Fátima actual como há cem anos

PEDRO VAZ PATTO  VOZ DA VERDADE   07.05.17

Um historiador já classificou Fátima como o maior fenómeno de massas em Portugal dos últimos cem anos. E essa parece ser uma evidência indiscutível. A multidão que se aí se espera para o próximo dia 13 de maio vem confirmá-la mais uma vez. É um fenómeno que a muitos surpreenderá e que permanece para além de todas as profundas mudanças socias e culturais que o nosso país e o mundo conhecerem nestes cem anos.
De entre os comentários, de pessoas de vários quadrantes, que tenho ouvido a propósito deste centenário, uns de adesão, outros de apreço, outros de simples respeito, alguns passam ao lado de aspetos centrais da mensagem de Fátima. Talvez na tentativa de a adaptar à mentalidade hoje corrente. Alguns desses aspetos, na verdade, contrastam com a mentalidade hoje dominante. Falar do inferno, por exemplo. Mas também Jesus no Evangelho fala do inferno de modo claro e inequívoco. A mensagem de Fátima, como a mensagem de Jesus, não contraria, porém, a visão de Deus misericordioso que também está presente no Evangelho. Pelo contrário. É a advertência de uma Mãe que quer o bem dos seus filhos, mesmo dos mais afastados (os “pobres pecadores” de que falavam os pastorinhos), que quer que nenhum deles se perca, que quer que todos eles se salvem. E é a pensar nesses “pobres pecadores” (que poderemos ser nós, porque não podemos farisaicamente excluir-nos dessa categoria) que os pastorinhos, seguindo as instruções de Maria,  se empenham intensamente na oração e na penitência e convidam todos a fazer o mesmo.
Este aspeto da mensagem de Fátima não deixa de ser atual passados cem anos, porque o pecado também não deixou de ser atual. O que é, certamente, menos intenso hoje do que era há cem anos, é a consciência da gravidade do pecado. Este aspeto da mensagem de Fátima, que chama a atenção para essa gravidade, não deve ser esquecido ou ocultado, por muito que contrarie a mentalidade hoje corrente. 
Outro aspeto que não pode ser esquecido, e que contrasta com mentalidade hoje corrente, é a advertância de que a rejeição de Deus pela humanidade conduz à desgraça da própria humanidade. Disse Paulo VI na encíclica Populorum progressio (precisamente, há cinquenta anos), citando Henri de Lubac: «O homem pode organizar a terra sem Deus, mas "sem Deus só a pode organizar contra o homem. Humanismo exclusivo é humanismo desumano”» (n. 45). A história do século XX demonstra-o bem. É esse o sentido da denúncia dos “erros da Rússia” (outro modo de designar o comunismo ateu). E aí está a raiz das duas guerras mundias do século passado. Hoje serão outros os erros e as guerras que ameaçam a humanidade. A mensagem de Fátima ultrapassa contingências históricas e políticas determinadas. Por isso, disse o Papa emérito Bento XVI em 2010: «Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída». Essa mensagem continua a advertir que a rejeição de Deus não exalta a humanidade, antes a destrói. Também por isso, essa  mensagem é tão atual hoje como era há cem anos.
                                                                           Pedro Vaz Patto      
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