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Fatal como o destino

PÚBLICO, 18.06.2009, Helena Matos Era fatal como o destino que no Largo do Rato havia de se apresentar uma nova estratégia de imagem 1.De animal feroz a humano simpático quiçá bonacheirão? Não me cabe dar conselhos a José Sócrates e repito que espero que rapidamente deixe de ser líder do PS e primeiro-ministro de Portugal, mas como a tolice é sempre um espectáculo constrangedor a que temos obrigação moral de poupar os nossos semelhantes, sempre acrescento que esta inflexão súbita da imagem oficial do primeiro-ministro é mais do que meio caminho andado para não chegar onde quer. Pois o que transparece da última reunião da comissão política do PS, mais uma vez, é a opção pelas técnicas do marketing em detrimento da política. Talvez José Sócrates seja apenas um rapaz da província, deslumbrado com o poder. Ora isso nada tem de errado e em boa verdade é isso que somos nós, os portugueses: provincianos, com medo de parecer mal e um bocadinho fingidores de nós mesmos, coisa umas vezes p...

Democracia

João César das Neves DESTAK | 18 | 06 | 2009 08.35H São habituais as queixas contra a qualidade da nossa democracia., mas o seu vigor sente-se em aspectos menores. Um sistema político existe, não apenas nos que ganham eleições, mas também nos que insistem em fazer ouvir a sua voz mesmo ignorada. Aprovada a Constituição em 1976, Portugal teve até agora 26 eleições partidárias (11 legislativas, 9 autárquicas e 6 europeias). Apenas um partido participou em todos os sufrágios sem nunca se retirar ou fazer alianças: o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, PCTP/MRPP. Nunca elegeu ninguém para a Assembleia da República, Parlamento Europeu ou Câmaras Municipais, e teve derrotas presidenciais de Garcia Pereira em 2001 e 2006. Nascido a 13 de Setembro de 1970, o MRPP ficou notado pela qualidade artística dos seus murais e pela defesa intransigente da pureza marxista-leninista contra o PCP, acusado de revisionista. Por junto, num esforço de quase 39 anos, só tem para mostra...

O ensino das ciências

RR on-line, 17-06-2009 Henrique Leitão O Professor Henrique Leitão, doutorado em Física pela Universidade de Lisboa, fala sobre a importância da ciência e do seu ensino, quatro séculos depois das descobertas de Galileu. Neste Ano Internacional da Astronomia, em que se comemoram os 400 anos das observações telescópicas de Galileu, feitas em Pádua a partir de 1609, talvez venha a propósito recordar como a ciência nasce sempre de um espanto, por uma realidade que se reconhece como estando diante de nós. A Astronomia foi sempre uma rainha entre as ciências, porque este espanto toma uma forma particularmente dramática visível para todos. Basta sair à rua e contemplar o céu estrelado para em frente dos nossos olhos se ver um dos mais majestosos espectáculos. Qualquer ensino das ciências, antes de ser um ensino de certas técnicas ou de certos métodos, é um ensino do olhar, uma educação do ver. É também um experiência de humildade, porque a natureza que se descobre, quando se olh...

Frase do dia

Imparcialidade é um nome pomposo para indiferença, que por sua vez é um nome elegante para ignorância G. K. Chesterton

As eleições europeias, a crise e a catequese do povo

PÚBLICO, 15.06.2009, Isilda Pegado O povo penalizou precisamente aqueles que pretendiam matar a economia de mercado, a sociedade e a liberdade Em Portugal e por toda a Europa a campanha eleitoral teve como tema central a crise. A crise do sistema financeiro, da regulação das instituições e da economia em geral. Mas acima de tudo, nos últimos meses, o que se ouviu com forte convicção, por parte de quem fala, foi o apontar do dedo ao modelo económico neoliberal que teria estado instalado nas economias de mercado em que vivemos e que agora, com a crise, estava "morto e enterrado". O neoliberalismo era apontado como o carrasco de si próprio. Muitos foram os que catequizaram neste sentido pedindo, ou emitindo mesmo a certidão de óbito do neoliberalismo. Alguns pediram, e em alguns casos fez-se mesmo, a nacionalização de bancos, com o entusiasmo ideológico dos idos anos do "socialismo", outros, com apatia e o medo de se oporem a tão "brilhante" catequese, ...

Conferências Paulinas - Paulo depois de Paulo

CP17_6_2009 CP17_6_2009 papinto Publish at Scribd or explore others:

Portugal ingovernável?

DN, 20090615 João César das Neves As eleições europeias de dia 7 não podem ser extrapoladas para as legislativas. Se pudessem, a pulverização do espectro partidário faria de Portugal um país ingovernável. A soma dos dois partidos centrais, PS e PSD, foi inferior a 60%, o que só aconteceu uma vez desde 1974, em 1985, no momentâneo surto do PRD. Há 20 anos que esse valor anda acima dos 70%. Nas últimas europeias foi de 81%, e de 79% nas legislativas de 2005. Desta vez ficou pelos 58%. Além disso nenhum dos dois grandes conseguiria maioria absoluta com qualquer dos pequenos. Outros sinais das eleições apontam no mesmo sentido. Os 5,3% de voto inútil em partidos sem representação parlamentar foram elevados mas normais para eleições europeias. Mas os votos em branco, claramente de contestação, tiveram neste escrutínio o maior peso de sempre, 4,6%, quase duplicando o máximo anterior. A culpa não é da crise internacional. Ela tem as costas largas mas, apesar de grave, a recessão é e...