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Formar um cidadão é formar um crítico

Formar um cidadão é formar um crítico. O objectivo último da educação é que seja capaz de dar critérios abstractos e eternos com os quais seja possível julgar condições materiais e fugidias. G.K. Chesterton: "All is Grist."

Perseguidos, mas não esquecidos

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José Maria C.S. André Correio dos Açores, Verdadeiro Olhar, ABC Portuguese Canadian Newspaper, Spe Deus, 25-X-2015 O sumário do último relatório sobre os cristãos oprimidos por causa da fé (Fundação AIS, Outubro de 2015) estende-se por 170 páginas tristes de ler. Este sumário do relatório é sóbrio, não alimenta aversão contra ninguém, apenas enumera, ao longo daquelas 170 páginas, com factos e datas, a imensa desgraça que aflige grande parte do nosso mundo. Os incidentes de destruição e de sangue estão agrupados por países: a China, a Coreia do Norte, o Vietname, a Indonésia, a Índia, o Sri Lanka, o Paquistão, a Rússia, a Bielorússia, o Turquemenistão, a Turquia, a Ucrânia, a Síria, Israel, a Palestina, o Egipto, o Irão, o Iraque, a Arábia Saudita, a Eritreia, o Sudão, a Nigéria, o Quénia...  Que montanha de ódio explica esta fúria generalizada? O Papa João Paulo II dizia que o século XX tinha sido o século dos mártires. O Papa Francisco continua a queixar-se das notícias...

A ratoeira

João César das Neves DN 20151028 A situação económica nacional parece uma armadilha montada para caçar o próximo governo. Apesar disso, a atracção pelo poder é tal, que todos os partidos se atropelam para entrar na ratoeira. A insólita circunstância deve mais ao acaso do que ao planeamento, mas o resultado é iniludível. Comecemos pelo queijo que atrai a vítima incauta. A situação conjuntural mostra-se promissora. A economia cresce há dois anos e o país saiu com sucesso do programa de estabilização há um; a balança externa é positiva e o défice orçamental aproxima-se dos requisitos europeus. Tudo aponta para uma época favorável, aproveitando os próximos governantes os sacrifícios impostos pelos anteriores. O petisco, porém, é mero engodo, pois os sinais positivos são em grande medida aparentes. A realidade é muito diferente da imagem que a coligação PSD-CDS usou como bandeira nas últimas eleições, e que lhe deu a vitória. Há várias bombas retardadas que gerarão problemas grav...

Os tiros do PS

André Macedo DN 20151028  O PS terá pela frente um dos maiores desafios da sua história - isto se o Presidente da República engolir o pântano de sapos, como tão bem lhe chamou Miguel Sousa Tavares, e acabar por nomear António Costa primeiro-ministro após a queda de Passos & Portas. Além de ser um pantagruélico desafio para os socialistas, é-o também para o país, que pode ter pela frente um líder de governo que não ganhou as eleições, mas que conseguiu (ao que parece) montar uma complexa equação partidária que levanta várias interrogações. É nesta atmosfera rarefeita que António Costa se move e por isso espanta a atitude beligerante que mantém em relação a tudo o que mexe à sua direita. Ontem, logo após Passos & Portas terem anunciado o governo possível nestas circunstâncias - um grupo de ministros com prazo de validade à vista -, o PS atacou em bloco todas as escolhas. Os ministros da PàF são todos maus porque são do PSD e do CDS, ponto final. Se Cavaco Silva foi sectár...

O dia em que o jovem António Costa fugiu de casa

António Delicado | SOL | 27/10/2015  Recordo-me bem. Foi há 20 anos. Todos os que tínhamos consciência política em 2015 nos lembramos do que se passou naquele final de ano após umas eleições legislativas que o centro-direita ganhou. António Costa, revoltado com o voto do povo e perante a vertigem da derrota, decidiu na altura transformar em oportunidade de ouro a posição de pivot que tinha adquirido nessas eleições. Ao invés de assumir o desaire, abalançou-se então a líder de uma frente cujos denominadores comuns eram poucos e que muito demoraram a cimentar. Daí não existirem escritos que permitam escrever esta história com maior critério científico.  Naquelas eleições uma grande maioria silenciosa de mais de 70% dos eleitores tinha votado em projetos com traves mestras comuns, como os do respeito pelos compromissos assumidos na Europa e na NATO, a manutenção da moeda única e de um défice público abaixo de 3%, para não falar agora na identidade existente em matéria de...

Da batota à chantagem política

Dinis de Abreu |SOL | 27/10/2015 Na comédia de enganos, estreada a 4 de outubro, António Costa decidiu vestir o fato de vencedor sabendo-se vencido, e teve  uma frase enigmática à boca de cena (após o prólogo  com as  esquerdas) que os jornais puxaram para  título,  como se fosse um  fait divers  sonante: «É como se estivéssemos a deitar abaixo o resto do muro de Berlim». Nos bastidores, o PCP deve ter perguntado ao Bloco se a piada era com eles, porque nada do que têm dito ou publicado no Avante! legitimaria tal despautério. E o Bloco, recomposto graças à inépcia dos seus dissidentes, terá achado provavelmente o dito irrelevante, entretido como tem andado a mostrar-se disponível para tudo. Para quem esbracejava o antes inconfessado desejo de um governo de esquerda, com comunistas inconvertíveis, o absurdo é bem revelador da propensão de Costa para a utopia, que faz desconfiar qualquer pessoa com um módico de lucidez. Ora, não se brinca com c...

Frentes populares

Jaime Nogueira Pinto | SOL | 27/10/2015 A ideia de ‘unidade das esquerdas’ num país como Portugal, onde o leque político-partidário com representação parlamentar vai do centro-direita à extrema-esquerda, pode e deve causar perplexidade. O regime saído do golpe de Estado militar de 1974 e do PREC que se lhe seguiu, exorcizou, denegriu e proibiu as direitas e a Direita, inventando até, para isso, um preceito contra ‘organizações fascistas’. Assim, sem formações políticas nem quadros partidários e sob uma pressão constante de diabolização, a direita viu as suas ideias rotuladas como impróprias para consumo por pessoas honradas e de bom coração. E o ‘povo da direita’ teve que se arranjar com o que havia. Como o centro e as esquerdas também competiam entre si, os eleitores de direita foram votando ‘útil’, oscilando, conforme o tempo e as circunstâncias, entre o PS, o PSD e o CDS. E até deram vitórias a coligações ou partidos do centro-direita: à primeira AD em 1979, à primeira maiori...