Suspeitas

DESTAK | 26 | 11 | 2009 08.37H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
O primeiro-ministro está de novo com problemas pela proximidade com processos de corrupção. Depois do Freeport, a Face Oculta. A Justiça não esclarece muito, pois fica sempre aérea e confusa nos processos mediáticos. Desta vez até criou um conceito original: «rede tentacular». Que será isso?

Sem se provar o envolvimento do PM existem fortes acusações sobre seus próximos. Pode dizer-se que ele tem azar com a família e escolhe mal os amigos, mas o problema é político, não legal: serão admissíveis suspeitas dessas tão próximo do topo da governação?

O mais curioso é imaginar um cenário inverso. Que diria José Sócrates, líder da oposição, perante processos semelhantes contra um primeiro-ministro do PSD, Durão Barroso, Santana Lopes ou Ferreira Leite? Como se comportariam os deputados do PS? Qual a atitude de jornais e comentadores? Temos algumas indicações lembrando o barulho nos consulados de Cavaco Silva, Barroso e Lopes com coisas bastante menos graves.
Isso contrasta com o mais espantoso silêncio do Portugal recente. Em 1996 foi publicado na Dom Quixote o livro de Rui Mateus Contos proibidos. Memórias de um PS desconhecido, onde um alto dirigente do partido fazia acusações muito sérias. Apesar do compreensível sucesso editorial, livro e autor depressa desapareceram e com eles a polémica. Nunca mais se voltou ao tema.
Hoje é fácil ler o volume na internet, mas o assunto evaporou-se sem explicações ou consequências. O mais interessante, então como agora, é notar que na democracia portuguesa alguns são mais iguais que outros.

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