vezes não ter correspondido”, Deus escolhe-o e fá-lo “servo para batizar e falar em seu nome”. “Sou administrador de uma graça muito grande que não é minha”, garante este futuro padre diocesano, que atesta ter sido “escolhido” porque Deus o ama e precisa da sua vida “para os outros”.

  • A celebração das Ordenações no Patriarcado de Lisboa decorre este Domingo, 2 de julho, às 16h00, no Mosteiro dos Jerónimos e vai ser presidida pelo Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente. Fique a conhecer aqui os futuros sacerdotes.
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