Da Caixa à cova

Luciano Amaral
Correio da manhã 27.06.2016 01:45 

A Caixa Geral de Depósitos foi o banco mais imprudente dos últimos anos. 
A factura da Caixa Geral de Depósitos continua a agigantar-se: agora já se fala numa recapitalização de 5 mil milhões de euros (e, à boca pequena, até há quem aponte para mais). Se a isto juntarmos as recapitalizações e ajudas do passado próximo, chegamos a um valor que ultrapassa o resto dos desastres bancários todos juntos. Tanta coisa sobre a imprescindibilidade da Caixa para "regular o sistema financeiro" e afinal foi o banco mais imprudente dos últimos anos. Uma reportagem de Cristina Ferreira no jornal Público de há uns dias revelou um quadro verdadeiramente terceiro-mundista de créditos desastrosos, dados sem as garantias adequadas, num corrupio de promiscuidade degradante. Sejamos claros: a existência de um grande banco público como a Caixa Geral de Depósitos não corresponde a nenhuma necessidade financeira ou económica, mas a uma necessidade política. Nomeadamente, a necessidade política de distribuir cargos e de dar crédito a projectos próximos do poder governamental. O que essa reportagem mostra é como, no seu formato actual, a Caixa é uma instituição sobretudo perniciosa, contribuindo para o atraso económico de Portugal. O problema do sistema financeiro português não está na existência ou não de um grande banco público. Está na existência ou não de bancos (públicos ou privados) que sejam sólidos e cumpram critérios de prudência. Para que não venham a pesar na bolsa do contribuinte anos depois de feitas as asneiras. O estado comatoso em que se encontra o sistema bancário seria uma oportunidade para um Governo forte impor uma reforma duradoura, se necessário com apoio da União Europeia. Não parece ser o PS, mais o PCP e o BE (que pelos vistos estavam prontos a enterrar cinco mil milhões na Caixa sem sequer perguntar porquê), que a vá fazer. Mas, para sermos justos com eles, também não parece que sejam o PSD e o CDS.
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