quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Febre

DESTAK | 30 | 01 | 2013   22.42H

João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt
Portugal colocou com sucesso uma emissão de dívida a cinco anos no mercado. Este tinha sido o sintoma a deflagrar a crise em abril de 2011, quando os mercados se fecharam à dívida pública portuguesa. Por acaso isso acontecera realmente mais de um ano antes, só que o Governo tinha conseguido disfarçar, impingindo dívida pública aos bancos nacionais. 
É espantoso notar que no final de 2009 as dívidas do Estado eram em 73% compostas por títulos e obrigações e apenas 11% em empréstimos. Nos últimos dados dos fins de 2012 essas percentagens são 50% e 39% respetivamente. Este é o efeito da crise.
E agora? Agora nada! Portugal está como um doente cuja febre alta o levou ao hospital, e quando lá chegou, foi-lhe diagnosticado um cancro. Ao fim de alguns dias, graças aos analgésicos, a febre conseguiu baixar, eliminando o sintoma que tinha motivado a ida ao médico. 
Foi isso que aconteceu quando voltámos aos mercados. Mas já está marcada a cirurgia para cortar permanentemente os 4 mil milhões de euros à despesa pública. Se, feliz com a redução da febre, alguém achar que o doente vai sair com alta, irá ter uma grande desilusão. 
A febre não é doença mas, como mercados fechados, só um sintoma.

Entrada para o recinto da Basílica do Santo Sepulcro



Capela dos Cruzados no Santo Sepulcro



Santos do dia do mês de Janeiro (...)



Rocha do Gólgota



Via dolorosa



Mapa de Jerusalém

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

15.ª Catequese do Ano da Fé - Creio em Deus-Pai Todo Poderoso

15CatequsedoAnodaFé by

Henrique Leitão entra para clube restrito de historiadores de ciência

Teresa Firmino
Público 30/01/2013 - 10:52
Eleição para Academia Internacional de História das Ciências põe fim a mais de meio século sem que um historiador português tenha tido esta distinção.

Há mais de 50 anos que nenhum português era eleito membro efectivo da Academia Internacional de História das Ciências, com sede em Paris. Essa ausência foi colmatada agora, com a entrada, para esse clube restrito de historiadores de ciência, de Henrique Leitão, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), noticiou o site desta instituição.
Aos 48 anos, Henrique Leitão, que começou por se doutorar em Física em 1998 na FCUL e depois se mudou para a História da Ciência, tem no currículo a autoria e edição de mais de 15 livros. A coordenação científica da publicação das obras de Pedro Nunes – iniciada em 2002, quando se comemoraram os 500 anos do nascimento do matemático – é uma das suas principais ocupações. Desde 2002 que a História da Ciência o ocupa a tempo inteiro.

Já estão publicados, pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Academia das Ciências de Lisboa, os seis volumes com todas as obras impressas daquele que é considerado o matemático mais importante da história portuguesa. Agora, diz Henrique Leitão, de Pedro Nunes só faltam os manuscritos e documentos biográficos. "Finalmente, as obras de Pedro Nunes estão todas editadas."

O que significa esta eleição, no final de Dezembro, para a Academia Internacional de História das Ciências, criada em 1927-1928? "É uma das associações de historiadores de ciências mais respeitadas e é honroso ter esse reconhecimento. Qualquer cientista gosta de ser apreciado pelos mais respeitados", responde Henrique Leitão, que já era, desde há alguns anos, membro correspondente daquela academia.

Esta distinção não era recebida por um historiador português desde a eleição, como membros efectivos, de Armando Cortesão, em 1947, e Joaquim de Carvalho, em 1957.

A história das ciências exactas nos séculos XV a XVII, desde a Matemática e a Astronomia até à Física, está entre os principais interesses científicos de Henrique Leitão, que é um dos fundadores, na FCUL, do mestrado de História e Filosofia das Ciências.

