Um mundo maravilhoso

António Barreto
DN 20160508

Não nos podemos queixar. Vivemos tempos fascinantes num mundo maravilhoso. Nem sempre pelas boas razões, umas vezes sim, outras não. Verdade é que, com tanto mal que nos ocupa o espírito, preenche as páginas dos jornais e toma conta dos tempos de antena, nem nos damos conta da beleza do mundo. Ou das suas surpresas. Nem dos pretextos que nos oferece para sorrir.
Em Havana, Cuba, depois do Papa Francisco, do presidente Obama e dos Rolling Stones, chegou a vez da Chanel. Com alguns dos mais bonitos modelos do mundo, Karl Lagarfeld presidiu, no Paseo del Prado, a um monumental desfile de moda, como já não se via há mais de cinquenta anos. A passagem de modelos teve lugar ao ar livre, só por convite.
Neste fim-de-semana, reúne-se em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, o sétimo congresso do Partido Comunista. Já não havia congressos há 36 anos, recorde de todas as ditaduras de esquerda e de direita! A cidade vive em estado de mobilização há mais de dois meses. Desde as cinco da manhã, os altifalantes públicos começam a despejar, pelas ruas da cidade, apelos ao trabalho e músicas patriotas. Durante os trabalhos do congresso, estão proibidos os casamentos e os funerais.
Donald Trump, candidato da sociedade civil, sem máquina partidária, está praticamente designado como candidato republicano às presidenciais. Depois de vencer no estado de Indiana, os seus rivais desistiram e já quase não há obstáculos a que este racista, xenófobo, machista, homofóbico e autocrata seja definitiva e oficialmente o candidato republicano. Terá provavelmente Hillary Clinton como adversária democrata.
Em Londres, uma das mais importantes cidades cristãs do mundo, realizaram-se eleições para o cargo de mayor. Concorriam o muçulmano trabalhista de origem paquistanesa Sadiq Khan e o judeu conservador de origem alemã Zac Goldsmith. Venceu o trabalhista, que assim sucede a Boris Johnson, conservador, candidato a líder do partido e uma das principais figuras do brexit, movimento que pretende que o Reino Unido saia da União Europeia.
Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados brasileira, um dos carrascos da presidente Dilma, arguido e investigado em casos de corrupção ligados à Lava-Jato, foi suspenso das suas funções pelo Supremo Tribunal Federal. Parece que um dos motivos era a forte probabilidade de ele vir a ser presidente substituto, no caso de Dilma ser afastada. Tal hipótese foi agora posta de parte.
Estão praticamente suspensas, em todo o caso interrompidas, as negociações entre a União Europeia (desconcertada, a negociar em fraqueza) e os Estados Unidos (agressivos, a negociar em força), relativamente à Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP).
Contra a opinião dos sindicatos e dos pequenos partidos de esquerda, o primeiro-ministro francês, o socialista Manuel Vals, insiste em fazer aprovar, no Parlamento, uma lei que flexibiliza os regimes laborais e reforça os poderes dos acordos de empresa que poderão sobrepor-se aos regimes gerais e aos contratos colectivos.
Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE, Banco Central Europeu, continua a recusar prestar esclarecimentos ao Parlamento português, insistindo em que o faria apenas ao Parlamento Europeu.
Nos quatro meses de actividade, depois da tomada de posse, o governo português já nomeou, sem concurso, 275 dirigentes e altos funcionários do Estado.
O Presidente Marcelo quer repensar e rever o Acordo Ortográfico. O governo não quer uma coisa nem outra.
O primeiro-ministro António Costa inaugurou neste fim-de-semana o túnel do Marão, um dos maiores da Península Ibérica, assim como mais um troço (Amarante a Vila Real) da auto-estrada do Porto a Bragança. António Costa convidou José Sócrates a assistir à inauguração.
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