segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Os presidentes que podem e os que não podem

Raquel Abecasis
RR online 30 Out, 2015
Ao actual Presidente não são permitidas opiniões, deve ser o escrivão do regime, abster-se de opiniões pessoais e compreender que a esquerda é quem mais ordena e, se por acaso não concorda, cale-se!

Em Portugal, há dois tipos de Presidentes, aliás, há dois tipos de políticos: os que estão autorizados a ter opinião e os que não estão. É uma concepção de democracia enviesada pelos traumas da ditadura e que leva a que só a esquerda possa dizer tudo o que lhe passa pela cabeça sem que o “status quo” nacional se sinta ofendido.
Em Portugal, houve um Presidente da Republica que se recusou a dar posse a um governo com apoio maioritário no Parlamento, porque, apesar de se tratar do seu partido, o Presidente entendeu que quem tinha que tomar posse era o partido que tinha ganho as eleições com maioria relativa. Foi Mário Soares, que rejeitou uma aliança maioritária PRD/PS em favor de uma maioria relativa do PSD de Cavaco Silva.
Em Portugal, houve um Presidente que deitou abaixo um governo com maioria no Parlamento, em circunstâncias duvidosas e de acordo com critérios subjectivos (“Um conjunto de episódios que toda a gente conhece”), e o país aplaudiu.
Alguém ouviu críticas a estes Presidentes? Não.
Mas ao actual Presidente não são permitidas opiniões, deve ser o escrivão do regime, abster-se de opiniões pessoais e compreender que a esquerda é quem mais ordena e, se por acaso não concorda, cale-se!
O pior é que, como no antigo regime, todos querem estar do lado do poder e, portanto, mesmo quem não discorda do Presidente acha que lhe fica bem refugiar-se em frases como: Cavaco Silva tem pouco tacto político, Cavaco Silva é desastrado nos seus discursos, que dão sempre mau resultado, e outras frases bem aceites pela corte que dita a moda da opinião em Portugal.
Eu, pela minha parte, que até sou insuspeita de simpatizar com o actual Presidente, acho que ele tem não só o direito como a obrigação de alertar os portugueses – que, maioritariamente, por duas vezes votaram nele –dos perigos que corremos com esta aventura de um governo apoiado pela extrema-esquerda, que discorda da nossa adesão à Europa e das nossas alianças internacionais.
Ah, já agora, também acho que no fim desta triste história, se não houver bom senso, o Presidente como é seu dever dará posse ao tão ansiado governo Costa/Catarina/Jerónimo.
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