Igreja da Agonia - Getsemani

Vigiai e orai para não cairdes em tentação

Jerusalém ao fim da tarde vista do Dominus Flevit



Dominus Flevit



Gruta de Getsemani, dos apóstolos ou da traição



Cenáculo

Fazei isto em memória de Mim

Basílica da Dormição



Muro ocidental do Templo - Jerusalém

Não ficará pedra sobre pedra

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Educar a confiança

JOÃO CÉSAR DAS NEVES
DN, 28 janeiro 2013

A confiança é uma das coisas mais frágeis, mais belas e mais indispensáveis da vida. É tão difícil ganhar a confiança! É tão fácil perder a confiança! É tão necessário ter confiança! Uma relação sólida entre duas pessoas, dentro de um grupo ou, melhor, em todo um povo, é algo maravilhoso e precioso. Só que uma vez quebrada, dificilmente recupera.
Vivemos neste momento, em Portugal e no mundo, um episódio de ruptura da confiança. Os sistemas em que nos baseávamos, as promessas que nos fizeram, as decisões que tomámos, as esperanças que tínhamos foram abalados. A cada passo vemos pessoas desiludidas, desanimadas, ofendidas, enfurecidas. Não é preciso perguntar porquê.
Tudo isto é compreensível e natural e repetiu-se ao longo da história. Hoje notamo-lo mais, precisamente porque nos últimos tempos estas crises são menos frequentes, o que torna cada uma mais notória. Antes eram habituais. O surpreendente sempre não é que aconteçam, mas que sejam raras. Afinal, a confiança é tão frágil que admira que vivamos longos períodos de estabilidade e serenidade, sempre inevitavelmente interrompidos. Esta longa experiência de crises de confiança ensina-nos várias coisas acerca delas. Dois dos traços mais graves são o exagero e a distorção.
Quem perde a confiança costuma ter a atitude comum, mas muito prejudicial, de empolar e generalizar a suspeita. Tendo sofrido um choque que rompeu a fé que tinha em algo ou alguém, é normal desanimar e desconfiar de tudo e de todos. Existe aqui uma inversão de atitude. De facto, a quebra nas certezas segue-se normalmente a um período de excesso de credulidade, em que se colocou a esperança em coisas que não o mereciam. Rompido o laço em relação às forças que falharam, é costume querer largar, ou pelo menos suspeitar, de todas as outras.
Esse exagero derrotista é sumamente irracional. Pode ser compreensível, mas só leva à autodestruição. Ninguém consegue sobreviver desconfiando de tudo aquilo que o rodeia. O desespero só conduz à morte. Após uma forte desilusão, é indispensável que se faça um esforço adicional de serenidade e discernimento. Não é fácil, mas isso impõe-se, para evitar cair em novos logros, exagerando em sentido oposto e começando a desprezar aquilo que merece respeito.
É indiscutível que as decisões políticas e económicas das últimas décadas tiveram fortes erros e enviesamentos e nos trouxeram à dívida, recessão, desemprego, pobreza e tratamento de emergência. Compreende-se o sofrimento, a dúvida, a raiva. Mas isso não é razão para suspeitar de Portugal, da democracia, dos nossos valores e cultura. Nem sequer podemos dar-nos ao luxo de duvidar dos partidos, empresas, bancos e mercados que temos. Simplesmente porque não há alternativas. A fúria é má conselheira, e arrasar o que nos rodeia descarrega os nervos, mas agrava o problema, sem resolver nada. Os povos que vencem são os que na crise mantêm confiança no essencial.
O segundo vício comum é desviar as suspeitas dos verdadeiros culpados para inocentes próximos. Pode parecer estranho, mas é frequente que os principais responsáveis pelo mal acabem incólumes enquanto, no meio da turbulência, o tempo vai desviando a desconfiança. Afinal aqueles que geraram a desgraça actuaram antes, quando as coisas ainda estavam calmas. Depois, logo que a tempestade desaba, costumam sair de cena, deixando outros carregar as culpas.
O caso português é uma excelente ilustração. Impressiona ver Passos Coelho e António Seguro serem zurzidos por cá, enquanto António Guterres, Durão Barroso e até José Sócrates estão no estrangeiro a polir a sua imagem, preparando-se para o regresso a posições de influência. O mais espantoso é que são capazes de conse- guir. Mais ou menos, são eles os verdadeiros geradores da situação de 2011, quando chegaram os actuais líderes do PSD e do PS, claramente inocentes.
Viver num clima de confiança quebrada é muito difícil, mas é então que se vê a fibra de um povo. Em épocas como esta é mais penoso, mas também mais urgente, ter serenidade e confiança.

Jerusalém - Muro das lamentações



Jerusalém - Porta de Sião



Os nossos passos se detêm às tuas portas Jerusalém



Deserto da Judeia

Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito

Baptismo de Jesus

Este é o Meu Filho muito amado em Quem pus toda a Minha complacência

Multiplicação dos pães e dos peixes



Apascenta as minhas ovelhas



Tabgha - Lugar do Primado de Pedro

Tu amas-Me?

