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ENCONTRO COM OS PÁROCOS E O CLERO DA DIOCESE DE ROMA 7 Fev 2008

ENCONTRO COM OS PÁROCOS E O CLERO DA DIOCESE DE ROMA  DISCURSO DE SUA SANTIDADE BENTO XVI Sala das Bênçãos Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008 (Pe. Massimo Tellan, pároco de Santo Henrique) Sou o Padre Massimo Tellan, há quinze anos sacerdote, há seis pároco de Casal Monastero, sector Norte. Penso que todos nos damos conta de viver cada vez mais imersos num mundo culturalmente inflacionado por palavras, muitas vezes sem significado, que desorientam o coração humano a ponto de o tornar surdo à palavra de verdade. Esta palavra eterna que se fez carne e assumiu um rosto em Jesus de Nazaré tornou-se evanescente para muitos, e sobretudo para as novas gerações, inconsistente e distante. Certamente confundida na selva de imagens ambíguas e efémeras pelas quais se é bombardeado quotidianamente. Então que espaço dar ao educar para a fé, para este binómio de palavra a ser acolhida e imagem a ser contemplada? Onde está a arte de narrar a fé e de intro...

"Pórtico do Mistério da Segunda Virtude"

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José Maria Duque Samurais de Cristo, 5 Fev 2007 (Charles Péguy) É um atrevimento escrever sobre este livro. É um livro de tal maneira grande que é preciso muitos anos de estudo para lhe fazer uma crítica ou um comentário. Contudo arrisco-me a fazê-lo. Não porque confie muito nas minhas capacidades de crítico literário ou porque possua grandes conhecimentos sobre Péguy, mas simplesmente porque me tocou profundamente. Por isso este post não tem por fim ser uma crítica ou um ensaio sobre o livro, mas simplesmente um simples testemunho.   "Para esperar, ó minha filha, é preciso ser bem feliz, é preciso ter obtido, recebido uma grande graça" Esta é sem dúvida a frase mais importante do livro para mim. Desde de pequeno que me venderam a esperança como uma utopia sobre um futuro melhor, sem nenhuma razão aparente. Mas se a vida corre mal, porque raio é que há de correr melhor? Porque é que amanhã deverá ser diferente de hoje? Uma esperança assim é uma fuga para f...

Stop and hear the music

Mas queremos mesmo valores?

Público, 20061120 Mário Pinto 1.O recente e extraordinário congresso da Fundação Gulbenkian, sobre o tema Que Valores para Este Tempo?, abriu com uma conferência inaugural de Eduardo Lourenço, que escolheu dissertar À Sombra de Nietzsche - foi este o título que deu ao seu discurso. Título que, em si mesmo, faz muito sentido, porque se há coisa evidente é que Nietzsche ensombra, e não ilumina. Não porque não tenha sido genial, contraditório, violento e o mais que os seus admiradores frequentemente lhe creditam; mas porque, afinal, fazendo filosofia (amor da sabedoria), entronizou o que porventura pode dizer-se a irracionalização da razão: a "vontade de poder", o "super-homem", aquele pathos que veio a dar o nazismo - com efeito, muitos o consideram o profeta da loucura nazi. 2. Nietzsche atacou a virtude cristã como uma moral de escravos - moral que não apenas criticava, mas sobretudo detestava, porque nela via exactamente a sua contradição. A boutade vulgar que prof...

Critica da razão cómoda

Público, 20061106 Mário Pinto 1. Todos os autores estão de acordo em reconhecer que se deu, no Ocidente, desde as últimas décadas do século XX, uma mudança nas mentalidades e na cultura. Mentalidades quer aqui dizer costumes de pensar e agir relativamente interiorizados e partilhados; modos de ver, de pensar, de viver, de aspirar. Cultura quer aqui dizer pensamento teórico das ciências, da filosofia e das artes, da educação e da informação; pensamento dominante ou hegemónico. 2.As origens ou causas destas enormes mudanças são muito controvertidas, embora seja fácil listar múltiplos contributos ou influências. Desde as revoluções da economia, das novas tecnologias da informação e da comunicação (factores materiais), até às contribuições do pensamento teórico de vários quadrantes, designadamente a partir dos primeiros "mestres da suspeita" até aos mais recentes criticismos negativistas (factores intelectuais). Diz-se: uma nova era se abriu, a pós-modernidade ou sociedade pós-mo...

O célebre relatório Kissinger e a política internacional maltusiana

O célebre relatório Kissinger e a política internacional maltusiana Mário Pinto In: Público, 061023 1.No meu último artigo, interroguei-me acerca das razões pelas quais um crime tão repugnante como o aborto, condenado pela consciência da nossa cultura civilizacional desde há dois milénios, sem discordâncias a não ser por parte das grandes ideologias totalitárias do século XX (nazismo e comunismo), se tornou, de repente, e sem novas razões doutrinais nem científicas, como algo de, não apenas lícito, mas até pretendidamente direito fundamental da mulher (só da mulher), decorrente da propriedade do seu corpo. 2. E cheguei à conclusão de que haveria, sem dúvida, uma explicação na mudança de cultura e das mentalidades. Mas, visto que as mudanças culturais, mesmo no nosso tempo acelerado, são mais lentas do que tem sido a reviravolta (ou revolução) do aborto, procurei o concurso de algum factor catalisador. E achei que esse factor foi e é a política maltusiana do ocidente próspe...

Fé, razão e Universidade: Memórias e Reflexões

Queridos amigos: Muito se tem dito acerca da lição do Papa na Universidade de Regensburg. Contudo, muitos só sabem o que o Papa disse através da visão-espectáculo da comunicação social. Porque a lição do Papa merece ser estudada por todos, atrevi-me a tentar traduzi-la para Português, mesmo antes de qualquer versão oficial. É esta tradução (apressada e, por isso, não revista com o cuidado que merece) que vos envio agora na esperança de que possa ser de ajuda ao nosso e ao esclarecimento dos outros Um abraço amigo Pedro Aguiar Pinto Top of Form Fé, Razão e Universidade: Memórias e Reflexões Bottom of Form Discurso do Papa na Universidade de Regensburg (tradução em inglês) . Vossas Eminências, Vossa Magnificência, Excelências, Distintos Senhoras e Cavalheiros, É uma experiência comovente para mim estar de volta á universidade e poder, mais uma vez, dar uma lição neste pódio. Penso naq...