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Frase do dia

Perdoai sempre aos vossos inimigos – nada os irrita mais Oscar Wilde (1854-1900)

Voto de tripas e coração

Voto de tripas e coração João César das Neves DN20090914 Votar é hoje uma actividade normal. No entanto, a lembrança dos tempos heróicos ainda cria um clima de romance e solenidade que envolve todo o processo eleitoral. Assim, a sua verdade pode acabar distorcida por mitos ingénuos. Mas o próprio princípio democrático convida-nos a desafiar tais mitos e repor a verdade. A grande maioria das pessoas pensa exercer o seu direito de forma consciente, séria, racional. Todos dizem votar com a cabeça. Isso é pouco provável. Primeiro quase ninguém lê os programas eleitorais. Isso acaba por ser sensato, porque a relação entre tais documentos e qualquer futuro programa de Governo, para não falar das políticas praticadas, é mínima. Dos votos à posse haverá tantos compromissos, negociações, cedências e recuos que as promessas de campanha acabam esquecidas. Mas, mesmo que não acabassem, um voto mesmo racional seria difícil, porque a realidade nem sempre encaixa nas lendas que fundam a soc...

ELEIÇÕES À PORTA …

Jornal Voz da Verdade, 13.Set.2009 Isilda Pegado No dia-a-dia tomamos decisões, fazemos, respondemos, ajudamos, apelamos, corremos (podia continuar a enumerar verbos que implicam agir) no âmbito da nossa actividade individual. Tratamos do trabalho, da família, dos bens, das amizades… Fazemo-lo por uma decisão individual. Mas não só… De facto toda a nossa vida está profundamente marcada pelo viver colectivo. Por isso, erra quem se alheia da decisão colectiva, isto é, erra quem se alheia da política. De que me vale dar aos meus filhos uma educação carregada de valores e orientações, se fora de casa eles não encontram eco, não encontram quem identifique esses valores. E por via disso, sentem-se "extra-terrestres". A responsabilidade perante a vida implica sempre uma responsabilidade política. Que, ainda que mais não seja, deve ser exercida no momento das eleições. Hoje a apatia perante a decisão política é enorme. Os partidos políticos queixam-se de que é muito difí...

A educação sexual e D. Afonso Henriques: resposta do autor

Gonçalo Portocarrero de Almada Público, 20090912 1. Agradeço à direcção do PÚBLICO a gentileza de ter dado à estampa dois textos da minha autoria, dando assim um corajoso exemplo da liberdade e do pluralismo de opinião desta publicação. Agradeço também aos muitos leitores que me felicitaram por motivo destes artigos, bem como aos que manifestaram a sua discordância e que igualmente merecem toda a minha estima e consideração. Bem hajam! 2. Não obstante a sintonia dos textos com a doutrina da Igreja, os mesmos mais não são do que um exercício de liberdade e de cidadania do seu autor que é, portanto, o seu único e exclusivo responsável. Não obstante o meu celibato, não quero que esta culpa morra solteira. 3. Constato, com alguma consternação, que a opção por um estilo bem-humorado provocou alguma incompreensão, que roça o escândalo farisaico quando se interpretam literalmente alegorias que, como é óbvio, não admitem uma tão fundamentalista leitura. Que os tristes do costume me desculpem a...

Frase do dia

Onde quer que haja um ser humano, aí há uma oportunidade de bem S éneca (4aC - 65 dC) filósofo estóico

Saúde, símbolos e ideologias

Maria José Nogueira Pinto DN 20090910 É nosso hábito, sempre que há eleições, querer reinventar o País, começar do zero, fazer tábua rasa de experiências acumuladas, estudos, relatórios, livros brancos que jazem nos arquivos dos ministérios. Isto é possível porque não existe informação disponível, tratada, sistematizada, porque as políticas não são avaliadas, porque não sabemos os resultados de quase nada. Assim, de legislatura em legislatura, damo-nos ao luxo de discutir as questões despidas de qualquer memória, num jeito de diatribe sem obrigação de fundamentar ou exemplificar o que se afirma tão peremptoriamente. Para Francisco Louçã, o SNS é um símbolo e não um instrumento ao serviço da saúde e do bem-estar dos portugueses. Assim, visto como uma bandeira, uma arma de arremesso político, não estranha que seja indiferente ao BE o modo como o SNS funciona, as respostas que efectivamente dá, a qualidade dos serviços que presta, a sua produtividade ou a sua eficiência. Desde que...

Crises

JOÃO CÉSAR DAS NEVES DESTAK |10 | 09 | 2009 08.57H O cenário mais provável das legislativas é um governo minoritário ou de coligação instável, sem condições de governabilidade. Isso assusta muitos, sobretudo por causa da longa crise económica nacional, aquela onde estávamos antes do colapso externo e para onde voltaremos depois dele. Mas a nossa história tende a contradizer tais temores. Desde o 25 de Abril já vivemos três crises financeiras graves, com endividamento explosivo e necessidade urgente de reformas duras. A primeira, a seguir à revolução, foi causada pelos seis governos provisórios de 1974 a 1976; a segunda, de meados dos anos 1980, pelos dois governos da A.D. de 1980 a 1983 e a terceira, a actual, pelos dois governos de Guterres de 1995 a 2002. Assim devemos os três dramas a três tipos de executivos muito diferentes: sem representação parlamentar a primeira, maioritários a segunda e minoritários a terceira. A cura, pelo contrário, foi até agora sempre consegu...