A pergunta central da moral cristã

Descida ao longo do Jordão



sábado, 26 de janeiro de 2013

Monte Tabor



Monte do Precipício



Basílica da Encarnação (Nazaré)

Aqui o Céu entrou na terra. O divino entrou no humano

Sobre os sacrifícios

  Inês Teotónio Pereira , i-online em 26 Jan 2013

Os meninos não querem nem saber e nunca irão agradecer o esforçoe o sacrifício dos pais para conseguirem "o melhor" para os filhos


Os pais têm a mania bastante irritante de fazer sacrifícios pelos filhos. Desde o dia em que eles nascem que os pais se transformam em sacrificados, em mártires mesmo. E muito mais sacrificados ou mártires que um santo na altura da Quaresma. É que nós os pais não nos ficamos por sacrifícios pequeninos, como deixar de fumar ou deixar de comer doces. Fazemos muito mais do que isso e não o fazemos apenas durante 40 dias mas durante uma vida inteira. Os pais, mal os filhos nascem, fazem sacrifícios como deixar de dormir, de comer como deve ser, de se divertirem, de saírem, de viajarem, de ter sossego, de lerem, etc. Transformam-se numa espécie de sacerdotes dos filhos.
Tudo bem, são opções, apesar de me parecerem genericamente excessivas. Mas o pior é que mais cedo ou mais tarde vem a cobrança: "Ah, eu sempre me sacrifiquei pelos meus filhos. Sempre trabalhei para lhes dar o melhor e durante anos não dormi… E as minhas costas? Nunca mais saí à noite. O que eu passei com aquele miúdo, noites e noites a estudar matemática com o desgraçado. E agora… agora nem o vejo!"
Pois eu sou contra os sacrifícios pelos filhos. Os filhos não merecem nem querem sacrifícios dos pais. Eles nem os distinguem, nem sabem o que isso é. Se os pais se esgatanham todos os dias para que o menino tenha roupa de marca, coma bifes de lombo todos os dias ou ande numa escola privada, o problema é dos paizinhos. Se os pais deixam de sair porque o menino chora e "não fica com estranhos", azar dos desgraçados dos pais.
"Mas é o melhor para eles e nós temos a obrigação de lhes dar o melhor." Como? Obrigação? O melhor? Nada disso. Nós temos a obrigação de os educar de forma a eles descobrirem todas as capacidades que têm e de assumirem a sua autonomia com segurança. E isto já é muito. Muito mesmo. Quanto ao melhor, tenho as minhas sérias dúvidas. Melhor quê? Melhor escola em que aspecto? Melhor roupa para quê?
Os meninos não querem nem saber e nunca irão agradecer ou retribuir o esforço e o sacrifício dos pais para conseguirem "o melhor" para os filhos. E o defeito não é deles, isso não quer dizer que sejam injustos, ingratos ou egoístas, quer apenas dizer que são filhos. E os filhos, por definição, partem do princípio lógico de que os pais fazem o que têm de fazer por eles. Os pais é que sabem o quê, com que esforço, porquê, etc. Os filhos apenas navegam na onda que aparece. Não questionam, não avaliam, não reclamam e só exigem aquilo a que foram habituados, tipo vício. Acham com razão que os pais são suficientemente crescidinho para medirem o esforço/prejuízo/benefício. Quem são os filhos para interferirem numa avaliação tão complexa quanto esta?!
Ora esta avaliação, na minha modesta opinião, deve partir de um princípio: os pais têm obrigações a cumprir com os filhos e devem estabelecer prioridades. Mas essas obrigações e essas prioridades devem ser proporcionais ao bem-estar dos próprios pais. Se cumprir as ditas prioridades transforma a nossa vida num calvário, mais vale ajustá-las. Porque o melhor para os filhos é sem dúvida terem pais felizes e minimamente descontraídos. Nem que isso custe menos regalias ou menos conforto para os meninos. Isso sim, eles agradecem.

Viva a Pepa!

Gonçalo Portocarrero de Almada, i-online em 26 Jan 2013
Quando a Pepa decidiu publicar na blogosfera algumas impressões sobre 2012 e os seus desejos para o novo ano, meio mundo sentiu-se indignado.

Não conheço a protagonista das controversas declarações e que é certamente uma óptima pessoa. Mas esta sua prestação foi deveras caricata. Que alguém confidencie publicamente umas quantas banalidades é, com efeito, censurável. A sua própria inconsciência em relação às previsíveis consequências desta sua futilidade é também significativa. Como digna de reparo, a sua aparente insensibilidade social, expressiva da vacuidade ética que abunda entre muita gente miúda e graúda.
De todos os modos, sem querer justificar o injustificável, nem assumir a defesa oficiosa da infeliz jovem, cuja reputação não está em causa, importa sublinhar que o seu discurso, não obstante a sua ligeireza, é muito mais potável do que o palavreado de muito boa gente, mais ou menos intelectual, que por aí pontifica impunemente. Se a Pepa, em vez de bloguista fosse bloquista, e tivesse feito uma declaração politicamente correcta advogando, por hipótese, a igualdade de género, a liberalização das drogas, o aborto livre ou a eutanásia, é certo e sabido que as suas palavras teriam suscitado, na opinião pública e nos meios de comunicação social uma reacção menos negativa. Ora tais propostas, como muitas outras que por aí circulam livremente, são bastante piores e sobretudo muito mais nocivas em termos sociais do que as suas tolas mas inocentes declarações sobre o ano transacto e as suas pueris mas inofensivas expectativas para este novo ano.
Seguramente a Pepa não é nenhum Einstein, nem uma nova Teresa de Calcutá. Mas também não é porta-voz de nenhuma aberração social, ao contrário de muitas mentes brilhantes que, não obstante a monstruosidade objectiva das suas teses, beneficiam da complacência pública e da benevolência dos comentadores.
Bem vistas as coisas, antes a Pepa!

