Primeira encíclica de João Paulo II faz hoje 30 anos

Efeméride

Primeira encíclica de João Paulo II faz hoje 30 anos

» Filipe d’Avillez

Página 1

4 de Março de 2009

Foi no dia 4 de Março de 1979 que o Papa João Paulo II lançou a primeira Encíclica do seu Pontifi cado. Trinta anos depois, a Redemptor Hominis continua a ressoar na vida da Igreja. A “Redentor do Homem” foi dado a conhecer ao mundo apenas cinco meses depois de João Paulo II ter assumido o Pontificado. Seguindo o exemplo dos seus antecessores - com excepção de João Paulo I, que não foi Papa tempo sufi ciente para lançar qualquer Encíclica -, o Papa polaco escolheu marcar as suas posições de maneira forte logo no início do seu mandato de chefia da Igreja.

A Encíclica pode ler-se, assim, como um programa do ministério que começava. Nela encontramos uma sucessão de temas que viriam a ser posteriormente desenvolvidos e aprofundados, desde as reflexões sobre o papel de Cristo no mundo e na vida de cada homem, até à importância de Maria, o ecumenismo e a censura ao comunismo.

O Página1 falou sobre este assunto com o Cónego João Seabra, profundo conhecedor do texto da Redemptor Hominis, que resume assim o seu tema fundamental:

“A mensagem central da Redemptor Hominis é que Jesus Cristo, o redentor do Homem, é o centro do mundo e da história. É ele quem responde ao coração e à vida de cada homem. É a única resposta total ao desejo de totalidade de que o homem é feito. O Papa coloca Jesus Cristo diante da Igreja, diante do Mundo, mas, sobretudo, diante do coração de cada homem. Aponta a presença de Cristo na história, na Igreja e nos sacramentos como única resposta ao desejo de felicidade”.

Hoje, um dos pontos que mais fascina este sacerdote, pároco da Igreja da Encarnação, no Chiado, em Lisboa, é a qualidade quase profética do texto, tendo em conta o ano em que foi escrito. “O Pontificado de João Paulo II foi tão longo e tão rico, aconteceram tantas coisas do ponto de vista eclesial, histórico e político, que, verdadeiramente, era impossível, em 1978, alguém as prever. E, contudo, ao ler a Encíclica, impressiona a clareza na defi nição dos problemas e a clareza na defi nição das linhas de actuação. Não digo que fosse tudo uma estratégia, mas está claramente identificada uma maneira de conceber a presença da Igreja e a relação com Cristo através dos sacramentos, a presença da Igreja na História, que tem, em si, a semente de todas as coisas que definiram o grande pontificado de João Paulo II”.

É por esta razão que o Cónego afi rma que a Redemptor Hominis “é um documento impressionante de ler. Foi impressionante lê-lo em 1979 e é impressionante lê-lo agora como juízo antecipado sobre esses 28 anos da história da Igreja, que foram os mais extraordinários dos últimos cem”.

Por isso, apesar de ter sido escrito há trinta anos, a Redemptor Hominis continua a ter muitas mensagens actuais, como a importância dos Direitos Humanos, por exemplo. “É uma grande encíclica dos Direitos do Homem, e o Papa assenta na defesa da dignidade da pessoa humana, e em particular na defesa da liberdade religiosa, todo um programa de intervenção da Igreja.

Isso continua actualíssimo. É muito importante perceber que os combates pelo direito à vida, pela santidade da família e pelas liberdades fundamentais da família cristã na educação, são hoje tão urgentes como eram, em 1978, a defesa da justiça social e das liberdades democráticas nos países na altura dominados pelos regimes comunistas”.

A questão final que o Cónego João Seabra destaca é a da exigência e da responsabilidade de cada fiel na Igreja. “O Papa dizia que cada um deve responder a Deus pela graça singular, única e irrepetível como na comunhão da Igreja tem de construir o povo de Deus, e pedia a cada um para exigir de si próprio exactamente aquilo a que é chamado. Isto foi o que ele fez na sua própria vida na maneira como governou a Igreja, na maneira como enfrentou os problemas do seu tempo, e pela maneira como morreu, enfrentando a morte diante dos olhos do mundo inteiro”.

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