Sobre Sentimentos

FILIPE D'AVILLEZ           WWW.ACTUALIDADERELIGIOSA.BLOGSPOT.COM        20.12.2017

James V. Schall S.J.
A direcção de uma grande universidade pediu recentemente informação sobre o sucesso de uma nova iniciativa. Enviou-se um inquérito e pediu-se aos inquiridos que expressassem, de diversas formas, os seus “sentimentos” sobre o programa. Claro que sobre “sentimentos” não pode haver controvérsia ou desacordo. Se nos baseamos na categoria de “sentimentos” para saber coisas, não pode haver discussão. Os “sentimentos”, enquanto tal, por mais fugazes que sejam, são absolutos. Ou os temos ou não temos.

É isso que significa o ditado latino: “De gustibus non est disputandum” – os gostos não se discutem. Num mundo de “sentimentos” não há ponto intermédio. Não existe qualquer princípio comum, salvo: “Sim, eu ‘sinto-me’ assim”, ou “não, não me ‘sinto’ assim”. Suponhamos que alguém diz: “Deixa-me convencer-te que a cerveja que dizes que sabe tão bem, na verdade não é muito melhor que gelatina de limão aquecida”. A sua resposta permanece: “Ainda assim, é a minha preferida”.

O verbo “sentir” tem, em vários casos, substituído o verbo “pensar”. À primeira vista os dois podem parecer sinónimos. Mas olhando mais de perto diferenciam-se de uma forma que indica uma mudança civilizacional. A sociedade que “sente” não é a sociedade que “pensa”. Ambas as palavras têm um sentido específico e pertencem juntos, numa certa ordem de prioridade. Os nossos “sentimentos” estão, ou deviam estar, ao serviço do nosso pensamento, mas na sua devida ordem são claramente reais.

“Sentir” é o verbo que usamos para indicar o estado e a natureza das nossas paixões e desejos. 

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