Somos pobres entre pobres

José Luís Nunes Martins, i-online em 26 Jan 2013
"Embora alguns, trocando o real pelo aparente, julguem que têm mais valor do que aqueles que lhes pedem esmola"
;
Grande é a riqueza daquele que abdicou do desnecessário. A verdadeira pobreza talvez seja a dependência que tanta gente tem em relação às suas coisas, aos seus bens, impedindo-se assim de ser livres, prendendo-se por sua vontade ao fútil e temendo, a cada dia, perdê-lo... como se a essência da vida fosse o aparente.
Os pobres são pessoas pacientes. A sua capacidade de acreditar num futuro melhor é a força que lhes ilumina a espera, tornando-os dignos de toda a admiração – mesmo por todos aqueles que querem tudo e... já.
Quando se experimenta uma vida mais austera é com alguma surpresa que se começam a descobrir belezas e prazeres mais puros, mais simples, capazes até de nos fazerem sentir bem melhores do que quando experimentávamos o requinte das ostentações.
É certo que hoje há cada vez mais gente que não tem dinheiro para garantir o essencial, com fome e frio, sem medicamentos, pessoas sempre sós... porque as dores mais profundas não se partilham. Caberá a cada um de nós, a mim que escrevo e ao leitor que lê, ajudar. Nunca conseguiremos ajudar todos os que precisam, mas que isso não nos sirva de desculpa para não ajudarmos ninguém.
É importante ter consciência que um pobre não é, em nada, menos digno que qualquer outro ser humano. Existe, por vezes, uma perversa identificação entre a pobreza e a marginalidade, e entre esta e a maldade. Talvez um certo complexo de culpa pela exclusão dos que nos são iguais.
Perante a pobreza porém, assumimos normalmente o lamento mas não a culpa da situação. Mas, será que somos assim tão inocentes?
Quantas vezes terei eu deixado de fazer o que me cabia quando uma pessoa amiga foi vítima de uma qualquer desgraça, ou infortúnio, e preferi seguir a minha vida como se nada tivesse acontecido, com o secreto argumento que devia concentrar as atenções em mim e nos meus?
Mas quando formos nós a cair em desgraça, e trata-se talvez de uma simples questão de tempo, aqueles que mais provavelmente nos ajudarão são esses mesmos – aqueles que ignorámos – esses de quem nos julgávamos distintos... esses que, com menos que nós, nos estenderão o pouco que têm, porque afinal eles, mais do que qualquer outros, conhecem a natureza da carência. Sabem o valor de uma moeda, de um pedaço de pão, da paz que se sente quando há alguém que nos quer mesmo escutar, do carinho que um sorriso é capaz, do valor da paciência e da partilha que são precisas para enfrentar a dureza da vida...
São pois os pobres que mais ajudam os pobres, com a simplicidade de nada esperar em troca... ao invés de tantos outros que cobram agradecimentos pela mais ínfima simpatia.
Da privação não resulta necessariamente o pessimismo, antes uma sensata consciência de que há que esperar por melhor condição; que tudo é realmente transitório; e que a cada dia cabe a sua própria preocupação... Afinal, ninguém tem o futuro assegurado.
É preciso escolher bem a fim de sermos livres, dizer não a tudo o que nos prende.
Neste sentido, somos todos pobres. Embora alguns, trocando o real pelo aparente, julguem que têm mais valor do que aqueles que lhes pedem esmola.
A pior das misérias é a falta de humildade.
Aqueles que carregam as insignificâncias a que chamam riqueza ficam sempre demasiado pesados para voar.
Aceitar serenamente a pobreza essencial da nossa existência eleva-nos – e leva-nos a Deus.

