Eutanásia, vitória até quando?

JOSÉ MARIA SEABRA DUQUE  
01-06-2018
 WWW.NOSOSPOUCOS.BLOGSPOT.COM

A eutanásia foi derrotada. Por uma unha negra, mas foi. Foram só cinco os votos que fizeram a diferença (e nem foram bem cinco, porque quatro deputados do PSD votaram a favor da eutanásia, mas em projectos diferentes, de modo a serem a favor mas não puderem ser culpados pela sua aprovação).

Mas não nos deixemos sossegar nem por um instante por esta vitória. O assunto vai regressar ao parlamento. E irá regressar as vezes que forem necessárias até ser aprovado. A próxima batalha será já para o ano, com sorte no a seguir.

A verdade é quando os temas fracturantes chegam a Assembleia da República, já perdemos. Pode não ser à primeira ou à segunda. Até podemos, fruto do trabalho política e de alguma sorte, ganhar aqui e ali. Mas inevitavelmente acabaremos por perder.

O combate político em defesa da vida e da família equivale a por uns quantos paus à frente de um rio a ver se o conseguimos parar! Quando o assunto chega à política é porque já perdemos a batalha cultural e social.

O problema da eutanásia não é haver deputados que pensam que há vida que já não são dignas. Mas sim a quantidade de pessoas anónimas que ouvimos dizer o mesmo.

Por isso a luta pela defesa da vida e da família antes de ser política, é uma luta educativa. É a luta contra uma mentalidade dominante. Contra a mentalidade que diz que a pessoa é aquilo que a sociedade diz que é. Uma mentalidade incapaz de reconhecer o valor objectivo da vida humana.

É evidente que não se pode abandonar a luta política. É evidente que cada vez que um partido propuser um projecto de lei que ataque a vida ou a família é necessário o empenho de todos nós para tentar travar tal lei. Mas também é evidente que enquanto não começar-mos a travar a batalha cultural, a batalha política estará sempre muitíssimo desequilibrada.

Dia 29 de Maio foi uma vitória. Uma vitória que devemos celebrar. O chumbo da eutanásia significa que tão cedo o Estado não terá o poder de decidir sobre a vida dos doentes que estão em tal sofrimento que pedem para morrer. Mas não devemos nem pudemos descansar à sombra da vitória.

É urgente construir uma verdadeira cultura de vida. Caso contrário estaremos constantemente a travar batalhas políticas e a festejar vitória de 20 em 20 anos, no meio de enormes derrotas!
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