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Recordando o velho PS: fronteira da liberdade

JOÃO CARLOS ESPADA Público 28/09/2015 Quer o PS romper com 40 anos de liderança da esquerda democrática? Causou nestes dois últimos dias bastante impacto a manchete do Expresso de anteontem. Talvez valha a pena citá-la aqui na íntegra: “Costa chumba governo de direita minoritário. PS pensa que será governo se não houver maioria PSD/CDS. Costa confia na maioria de esquerda e na capacidade para fazer acordos.” A manchete remete para um artigo da jornalista Luísa Meireles que não cita directamente o líder socialista. Há aqui por isso uma esperança de que não seja esta ainda a linha oficial do PS — ou, pelo menos, de que ela ainda possa ser revista. Porque, se esta for de facto a linha oficial do PS, ela significa um ruptura com 40 anos de liderança do PS na esquerda democrática. Estou a pesar bem as palavras: uma ruptura com 40 anos de liderança do PS na esquerda democrática. Só num curto período após o 25 de Abril de 1974 é que o PS de Mário Soares alimentou a vaga esperan...

Perder nas urnas, ganhar na secretaria

Alexandre Homem Cristo | Observador | 2015.09.28 Vota-se para eleger deputados, mas é indesmentível que no fundamental está em causa a escolha de um primeiro-ministro. É contrariando esse princípio que, perdendo, Costa pretende ganhar na secretaria Dois milhões e meio de estúpidos. É este o número estimado de portugueses que votarão na coligação Portugal à Frente (PàF) no próximo dia 4, e é assim que no PS os qualificam. Correia de Campos verbalizou-o – o PS vai ganhar as eleições pois “o povo não é estúpido”. E a incredulidade reinante nos bastidores socialistas perante as sondagens, conforme noticia o semanário Sol, confirma o enraizamento da tese no Largo do Rato. São conhecidos os erros políticos do PS, assim como a sua perturbadora incapacidade para os corrigir. Mas o que está latente nestas declarações de Correia de Campos não é um erro estratégico, é algo que permanece cravado no código genético do PS: a convicção de uma superioridade moral no centro-esquerda ocupado pe...

Inimigos

Tem inimigos? Ainda bem. Isso quer dizer que alguma vez na vida defendeu qualquer coisa. Winston Churchill

«O céu é o limite» – será?

Manuel Villaverde Cabral |  Observador, 2015.09.27 Desfraldadas as bandeiras vermelhas da «união da esquerda», os comentadores precipitaram-se para preparar o centro do país e do próprio PS para esta hipótese inédita na política portuguesa desde 1976. Clama o «Expresso» de ontem que «o céu é o limite». A jornalista Luísa Meireles está a falar com entusiasmo da hipótese – a expressão é dela – de o PS se aliar ao PCP e porventura ao BE a fim de derrotar a maioria eleitoral cada vez mais provável da Coligação PàF. Mas é mais do que uma hipótese. Permito-me aliás recordar que há uma semana que aqui tive oportunidade de anunciar essa dupla probabilidade. Na altura, porém, só alguns comentadores perceberam o que se estava a preparar. Nem o Observador reagiu então à evidência da probabilidade aritmética de a Coligação, se ganhar no próximo domingo com maioria relativa, estar a franquear a porta à probabilidade política de o PS, em desespero de causa, depois de já ter anunciado que ...

O amor é indivisível

A propriedade da quantidade é poder-se sempre dividir e a propriedade do amor é querer-se sempre dar todo. Pe. António Vieira

O mundo, visto do trono papal

José Maria C.S. André Correio dos Açores, Verdadeiro Olhar, ABC Portuguese Canadian Newspaper, Spe Deus, 27-IX-2015 Há tempos, ouvi um historiador importante explicar, com eloquência de dados, que o pedido de perdão de João Paulo II durante o Jubileu do ano 2000 não fazia sentido, porque nem ele nem os Papas anteriores tinham a ver com os acontecimentos de que pedia desculpa. Nem sequer a Igreja estava implicada na generalidade daqueles actos, a maior parte passados há muitos séculos. Antes de pedir desculpa, João Paulo II (digo eu) devia ter telefonado para a faculdade: «Está lá? Podia-me passar ao Prof.? Daqui fala o Papa. Não lhe vou tirar muito tempo, é só para me esclarecer...» (evitava-se o tal pedido de perdão inapropriado). Em Junho passado, o Papa Francisco pediu desculpa aos valdenses pelas violências do século XVI. A Assembleia das Igrejas Metodistas e Valdenses respondeu-lhe há pouco, por carta, que não podiam perdoar: eram outros tempos, outras pessoas, nenhum daq...

Oito pecados de campanha

ALBERTO GONÇALVES | DN 2015.09.27 Currículos Dos submarinos à "roubalheira" do BPN, passando pelo "buraco gigantesco" do Novo Banco que o programa do PS "acomodará" sem dramas, as notícias das sondagens levaram o Dr. Costa a investir na sofisticação dos argumentos. Mas nenhum vence o de acusar Passos Coelho de passar por empresas "de objecto social obscuro". É justo, dado que o Dr. Costa passou a vida inteira numa empresa cujo "objecto social" é claríssimo: o PS, especializado em estrafegar as contas públicas e deixar-nos a factura. Também por isso é ridículo sugerir que o desespero das "saídas" profissionais orienta a campanha do homem. Desde que os amigos de Sócrates e os amigos de Seguro sofram de amnésia, o Dr. Costa tem o futuro garantido. E ainda há a Quadratura do Círculo. Economia Mais engraçado do que o esforço de certos media para esconder os sinais de (alguma, sosseguem) recuperação económica só o desgost...