Tiberíades

O mesmo nascer do Sol que Jesus viu

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Telavive

Com transbordo em Bruxelas, demoramos cerca de nove horas de Lisboa à capital de Israel. Impressiona pensar os meses que Godofredo de Bulhão terá demorado a chegar. Contudo, apesar de a tecnologia nos fazer poupar tanto tempo, andamos sempre tão mais apressados

The new (old) Catholic Church

By Ashley McGuire
Washington Post, January, 25, 2013

On the Feast of the Holy Family, I went to Mass in my hometown's Cathedral in Colorado Springs – a town many refer to as the "Evangelical Mecca." The pews were full of Hispanic couples in their 20s and 30s, children tottered about in the aisles, and the baby-faced Mexican priest firmly admonished everyone in Spanish to obey Pope Benedict's call to Catholics to hold fast to traditional family life.
Not long before that, I walked past the Catholic Information Center on a chilly, dark D.C. evening. Nestled amid the country's most powerful lobbying firms on K Street, darkened for the night, the brightly lit bookstore was filled with young Catholics in suits sipping wine and flocking around the evening's speaker, the head of a prominent think tank.
And Friday in Washington, D.C., tens of thousands of young Catholics in North Face and sneakers who have travelled in from all over the country will mark the fortieth anniversary of Roe v. Wade by marching against abortion on the national Mall.
Ladies and gentlemen, I give you The Great Catholic Awakening.
Pray, what do I mean?
The Great Catholic Awakening is a revival of Catholic orthodoxy among youth in the Catholic Church.
My generation of Catholics, men and women in their 20s and 30s, inherited a suffocating spiritual ennui inside the church and a culture of death, promiscuity, sadness, and fear outside her doors.
We were born into a world where millions of babies die of abortion annually, where countless more unborn babies are suspended silently in freezers, where we are told gender is random and marriage is amorphous and dissolvable.
We inherited hell on earth.
Some Catholics, like myself, are converts away from Protestantism, recognizing that the only institution in the world that has stood firm through the millennia on the most important social issues of the day is the Catholic Church.
Others grew up with rogue nuns, priests making up the liturgy, sex-abuse scandals, squishy bishops, etc.
And we've had enough.
But rather than walk away and embrace the hedonistic culture outside the church's doors, we paused. We paused and turned around. We planted our feet firmly, and we stayed.
Our numbers are small but we are true to church teaching and there is no denying that we are growing.
More conservative religious orders, for examples, are growing with young Catholics seeking a traditional religious life.
Speaking of record growth at the Washington, D.C. based Dominican House of Studies, Rev. Thomas Joseph White says:
"Young men entering seminary today are coming out of a secular culture and have often made a counter-cultural choice to be Catholic. Our house is receiving more vocations than at any time since the 1960's, and the men entering tend to be strongly supportive of the teachings of Pope Benedict XVI. They are interested in the recovery of more traditional forms of Christian belief and practice, but also in the evangelization of their peers."
Traditional nun-hood is also on the rise. A recent study conducted at Georgetown University's Center for Applied Research in the Apostolate found a clear demarcation in the spiritual outlook of millennial sisters and those that came before them. Of women born after 1982 entering religious orders, Sister Mary Bendyna, executive director of the center, noted:
"They're more attracted to a traditional style of religious life, where there is community living, common prayer, having Mass together, praying the Liturgy of the Hours together. They are much more likely to say fidelity to the church is important to them. And they really are looking for communities where members wear habits."
The study found that younger nuns entered religious life with positive attitudes about the church and authority and chose orders based on their fidelity to the church. It's not surprising then, as John Allen noted, that the liberal Leadership Conference of Women Religious has just one percent of female religious orders with more than ten sisters in formation versus 28 percent in the conservative Conference of Major Superiors of Women.
The National Catholic Reporter, a left-leaning Catholic publication admitted, "To put all this into a sound-bite, the next generation of religious will be more ethnically diverse and more traditional."
Young lay Catholics are returning to tradition as well. Mass attendance has been in a general state of decline among all age groups except among millennials, who have demonstrated a nearly ten percent increase in Mass attendance in recent years.
Not only are young Catholics increasingly more likely to attend Mass, they prefer more traditional practices and forms of the Mass.
Recently Georgetown University caved to student pressure and re-instated the Latin Mass, which features Gregorian chant and involves the priest facing away from the congregation as a sign of reverence to God and priestly humility. Speaking to the Georgetown Hoya of the change, Fr. Stephen Fields, S.J., suggested that the more traditional Mass is popular among young people. He said, "My assumption is that, in a world of constant [noise], [young people] find that the contemplative silence of the Extraordinary Form nourishes their lives of prayer."
Put more simply: We want less Kumbaya. More Panis Angelicus.
Young Catholics are also increasingly more open to and obedient to church teachings on moral issues such as contraception, abortion, and marriage.
In the wake of the Health and Human Services so-called "contraception mandate," many rushed to point to a Guttmacher Institute study which found that 98 percent of Catholic women use contraception.
Not only was the study widely rejected as faulty, but a study conducted in its wake at the Ethics and Public Policy Center found that the number of young practicing Catholic women (ages 18-34) who fully accept the church's teaching on contraception is more than double that of their older female peers.
Recently, Catholics have come under increasing pressure to comply with laws that violate their beliefs. Laws, for example, that would require them to pay for abortifacient drugs or adopt children to gay parents. There are some who may think that resistance to such laws may be waning with a new generation of young Americans who appear to be the least religious in recorded history. But young Catholics, lay and religious, defy that trend, suggesting that the culture wars are far from over.
So to those who will scoff at the crowds of youth-group kids on the Mall today, take note: We are the future. And we are on fire for Jesus Christ and his church.
Ashley E. McGuire is a senior fellow with the Catholic Association and editor of www.Altcatholicah.com.
By Ashley McGuire  |  12:10 AM ET, 01/25/2013

Como se chamam juízes que roubam filhos a uma mãe?

