O call center de São Bento

António Barreto
DN 20151207

É tão estranho! Que terá dado aos deputados e ministros para terem mandado instalar computadores diante dos seus lugares, no hemiciclo do Parlamento e na sala de reuniões do Conselho de Ministros? À primeira vista, parecem salas de um call center ou de corretores de bolsa: umas cabeçorras espreitam por cima de um computador.
Tentei perceber por que fazem isto. Facebook? Wikipédia? Jogos? Pordata? YouTube? Pornografia? À distância, só se percebe que os ecrãs não têm as mesmas imagens. Tentei ver se algum deputado estava a ver coisas estranhas. Não tive sorte. Devem estar prevenidos para os visitantes nas galerias, donde se vê tudo.
No princípio, eram só deputados. Eis senão quando também os governantes se colocam com ar inteligente diante dos monitores! Ninguém terá pensado que podiam baixar os tops das máquinas, para que se lhes veja a cara. Ou então, para que se não veja a publicidade que vem nas costas dos tops (chama-se a isso product placement e é proibido...). Serão os nossos deputados e governantes saloios? Novos-ricos? Adolescentes do género boys love toys? Serão os vendedores de informática especialmente convincentes?
Fui ver fotografias de parlamentos do mundo. Duas ou três dúzias. Ninguém usa tal parolice! Alemanha, Angola, Brasil, Coreia do Sul, Espanha, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Polónia, Rússia, Nações Unidas e Conselho da Europa... Ninguém! Nenhum!
Se alguém julgou que, com estes brinquedos, os deputados trabalhariam mais, estudariam mais ou teriam ar mais inteligente, fez simplesmente troça deles.
Engraçado é o facto de, nas últimas semanas, a maquinaria de informática do Parlamento ter sido posta duas vezes à prova, na contagem dos votos das moções de rejeição. Das duas vezes deu asneira. Foi preciso pedir aos senhores deputados para se levantarem e sentarem diante dos seus maravilhosos e inúteis computadores e coloridos comandos
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