Gargalhada

DESTAK 05 11 2009 08.12H

João César das Neves naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

O Governo quer mudar a definição de casamento. Os políticos que escolhemos para tratar dos problemas graves que nos afligem, e são tantos, não só não os resolvem, como se divertem a manipular elementos fundamentais da vida, como o casamento. Foi sorte não pretenderem também alterar o conceito de almoço, modificar os contornos do país, rever a semana ou o clima. Talvez em breve tenhamos um decreto a proibir as sobremesas, uma portaria que venda o Minho ou um despacho para eliminar os sábados ou a chuva.

Existem na história alguns dirigentes, especialmente delirantes como Calígula, Nero, Robespierre ou Idi Amin, que fizeram coisas dessas. Mas nem esses se atreveram a mudar o casamento, uma coisa tão básica como a comida ou o tempo, algo que permanece antes mesmo de haver Portugal ou existir o calendário.

Se fizermos um esforço talvez conseguíssemos imaginar um regime sério, especialmente pedante, que viesse a decidir tal coisa. Mas certamente só o faria através de um longo processo, solene e cuidado, de consulta e reflexão. Mas aqui nem isso vai suceder. Mostrando bem a falta de respeito pela democracia e a ligeireza quanto ao acto, os nossos responsáveis preparam-se para mudar a definição de casamento por simples lei ordinária. A reforma mais influente dos últimos séculos vai ser despachada rapidamente, sem consultas ou estudos, num pequeno intervalo do debate parlamentar ao sabor das estratégias ocasionais.

O Governo português vai mudar a definição de casamento. A única reacção razoável é uma sonora gargalhada.

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