Henrique Monteiro
Expresso, Sexta feira, 25 de janeiro de 2013

A história é triste, revoltante e comovente. É uma história de pobreza e de violência judicial sobre os pobres. Passa-se em Sintra, onde um tribunal decide, em maio de 2012, retirar sete filhos a uma mãe, cabo-verdiana, cabeleireira desempregada. A Liliana, o seu nome, permitem-lhe ficar com as duas filhas mais velhas.
Na sentença, que deixou a mãe descoroçoada, mas sem saber o que fazer (ela nem sabia que ia para um julgamento, e eu entendo-a, porque às vezes até eu tenho dificuldade em perceber as cartas dos tribunais). Não há, na sentença, a prova de maus tratos, de um delito que seja. Pelo contrário, o acórdão reconhece que há afetividade entre os irmãos e entre mãe e filhos. Apenas se prova o que é evidente - que Liliana é pobre. Num assomo da mais pura desumanidade, a sentença refere que falta higiene que - meu Deus! - a luz chegou a estar cortada por falta de pagamento! E que há um quarto para cinco crianças! E que Liliana não laqueou as trompas e ainda teve mais filhos já depois de a família começar a ser acompanhada pela assistência social.
Isto é para lá do que Orwell escreveu no 1984. Para lá do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Isto é bárbaro! É grotesco! Há dias, recordei um livro de Jorge Luís Borges em que o protagonista, uma personagem que dirigira um campo de concentração durante o nazismo, faz a seguinte reflexão: "O impor­tante é que reine a vio­lên­cia, não as ser­vis timi­de­zes cris­tãs. Se a vitó­ria e a injus­tiça e a feli­ci­dade não são para a Ale­ma­nha, que sejam para outras nações". Não sei se o tribunal de Sintra partilha o ponto de vista...
Sei que gostava de ter um nome forte para chamar a quem rouba filhos a uma mãe que os ama e é amada por eles. Mas não me ocorre nenhum. Apenas espero que o processo não acabe aqui e que aqueles que não sabem o que é a família, o amor e a compaixão um dia peçam desculpa a Liliana

Mapa físico da Terra Santa


Em busca da transparência

Parto hoje para a Terra Santa, pelo que o Povo vai estar em peregrinação durante uns dias.
Levo-vos todos comigo no pensamento e na oração.
Aquela Terra é Santa porque nela se revelou o Mistério de que somos feitos. Por isso, entre as principais intenções que levo no coração, descubro hoje que o que mais devo pedir é esta profundidade de olhar, que torna a realidade transparente.
Um abraço com amizade do
Pedro Aguiar Pinto

Transparência

Podemos ver aquilo que nos rodeia como uma realidade opaca: um écran que está ali e não é mais do que isso. Mas há uma maneira de olhar o mundo, de vê-lo no seu conjunto e na sua profundidade, que torna a realidade transparente. Então cada coisa revela uma história, um sentido, um valor… Quando conseguimos olhar deste modo para o mundo sentimos que vale a pena viver.

NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS
365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê
Vasco P. Magalhães, sj
Edições Tenacitas
www.tenacitas.pt
http://www.facebook.com/edicoes.tenacitas

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Ser humano a sério é mesmo difícil

Dizia ontem que neste mundo comandado por máquinas, torna-se cada vez mais difícil ser humano. Mesmo quando não são máquinas a comandar, as mais elementares regras de humanidade deviam impedir a decisão do tribunal de retirar filhos à sua mãe que se recusou a ser esterilizada. Não é na China, é em Portugal!

Ser verdadeiramente humano é outro nível de preocupação. Não é usar discricionariamente o livre arbítrio como a cigarra, não é só também multiplicar-se em actividades por melhores que sejam, como a formiga, é mais ser como a abelha (ver aqui)

Meditar

Meditar a vida! A palavra "meditação", em grego, vem daquilo que faz a abelha: meléte, o laborioso trabalho para fazer mel. Mas há quem seja como a formiga que produz continuamente: lê livros, vê filmes, viaja pelo mundo, consome todas as notícias, mas não labora, não faz mel. É uma tentação comum ser como a formiga rica, que despreza a cigarra gaiteira. Mas a formiga não chega aos calcanhares da abelha.

NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS
365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê
Vasco P. Magalhães, sj

Edições Tenacitas
www.tenacitas.pt
http://www.facebook.com/edicoes.tenacitas

Retirar filhos a mulher que recusou laquear trompas “fere os mais elementares direitos humanos”

Público, 23/01/2013 - 15:26

Sete dos dez filhos de mulher residente em Sintra deverão ser entregues para adopção. Presidente da Associação de Famílias Numerosas diz que decisão "é estalinismo".
Numa carta aberta, a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) questionou nesta quarta-feira o Governo sobre se a "imposição da obrigação da esterilização" a uma mulher a quem foram retirados sete filhos foi uma "decisão infeliz" dos serviços ou se se insere nas "orientações políticas" actuais. "Mas que raio de tribunais é que nós temos? Os tribunais podem fazer uma coisa destas?", indigna-se o presidente daquela associação.
A APFN refere-se a um caso noticiado recentemente. O Tribunal de Sintra ordenou que fossem retirados a Liliana Melo sete dos seus dez filhos. A ideia é que as crianças, entre as quais dois gémeos de quatro anos, possam vir a ser adoptadas. Os menores "estão institucionalizados e sem contacto com os pais e irmãos", diz a APFN numa carta aberta dirigida ao primeiro-ministro e ao ministro da Solidariedade e Segurança Social.
"Estes filhos perderão, para sempre, a ligação aos seus pais e à sua família biológica", critica. A associação diz que o caso "fere os mais elementares direitos humanos".
A decisão judicial sustenta-se nas dificuldades económicas da família e no incumprimento, ao longo de anos, de algumas das medidas previstas no acordo de promoção e protecção de menores de que esta estava a ser alvo. Uma dessas medidas era que a mãe tivesse que provar que estava a ser acompanhada num hospital tendo em vista a laqueação de trompas. Mas esta nunca o fez. E, em 2010, o tribunal dava nota de que a progenitora persistia na rejeição à laqueação das trompas.
"Esterilização compulsiva"
O caso foi desencadeado pelo alerta de uma escola, em 2005. Uma das meninas, então com cinco anos, faltava frequentemente.
Em 2007 foi aberto um processo na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Sintra Oriental e o agregado passou a ser alvo de atenção. À mãe e ao pai, que estava quase sempre ausente, foi apresentada uma série de medidas que deveriam cumprir. Não há qualquer registo no processo a maus tratos aos filhos – fala-se, aliás, dos fortes laços na família. Mas regista-se desorganização da mãe, que não tinha emprego, falta de higiene, faltas a consultas e a reuniões com os técnicos, problemas com documentos, vacinas em atraso e... uma sucessão de gravidezes da mãe, por vezes não-vigiadas.
Em vários momentos do processo a não-laqueação das trompas é mencionada como uma das falhas no cumprimento, por parte da mãe, do acordo de protecção de menores.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da APFN afirmou que esta situação "é o cúmulo dos cúmulos" da "violência contra as mulheres".
"Nós queremos saber pela boca do senhor primeiro-ministro e do ministro responsável pela área da Solidariedade e Segurança Social se a política do Estado é a esterilização compulsiva das mulheres", disse Fernando Castro, considerando que esta é "única e exclusivamente uma prática de estados totalitários".
Apesar de ser uma decisão judicial, referiu que "foram técnicos da Segurança Social que impuseram a essa mulher a condição de 'ou faz laqueação de trompas, ou os seus filhos são-lhe retirados'".
"Mas que raio de tribunais é que nós temos? Os tribunais podem fazer uma coisa destas? […] Quem é que apresentou queixa? Que lei é que existe, e ao abrigo de que artigo da Constituição, que permite alguém pôr uma queixa deste género e o tribunal" tomar esta decisão?, perguntou. Esta decisão "é o mais inconstitucional possível, é estalinismo" e estas "normas não podem existir", defendeu.
Contactada pela Lusa, a presidente da Comissão de Protecção de Menores de Sintra Ocidental esclareceu que "a laqueação das trompas nunca pode ser uma imposição". "A laqueação das trompas é um acto médico e tem de ter sempre o consentimento da mãe", explicou Teresa Villas. Por outro lado, assegurou, "em Sintra nenhuma criança é retirada por problemas económicos".
O processo seguiu para tribunal porque a mãe "não cumpria rigorosamente nada" do acordo estabelecido com os técnicos. "É uma mulher que é resistente à intervenção, não ajuda os serviços em nada. Nós combinamos uma coisa com ela e ela faz outra, os miúdos continuam sozinhos em casa, entregues a eles próprios, arranja sempre uma ama, que nunca chegamos a conhecer", contou.
A sentença judicial determinou que as filhas mais velhas, menores, ficassem com a mãe, mas considerou que os mais pequenos, com idades entre os seis meses e os sete anos, estavam em risco. Foram retirados à mãe e deverão ser entregues para adopção.

