A nova Missa

José Maria C.S. André   20.05.2018

Correio dos Açores, Verdadeiro Olhar, ABC Portuguese Canadian Newspaper, Spe Deus, Clarim, O Alcoa, Notícias da Covilhã, O Progresso




O Papa Francisco decidiu que, a partir da próxima segunda-feira (21 Maio de 2018), a Missa
do dia seguinte à festa de Pentecostes passará a ser a memória litúrgica de «Maria, Mãe da
Igreja». Esta novidade acontecerá em todas as paróquias do mundo, culminando um itinerário
de séculos.
Quando se reconstruiu a basílica de São Pedro, com a forma que hoje lhe conhecemos, parte
de uma coluna da primitiva basílica do século IV foi integrada na nova construção. A razão é
que estava pintada nessa coluna uma imagem de Jesus com Nossa Senhora. A antiquíssima
pintura foi emoldurada em maravilhosos embutidos de pedras coloridas, formando uma
capela dedicada a Maria «Mãe da Igreja».
Nas últimas décadas, a oração pela Igreja tornou-se cada vez mais urgente e Paulo VI, contra
a opinião de muitos conselheiros, surpreendeu o mundo ao proclamar solenemente Maria
como «Mãe da Igreja», em pleno Concílio Vaticano II.
O Papa João Paulo II colocou na praça de S. Pedro uma reprodução grande, em mosaico,
daquela imagem de Nossa Senhora Mãe da Igreja, oriunda da primitiva basílica vaticana.
Além disso, acrescentou à ladainha do Terço a invocação «Mãe da Igreja, rogai por nós!».
Também é do tempo de João Paulo II o pequeno mosteiro «Mãe da Igreja» nos jardins do
Vaticano, onde agora vive Bento XVI.
Finalmente, esta decisão de Francisco de instituir a nova memória litúrgica.
No passado dia 10 de Maio, visitando a cidade de Loppiano, fundada pelo Movimento dos
Focolares, via-se que o Papa estava feliz com tudo aquilo. Repetiu-o muitas vezes, animando
os Focolares a prosseguirem o caminho começado. Um dos momentos mais calorosos foi o
diálogo improvisado com milhares de Focolares, na esplanada do santuário. No final, o Papa
acrescentou uma confidência:
– «Uma última coisa que faço questão de vos dizer. Estamos aqui diante do santuário de
Maria «Theotokos» [em Loppiano], sob o olhar de Maria. Também nisto há uma sintonia
entre o [Concílio] Vaticano II e o carisma dos Focolares, cujo nome oficial é Obra de Maria.
No dia 21 de Novembro de 1964, no encerramento da terceira Sessão do Concílio, o Bem-
aventurado Paulo VI proclamou Maria “Mãe da Igreja”. Eu próprio quis instituir esta
memória litúrgica (...). Maria é a Mãe de Jesus e, Nele, é a Mãe de todos nós: a Mãe da
unidade. (...) É um convite a metermo-nos na escola de Maria para aprender a conhecer Jesus,
a viver com Jesus e de Jesus, presente em cada um de nós e no meio de nós. Não vos
esqueçais que Maria era leiga, era uma leiga. A primeira discípula de Jesus, a sua Mãe, era
leiga. Há aqui uma grande inspiração. Um bom exercício – eu convido-vos a fazê-lo – é
tomar os episódios da vida de Jesus mais conflituais e ver como Maria reage. (...) Tu, imagina
que a Mãe estava ali, que viu aquilo... como terá Maria reagido? Isto é uma verdadeira escola
para caminhar. Porque ela é a mulher da fidelidade, a mulher da criatividade, a mulher da
coragem, da “parresia” [do testemunho desassombrado], a mulher da paciência, a mulher que
aguenta as coisas. Contemplai sempre isto: esta leiga, primeira discípula de Jesus, como reage
nos episódios conflituais da vida do seu Filho. Ajudar-vos-á imenso!».


Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

16 de Julho - Nossa Senhora do Carmo

A família, espaço de resistência

Sou mãe de um forcado. E agora?