Por um Natal sem crises
João Miguel Tavares, Público, 24/12/2013 As coisas mais importantes que temos nas nossas vidas são imunes a ratings e a aberturas de Telejornal . Por uma noite, são tudo aquilo que conta. Calhando-me, pela primeira vez, escrever no PÚBLICO na véspera de Natal, pensei em deixar para quinta-feira a análise a mais um chumbo do Tribunal Constitucional e compor hoje um texto optimista e esperançoso, que falasse dos aspectos positivos desta crise. Mas estou um pouco hesitante: será que se pode? Uma das consequências lamentáveis da crise é todo o discurso que a procura superar ser torpedeado pelos vigilantes da sensibilidade alheia, que com toda a facilidade classificam como "insensível" e de "mau gosto" qualquer desvio à narrativa oficial. A saber: nada de bom sai de uma crise, que apenas extrema as desigualdades sociais, empobrece o país e lança pessoas na miséria. Tudo isto é verdade, mas não é toda a verdade. Só que o resto da verdade, aquele resto que não ca...