Gasolina

19 | 11 | 2009 | DESTAK | João César das Neves |
Os preços do petróleo estão a subir, apesar de ainda longe dos picos do ano passado. Em breve se voltará a falar de «choque», repetindo as queixas habituais. Sobretudo porque, como toda a gente sabe, quando o petróleo sobe os preços da gasolina sobem, mas quando desce nem sempre descem.

Isto que toda a gente sabe é falso, como se vê nos dados recentes. Os preços do barris de petróleo (média do U.K. Brent, Dubai, e West Texas Intermediate, acessíveis em www.imf.org, convertida em euros) atingiram o seu pico em Junho de 2008, 105% acima do valor em Janeiro de 2007, início da subida. Depois caíram 67% até Dezembro, altura em que voltaram a aumentar, tendo já ganho 65% a partir do mínimo.

Entretanto, os preços de venda ao público das várias gasolinas em Portugal (acessíveis em www.dgge.pt) começaram a subir em Fevereiro de 2007 e aumentaram cerca de 25% até Julho de 2008 (44% o gasóleo). Depois, contrariando a opinião pública, os preços desceram quase 30% até Janeiro deste ano (34% o gasóleo até Março), altura em que começaram de novo a subir, tendo ganho já cerca de 20% (13% o gasóleo).

Assim, como seria de esperar, os preços do combustível variam muito menos que os custos da matéria-prima, e até caem mais do que tinham aumentado. O que é inesperado é que eles sigam de perto o ritmo dos preços mundiais do barril. Não há razão económica para a coincidência, pois petróleo bruto é muito diferente de gasolina. Mas isto mostra que devemos ter muito cuidado com aquilo que toda a gente sabe, que é algo que nem toda a gente sabe.

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