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Jornal das Boas Notícias, 10

JBN10

Católicos e política: razões para um empenho

020309Catolicosepolitica

Uma novidade

João César das Neves DN, 20020204 Portugal está em crise. O que não é novidade. A economia anda aflita e a política desorientada, repetindo situações do passado, sem nada de novo na nossa acidentada história democrática. Mudam os actores e as circunstâncias, mas, no fundo, o enredo mantém-se. Eça, Ramalho e até Fernão Lopes e Diogo do Couto teriam uma sensação familiar, se hoje visitassem Portugal.Mas, no meio da repetição cinzenta, deve ser louvado o aparecimento de um elemento original, no nosso quadro político. Pode não ser muito bom nem genuinamente natural, mas, pelo menos na aparência, há uma novidade, nesta conjuntura.A novidade não está na crise económica. O problema que nos assola é financeiro, como tantos que tivemos, no passado. Tal como em 1977 e em 1983, mas também em 1560, 1605, 1837, 1847, 1869, 1891 e em tantos outros, andámos, nos últimos anos, a viver acima das nossas posses. Agora, vamos ter de passar uns tempos a apertar o cinto e pagar as dívidas. A origem do probl...

Jornal das Boas Notícias, 9

JBN09

Terra dos livres, lar dos bravos

João Carlos Espada Público, 2001.12.17 EDUARDO Prado Coelho voltou a brindar-me com uma crítica no jornal «Público». Desta vez, EPC critica-me pelo meu elogio a Harry Potter. Mas, o que realmente o indignou foi o facto de eu ter associado talibãs e pós-modernos. Isso não é possível, diz EPC, porque os talibãs têm uma verdade única e os pós-modernos negam os fundamentos de qualquer verdade. Para EPC, talibãs e pós-modernos são pólos opostos e eu, bem lá no fundo, estaria mais perto dos talibãs. O facto, no entanto, é que os pós-modernos têm uma verdade, a que se apegam com grande entusiasmo: a de que não existe verdade. E mais: a de que essa verdade que a verdade não existe é a única base para a democracia, a liberdade e a tolerância. Devido a estes pressupostos, eles querem «educar-nos». E querem que o Estado adopte uma ideologia educativa oficial: a de que não existe verdade. Esta é a ideologia hoje propagada pelas escolas do Estado, pelas campanhas de «educação sexual» do Est...

As falsas vítimas

João César das Neves, DN, 20011029 Os terroristas de Setembro justificaram o seu acto cruel pelo facto de serem... vítimas. A suposta legitimidade para matar milhares de inocentes vinha da resposta ao alegado imperialismo americano. Este raciocínio é típico desta época e, embora em geral menos sangrento, é hoje partilhado por muita gente. Vivemos num período em que grande parte da violência, mesmo a mais infame, é apresentada como indemnização de vítimas. Uma das nossas grandezas é, sem dúvida, a grande preocupação com a equidade e a justiça. Desde o último século que se vive um grande movimento, de leis, programas e instituições para defesa e promoção dos pobres e desprotegidos, dos excluídos e minoritários. O juízo da História irá, certamente, sublinhar a generosidade e o valor do nosso grande interesse pelas vítimas da opressão, desvantagem e discriminação. Mas até os ideais mais elevados podem ser corrompidos. Por isso, frequentemente a luta contra a injustiça é invocada com pr...

Guerra Santa

João César das Neves DN 2001.11.26 As grandes religiões, incluindo o Islão, estão todas de acordo: Deus não gosta nada da violência e da guerra. Ele é o Deus da paz. Mas uma distorção subtil deste ponto tem vindo a ser usada para fazer guerra à religião. Diz ela que a luta entre crentes é inaceitável em qualquer situação. Ela é mesmo incompreensível. O nosso tempo não entende que alguém lute e morra em nome de Deus. Por isso despreza a religião. A agressão é sempre, obviamente, inaceitável. Existe apenas um caso em que a violência se justifica, a legítima defesa. Foi essa a razão que os americanos invocaram para este ataque. O argumento é muitas vezes abusado, mas isso não lhe tira a lógica. Todos a aceitamos. Os combatentes pela liberdade têm um lugar elevado na glória da sociedade ocidental. A nossa opinião pública, tal como todas as culturas em todos os tempos, percebe perfeitamente que uma pessoa ou um povo se levantem em armas para defender as suas vidas, casas, modo de ...