"National Geographic" dedica edição a Maria, «a mulher mais poderosa do mundo»

SNPC, 20151206
Maureen Orth, correspondente especial para a revista "Vanity Fair" que escreveu sobre ícones musicais, líderes mundiais e celebridades de Hollywood, lidou com um assunto completamente diferente para a edição norte-americana do magazine "National Geographic": a Virgem Maria.
Para a história de capa de dezembro, "Maria: A mulher mais poderosa no mundo", Orth visitou vários países e entrevistou dezenas de pessoas com fortes laços devocionais à Virgem, incluindo algumas que afirmam terem-na visto, outras que acreditam que a sua intercessão as curou, e também quem procura a sua orientação espiritual e intercessão.
«Foi uma longa viagem por todo o mundo», afirmou a jornalista, referindo que o que particularmente se destaca após um ano a visitar lugares devocionais marianos na Bósnia-Herzegovina, França, Egito e Ruanda é que Maria é a «esperança e consolação de muitas pessoas, incluindo muçulmanos».
A apreciação dos muçulmanos relativamente a Maria, como uma «mulher sagrada de Deus», disse Maureen Orth ao "Catholic News Service", «é uma ponte que deveria ser explorada», especialmente neste tempo de conflitos violentos causados pelo extremismo religioso.
Orth, católica praticante que certamente conhecia Maria antes desta reportagem, contou que aprendeu muito ao falar com peritos académicos e a ler textos de autores místicos, mas essas observações não constam no artigo.
Após o périplo, a jornalista adquiriu uma «relação mais pessoal» com Maria do que intelectual, compreendendo a mãe de Jesus mais como pessoa, após ter falado com tantos devotos.
A reportagem foi também uma oportunidade para Orth testemunhar a profunda fé de muitos que viajaram longas distância para estar onde se afirma que ocorreram aparições de Maria.
Um dos locais em foco no artigo é Medjugorje, na Bósnia-Herzegovina, onde seis crianças dizem ter visto Maria pela primeira vez em 1981, o que, segundo elas, continua a acontecer. O Vaticano continua a estudar o seu testemunho.
Noutra pequena povoação, Orth visitou em novembro quatro vítimas de cancro: duas morreram desde então, uma continua em tratamento e outra não mostra sinais da doença. Todas falaram de conversões espirituais e paz interior.
Um homem de 59 anos, de Boston, EUA, relatou a Orth que em 2000 um dos visionários de Medjogorje rezou com ele pela cura do cancro que lhe dava apenas meses de vida. Durante a oração, ele sentiu uma sensação de calor no corpo. Quando regressou a casa, uma semana depois, um exame no hospital revelou que os seus tumores tinham praticamente desaparecido. Desde então, voltou 13 vezes ao local das aparições.
Os editores da revista questionaram, à margem da reportagem: «Porque é que ocorrem milagres a algumas pessoas e não a outras?». Orth, que não tem resposta para essa pergunta teológica, refere o desafio de explicar temas espirituais numa revista científica.
Uma das paragens mais inspiradoras para a jornalista, principalmente porque até então a desconhecia, foi em Kibeho, no Ruanda, onde Maria terá aparecido a três raparigas em 1980, anunciando o genocídio que aconteceu no país em 1994.
Em 2001, o Vaticano verificou o testemunho das jovens. Uma tinha sido morta no genocídio, outra tornou-se monja em Itália, e a terceira fugiu para a República Democrática do Congo, e depois para o Quénia, durante os três meses em que a maioria hutu atacou a minoria tutsi, causando mais de 800 mil mortos.
As raparigas, escreve Orth, «disseram que passaram horas incontáveis em conversas com a Virgem, que a si própria se chamou Nyina wa Jambo, Mãe do Verbo. Maria galou tantas vezes com as raparigas que elas lhe chamavam "mamã"».
A par de ter falado do amor de Jesus e ter dado às jovens conselhos maternais, Maria, referem, mostrou-lhes imagens do céu, inferno e purgatório, bem como horríveis imagens do genocídio que ela advertiu que poderia acontecer se os ruandeses não renovassem os seus corações e afastassem o diabo.
Todas as pessoas que nas entrevistas falaram das aparições pareceram genuínas a Orth, que a elas se apresentou como jornalista de investigação. As suas histórias foram consistentes ao longo dos anos e foram objeto de extensos questionamentos por parte do Vaticano.
Orth realçou que muito pouco se sabe de Maria a partir da Bíblia, mas como o artigo revela, a falta de detalhes não impediu as pessoas de se dirigirem a ela em oração e devoção enquanto forma de melhor compreender e se aproximarem de Deus.
«Rezar pela intercessão de Maria e a ela ser devotado são um fenómeno global. A noção de Maria que intercede a Jesus começou com o milagre do vinho, no casamento de Caná, quando, de acordo com o Evangelho de João, ela lhe diz "não têm vinho", desencadeando o seu primeiro milagre», explica o texto, que menciona Fátima como santuário mariano.
A jornalista esclarece que foi no ano 431, no terceiro concílio ecuménico, em Éfeso, que Maria foi oficialmente denominada "Theotokos", "Portadora de Deus". «Desde então nenhuma outra mulher tem sido tão exaltada como Maria», tradição que chega ao papa Francisco, que quando foi interrogado sobre o que para ele significa a Virgem, respondeu: "Ela é a minha "mamá"».
Maria «inspirou a criação de muitas obras-primas da arte e arquitetura (a "Pietà" de Miguel Ângelo, a catedral de Notre Dame), bem como poesia, liturgia e música (as "Vésperas para a Bem-aventurada Virgem, de Monteverdi). E ela é a confidente espiritual de biliões de pessoas, não importa o quão isoladas ou esquecidas estejam».
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