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Dia de Natal

Diálogo entre o Pai Natal e o Menino Jesus Foi numa esquina qualquer que se encontraram o Pai Natal e o Menino Jesus. Enquanto aquele se preparava para trepar um prédio, com o seu saco às costas, este último, recém-nascido, descia à terra e oferecia-se inerme, num pobre estandarte, que cobria uma mísera janela. - Quem és tu, Menino – disse o velho – e que fazes por aqui?! É a primeira vez que te vejo! - Sou Jesus de Nazaré e ando há vinte séculos à procura de uma casa que me receba e, como há dois mil anos em Belém, não há quem me dê pousada. - Pois não é de estranhar! Não vês que vens quase nu?! Porque não trazes roupas quentes, como as que eu tenho, para me proteger do frio do inverno? - O calor com que me aqueço é o fogo do meu amor e o afecto dos que me amam. - Eu trago muitos presentes, para os distribuir pelas casas das redondezas. E tu, que andas por aqui a fazer? - Eu sou rico, mas fiz-me pobre, para os pobres enriquecer com a minha pobreza. Eu próprio sou o presente de quem m...

Santo Natal

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Santo Natal   Para nós, Deus não é uma hipótese distante, não é um desconhecido que se retirou depois do "big-bang". Deus mostrou-se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo vemos o rosto de Deus. nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco. Bento XVI Natividade William Congdon (1912-1998)

A simplicidade do Natal

«Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 11-12). Com estas singelas palavras, o Anjo comunica aos pastores o sublime acontecimento da Noite de Natal. Deus acaba de nascer. Vem ao mundo — criado por Ele — e vem para nos salvar. Não vem simplesmente para nos fazer uma visita de cortesia. Isso já seria muito! No entanto, para Deus, isso seria muito pouco. Veio para habitar entre nós. Veio revelar-nos o Seu infinito Amor. Veio para morrer na Cruz e abrir-nos assim as portas do Céu. É que cada um de nós vale muito: sejamos grandes ou pequenos, fortes ou frágeis, nascidos ou ainda por nascer. E qual foi o sinal escolhido por Deus para nos indicar que já chegou? Um maravilhoso palácio repleto de riquezas e múltiplos confortos? Não, esse não foi o sinal anunciado pelo Anjo aos pastores. O sinal escolhido por Deus, por insólito que pareça, é um Menino envolto em p...

A magia do Natal

DESTAK | 21 | 12 | 2010   20.06H José Luís Seixas Ea loucura desceu à cidade. Lisboa foi invadida por uma horda de bárbaros que disputam palmo a palmo o espaço público num incontrolável frenesim. As compras, a avidez do consumo, esta espécie de delírio colectivo transforma as pessoas em autênticos predadores da selva urbana. A solidariedade, a compaixão, a espiritualidade são valores suplantados por esta estranha forma de celebrar o Natal. A histeria persiste, mesmo em tempos de crise severa. Vivemos um Natal sem Presépio. Um Natal profano, cuja mensagem deixou de ecoar no coração dos homens. A comemoração do nascimento do Filho de Deus não releva porque não cremos. Fechamo-nos no casulo dos nossos pequenos mundos, centrados na visão estreita do nosso umbigo, fazendo do presente o único momento que importa, buscando uma felicidade só nossa, impartilhável, que reivindicamos como direito. Por isso, enjeitamos a possibilidade que o Natal nos oferece de renascermos melhores, mais atent...

Discurso do papa Bento XVI por ocasião da troca de votos natalícios com a Cúria romana

...No seu tempo, Alexis de Tocqueville observara que, na América, a democracia se tornara possível e funcionara, porque existia um consenso moral de base que, ultrapassando as diversas denominações, a todos unia. Só se houver um tal consenso acerca do essencial é que podem funcionar as constituições e o direito. Este consenso de fundo proveniente do património cristão está em perigo sempre que no seu lugar, no lugar da razão moral, entra a mera racionalidade dos fins, de que há pouco falei. Combater contra esta cegueira da razão e manter-lhe a capacidade de ver o essencial, de ver Deus e o homem, aquilo que é bom e o que é verdadeiro, é o interesse comum que deve unir todos os homens de boa vontade. Está em jogo o futuro do mundo.... Dis Curs Ode Natal a Curia

Os três "P" e São Jack, o estripador

Público, 2010-12-20 Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada Sempre que Bento XVI se refere a temas de moral sexual, os media prestam-lhe uma enorme atenção Quando havia padres e polícias com fartura, dizia-se que a capital do Minho era a cidade dos três "p" porque, aos dois digníssimos ofícios já citados, havia que acrescentar a impropriamente chamada "mais antiga profissão do mundo". A polémica, a propósito da entrevista concedida por Bento XVI, também se poderia designar pelos três "p" que a resumem: Papa, preservativos e prostitutos. Quanto ao Papa, já está tudo dito, mas talvez não seja ocioso recordar que, sempre que Bento XVI se refere a temas de moral sexual, os media prestam-lhe uma enorme atenção, que não lhe dispensam quando apela para causas maiores, como a paz, a pobreza, a fome ou a perseguição dos cristãos na Ásia, por exemplo. Dir-se-ia que algumas pessoas, que têm o seu importantíssimo umbigo um pouco descaído, não querem outra coisa des...

Conto de Natal

DN 2010-12-20 JOÃO CÉSAR DAS NEVES Pedro estava a uma mesa do bar, bebendo uma cerveja e angustiando-se por causa da dívida ao banco. Era como se toda a maldita crise mundial se concentrasse na próxima prestação e na falta de dinheiro para a pagar. Onde arranjá- -lo? Então ouviu dizer: - Porque é que não fazes como na outra? Pedro levantou os olhos e viu um homem de barba à mesa do lado, que sorria e olhava para ele. Perante o olhar confuso do jovem, o homem explicou: - Estás preocupado com a dívida. Porque não fazes como na outra dívida? - Outra?! Qual outra? - Tu recebeste dinheiro do banco e, como sabes que não é teu, preocupas-te em pagá-lo. Mas também recebestes dois braços, duas pernas, uma cabeça e um coração, recebestes um chão para pisar, ar para respirar, comida para comer, uma família que te ama, uma carreira e amigos. Um dia recebestes tudo isso, sem saberes de onde, e um dia tudo te vai ser tirado, tal como no dinheiro do banco. A situação é exactamente paralela. Porque ...