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Defesa da Escola. Ponto. Aspecto da manifestação de 29 de Maio

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A escola do crime

Alberto Gonçalves DN20160529 Por falta de vocação, não tenho filhos. Se tivesse filhos, gostaria que estudassem em países menos carnavalescos. Se tivesse filhos e não tivesse meios para pô-los lá fora, em princípio ensinava-os em casa. Se não tivesse vagar para ensiná-los, se calhar deixava-os à solta, ranhosos e ilegais, que quase tudo é preferível a submeter crianças à aquisição de "valências" e à lavagem cerebral que aqui passa frequentemente por ensino público - aliás o único que conheço, da primeira classe à tese de licenciatura. Resultado? Descontada a esforçada dona Julieta da "primária" e talvez meia dúzia de docentes do liceu, nenhum professor me "transmitiu" grande coisa, excepto a impressão de que por ali não ia longe, ou a importância do autodidactismo. E agora é de certeza pior: principalmente na área das "humanidades" (nas ciências "duras" os charlatães penetram com maior dificuldade, pelo que certos bioquímicos s...

Os estivadores venceram. A minha cidade e o meu país perderam

José Manuel Fernandes Observador 2016.05.29 Que dizer de um acordo que impede uma empresa de contratar mais trabalhadores? E que permite progressões na carreira mesmo sem mérito? A chantagem corporativa venceu, pela mão do governo da geringonça Vamos lá ver se percebi bem. Um dos pontos do acordo com o sindicato dos estivadores é que uma das empresas de trabalho portuário de Lisboa deixe de contratar mais trabalhadores. Exacto, não me enganei: com o alto patrocínio da ministra do Mar e de António Costa, foi assinado um acordo que impede que se crie mais emprego no Porto de Lisboa, a não ser com autorização do sindicato. No tempo de Salazar havia uma lei, chamada de “condicionamento industrial”, que limitava a criação de novas empresas à verificação de que estas não iriam fazer concorrência com empresas já instaladas. Se já houvesse uma fábrica de parafusos, não haveria mais fábricas de parafusos sem que o governo autorizasse. Agora estamos a viver uma situação semelhante c...

Ó box volta para trás, dá-me tudo

Eduardo Cintra Torres, Correio da manhã, 29.05.2016 01:45   Vão aumentando os espectadores que usam a TV como usam este jornal: lendo quando lhes apetecer.  Com o visionamento diferido proporcionado pelas boxes digitais das plataformas de TV por assinatura, os canais de cabo ganham quase 10% de audiência média, mais do dobro do que ganham os canais generalistas com o ‘voltar atrás’ no próprio dia ou nos sete dias seguintes. A prática não é nova, mas antes exigia a posse e o uso de gravadores. Agora é carregar numas teclas e já está. Sem esforço. Entra no hábito. Apesar de a esmagadora maioria do visionamento ser ainda feito em simultâneo com a transmissão dos programas, vão aumentando os espectadores que usam o media televisivo como usam este jornal: lendo quando lhes apetecer, daqui a minutos ou a dias. A facilitação técnica do diferimento é uma realidade excelente para a TV, acrescentando a audiência de certos programas, e para os espectadores, aumentando a possibil...

A Europa é de Marte

João Pereira Coutinho Correio da manhã 29.05.2016 Perante o desprezo das elites, o povo vota com medo e fúria.  A Áustria preparava-se para ter como presidente uma figura da extrema-direita. Não aconteceu: Norbert Hofer perdeu por uma unha mas a revista ‘The Economist’ não festeja o resultado. Da França à Holanda, da Suíça à Dinamarca, parece que a velha besta está de volta. Surpresa? Nenhuma. Passei uns dias em Budapeste, onde Viktor Orbán é rei e senhor. E, nas conversas banais, encontrei um apoio ao primeiro-ministro que assenta em três paixões: a) Orbán não é lacaio de Merkel; b) com moeda própria, a Hungria não depende dos humores do euro; e c) as fronteiras do país estão fechadas para ‘estrangeiros’ (leia-se: refugiados muçulmanos). Entendo que as elites europeias não se misturem com a opinião do vulgo, ignorando olimpicamente os medos reais de gente real. Só não entendo é o espanto das mesmas elites quando, na solidão da cabine, o povo vota com esse medo – e muita...

Aniversários

António Barreto | DN20160529 É uma indústria! Há aniversários todos os anos. Antigamente, festejavam-se números redondos: 10 ou 50, por exemplo. Os centenários eram os mais desejados. Depois, vieram os 15 e os 25 anos. Agora, faz-se tudo. Neste ano, estamos servidos. Para além dos clássicos, como sejam os centenários da morte de Cervantes, Shakespeare ou Leibniz, temos, mais perto de nós, os 90 anos da rainha de Inglaterra e do 28 de Maio, os 71 de Hiroxima, da derrota dos alemães e da paz na Europa, assim como os 42 do 25 de Abril e os 40 da Constituição. A actividade comemorativa está cada vez mais globalizada. Pela lista que precede, damo-nos conta de que a memória vai buscar o que pode, a fim de garantir a nossa identidade, mas também o êxito comercial dos profissionais da efeméride. É natural pensar-se que há comemorações artificiais, dado que há procura para quem se especializa nestas coisas. Mas, de qualquer maneira, são boas oportunidades para reflectir. Simplificando se...

Os padres, primeiro

Helena Matos Observador 2016.05.29 Pombal fechou as melhores escolas do país. Afonso Costa fechou-as de novo. Agora voltamos a escolher as piores. Os nossos déspotas esclarecidos caracterizam-se pela promoção iluminada da ignorância. É dos livros, pelo menos dos nossos livros desde o século XVIII: quando em Portugal o autoritarismo dos que se acreditam iluminados avança, os padres católicos e muito particularmente os seus colégios são um dos primeiros alvos se não mesmo o primeiro. Foi assim com o Marquês de Pombal e os jesuítas, foi assim com Afonso Costa e os mesmos jesuítas. E está a ser agora com as escolas com contratos de associação, católicas na sua maioria ou na quase totalidade. E só não foi assim durante o PREC porque as escolas privadas em 1975, religiosas ou não, estavam longe, muito longe mesmo, de terem a importância que tinham tido antes e vieram a ter depois: o quadro de professores do Liceu Camões no tempo do reitor Sérvulo Correia rivaliza hoje com o de m...