Marx
DESTAK | 03 | 10 | 2012 17.36H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt
Karl Marx voltou a este mundo. Fiel aos seus hábitos, foi sentar-se na sala de leitura da Biblioteca Nacional, como há 150 anos no British Museum, lendo jornais e outras publicações, para se actualizar acerca da situação sócio-económica. Ao fim de algumas semanas foi reconhecido por um repórter do Destak, que tentou entrevistar o grande economista.Não foi fácil a abordagem, pois o génio irascível recusava interrupções, mas acabou por prestar declarações: «Pelo que vejo, meu jovem, as coisas não mudaram muito neste século que perdi. O capital continua a explorar, as massas são oprimidas, e os governos, mesmo republicanos, mantém-se reaccionários. Não admira que o meu nome seja tão assustador como sempre foi. A luta continua.
«Uma coisa me espanta. Os protestos laborais de hoje são muito diferentes dos do meu tempo, coisa que os marxistas actuais não parecer perceber. Quem faz greve e manifestações são privilegiados para proteger benesses do Estado. Os trabalhadores das empresas privadas não se atrevem a protestar, com medo de perder emprego, e ainda têm de suportar faltas de transportes e outros serviços por causa das greves dos que as podem fazer.»
«Que isto aconteça não me surpreende, porque a burguesia e seus lacaios foram sempre assim. O que me revolta é que isto seja feito em meu nome, por partidos que se dizem de Esquerda e usando a linguagem que lhes ensinei. Não entendo como pessoas que se dizem marxistas podem andar a defender os interesses de burgueses mascarados de proletários. Eis a grande contradição»
Comentários