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Silêncio quebrado

JN 20110620 Manuel António Pina Ao contrário do que foi dito quando veio a público o escândalo do "copianço" no CEJ, o caso não é "pontual". Acompanhei de perto um curso anterior em que o "copianço" era frequente e a política seguida por certos (insisto: certos) dos então responsáveis do CEJ a de esconder esse lixo debaixo do tapete. Alguns professores abandonavam as salas durante os testes confiando a vigilância à honestidade de cada formando. O problema era que a honestidade de alguns (hoje nos tribunais a acusar e julgar casos de fraude) nem sempre era a expectável em futuros magistrados. Existem nos arquivos do CEJ documentos demonstrando o que aconteceu a uma formanda que quebrou a lei da "omertá" e se referiu ao assunto durante um encontro na presença do desembargador coordenador da sua formação. Na sequência disso (decerto por coincidência), passou a ser sujeita a humilhações e discriminações de toda a ordem e "avaliada", em rela...

Domingo da Santíssima Trindade

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  Trindade 1427-28 Fresco 6.67 x 3.17 m Santa Maria Novella, Florença

Uma cultura de intoxicação

Público 2011-06-18 Manuel Pinto Coelho Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e abuso de drogas nos torna parte do problema A toxicodependência é um fenómeno que tem vindo a alastrar e Portugal não foge à regra. Em algumas décadas, passou-se de um problema de "apenas alguns" para um fenómeno de massas, que afecta particularmente os jovens, ceifando sem piedade no seu infernal percurso de morte inúmeras vidas e esperanças. As sociedades têm vindo a apostar, inconscientemente, no seu próprio embrutecimento. O nivelamento por baixo, a degradação dos padrões de qualidade têm levado, gradualmente, a uma frustrante cultura de desistência, disfarçada "aqui e ali" através de uma política mal conduzida de redução de danos e solidariedade distorcida. Hoje em dia, crianças e adolescentes, cada vez mais cedo, vêm trivializando o uso de drogas em casa, no bar, na rua ou na escola, à vista dos familiares e educadores que, incrédulos, cada ve...

As saudades curtas

Público2011-06-18 Miguel Esteves Cardoso Também as versões-formiga dos maiores sentimentos têm tanto direito ao respeito como os leões e as impalas. Até por serem muito mais numerosas e frequentes, como está a multidão de insectos para com a pequena minoria dos vertebrados. A minha formiguinha emocional são as saudades curtas que eu tenho da Maria João. Plenas não posso ter, graças a ela e a Deus, porque são poucos os momentos em que ela não está comigo. Mesmo não sendo muitas, essas faltas, por muito felizmente pequenas e provocadas pela necessidade, são suficientes para incutir em mim a dor, nem que seja por cinco minutos apenas, de estar separado dela. Parecem estúpidas as saudades curtas. São certamente insensíveis e solipsistas, perante as saudades longas e profundas, que não têm cura nem, por serem insolúveis, têm a esperança de, um dia, deixarem de existir. São saudades de uma hora, de um almoço perdido, de uma tarde interrompida. Parecem irracionais e ingratas, estas saud...

Uma história portuguesa

Público 2011-06-18  Vasco Pulido Valente Numa altura em que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas se preparam para pedir ao país sacrifícios sem precedente, deviam olhar de quando em quando para esse mesmo país como ele na realidade é. E o que é não anima ninguém. Há uma história, em particular, que merecia meditação. O Centro de Estudos Judiciários (o CEJ), que foi fundado para formar juízes (que são um poder soberano) e magistrados do Magistério Público, descobriu que 137 candidatos tinham copiado num exame. Isto, que em outro qualquer sítio do mundo arrastaria a condenação e a vergonha de uma escola primária, não pareceu comover particularmente os directores do CEJ. Depois de maduras reflexões, chegaram estes cavalheiros à conclusão que a melhor saída para um embaraço tão comprometedor era "passar" os 137 prevaricantes com dez. Não queriam, segundo consta, que eles por acaso ganhassem fama de "malandros". Se Portugal se levasse a sério, como o levam a sério na or...

Justiça à portuguesa

RR on-line 17-06-2011 08:58 Aura Miguel A credibilidade de uma Nação mede-se pelo rigor e independência dos seus magistrados. Aliás, é do mais elementar, num Estado de Direito, haver separação de poderes com legisladores, governantes e magistrados competentes. Por isso, num país civilizado, não passa pela cabeça de ninguém admitir magistrados desonestos. Excepto em Portugal... Ficámos a saber que um grupo de candidatos a magistrados copiou no teste de formação, ou seja, decidiu, conscientemente, iludir os seus avaliadores – facto já por si grave, que merece penalização – mas (pasme-se!...) os próprios avaliadores não se importaram e passaram-nos a todos com 10 valores. Eis uma das razões pelas quais a Justiça é um dos maiores entraves ao desenvolvimento do nosso país. Talvez as mudanças previstas no memorando da “troika” devessem passar também pelo Centro de Estudos Judiciários.

Até os cépticos estão a ficar preocupados com o futuro da Europa

Público 2011-06-17 José Manuel Fernandes O problema europeu não é uma crise de "falta de lideranças", corresponde sim ao crescente divórcio dos eleitorados Estamos tão preocupados em perceber até que ponto a nova maioria saída das eleições de 5 de Junho consegue estar à altura das expectativas - e felizmente que os sinais já conhecidos são positivos - que não temos dado suficiente atenção a um mundo que se desmorona à nossa volta. Mas como é sempre possível que o pior aconteça, vou deixar de lado a escolha do próximo ministro das Finanças de Portugal para partilhar algumas inquietações sobre o não-existente ministro das Finanças da Europa. Esta semana, o economista que previu a crise financeira, Nouriel Roubini, escreveu num blogue do Financial Times que a zona euro se estava a desfazer, sendo muito provável que, depois de uma inescapável reestruturação das dívidas da Grécia e de Portugal, estes dois países tivessem de sair da moeda única. Mais do que esta conclusão, o i...