O regresso

Pedro Lomba Público, 24/01/2013

Durante muito tempo, o Governo - e, em especial, o ministro das Finanças - foi prematuramente criticado por falhar o que ainda não tinha falhado: o objectivo do défice (mesmo cozinhado com receitas extraordinárias), a teimosa resistência em pedir qualquer alteração às condições dos empréstimos da troika, o regresso aos mercados da dívida pública. Eram críticas que se compreendiam em parte, até porque as suspeitas não eram as melhores, mas também mostravam a pressa com que os políticos são julgados.
É justo reconhecer que o regresso de ontem aos mercados da dívida pública, com grande procura externa, é um facto importante e um triunfo do ministro das Finanças, que aproveitou os resultados do défice, a "folga" dos pagamentos da troika e a bem-sucedida "boleia" do êxito da Irlanda para colocar dívida do Estado a um juro que, embora elevado, ficou abaixo dos 5%. Não ver isto, não querer ver pelo menos isto, em nome de duas ou três teorias da conspiração, achar que a agitação e a displicência perante os credores continuam a ser a nossa via-sacra, parece francamente irrealista e perigoso. Talvez se perceba agora que a conversa suave de Gaspar com Schauble, que há um ano tanto enfureceu alguns "patriotas", não era uma humilhação auto-infligida pelo homem. A Europa fez, de facto, a sua parte. O BCE ajudou decisivamente, e ainda pode ajudar mais. E Portugal recuperou, para já, alguma credibilidade externa, na expectativa de que o BCE venha ainda a ser mais generoso.
Mas, por outro lado, pensar que a confiança que, entretanto, foi possível readquirir nos mercados e na Europa significa que a austeridade e a reforma da despesa pública podem, de alguma maneira, abrandar, é não estar a ver o filme. Queira ou não o Governo, queira ou não o PS e as suas diferentes facções, nós vamos ter mesmo austeridade durante anos. Precisamos dela. Ninguém nos livra da necessidade de uma nova disciplina financeira que nos traga equilíbrio e fiabilidade. As coisas são o que são. Porque Portugal é o que é e tem as debilidades que tem. Não é a Irlanda, a Islândia ou a Espanha. E a solidariedade dos outros não é uma caixa ilimitada. Por isso, não se compreende que António José Seguro tenha vindo dizer que o Governo fez precisamente aquilo que o PS andou a propor desde o ano passado. O facto é que o Governo não pediu mais tempo à Europa para "ajustar" a austeridade que o PS tanto tem criticado. O Governo só pediu mais tempo para pagar os empréstimos da troika. É certo que a austeridade não é tudo, mas não se enganem: ela não acabou, nem irá acabar.
É preciso, portanto, perceber o que é, o que não é e o que não deve ser este regresso aos mercados. Para o país e para o Governo, é um sinal de que a credibilidade e a soberania financeira estão a ser recuperadas e de que o acesso ao financiamento passará a estar mais facilitado na economia. O que não é: um milagre, uma mudança na nossa situação financeira, que continua calamitosa, a certeza de uma saída feliz e a prova de que não seremos forçados a reestruturar a dívida. Por fim, que não se veja aqui um pretexto cómodo e ilusório para o Governo deixar de fazer as reformas do Estado que precisa. Este regresso não é, por muito que nos custe, o fim da austeridade. Nem pode ser o fim das reformas. Não é uma viragem. É só um começo.

Leis secas

DESTAK | 23 | 01 | 2013   22.56H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt

A«lei seca», proibição de bebidas alcoólicas nos EUA, foi aprovada com emenda da  Constituição (a 18.ª) a 16 de janeiro de 1919 e vigorou de 17 de janeiro de 1920 a 5 de dezembro de 1933. Como ia contra os hábitos generalizados da sociedade, não só não reduziu o consumo de álcool, mas gerou uma enorme onda de crime que financiou os bandidos durante décadas.
Dois anos antes o Congresso tinha aprovado uma outra «lei seca», só que nesse caso o vício eram os empréstimos governamentais. O teto máximo para a dívida pública foi estabelecido a 17 de setembro de 1917. O efeito foi igual, pois desde então o limite já foi aumentado cerca de cem vezes, oito das quais desde 2001. Aqui os bandidos também se continuaram a financiar.
Ambos os casos mostram como no vício a lei não atinge os objetivos. Os bêbedos nunca são controlados por estatuto. No álcool ainda houve o bom senso de eliminar a lei, aprovando nova emenda (a 21.ª a 5 de dezembro de 1933). 
Infelizmente, para os bêbedos de liquidez pública, a ficção de haver um limite ainda se mantém. Isso não só não restringe a dívida, mas cria enorme instabilidade financeira, incerteza política e chantagem parlamentar, como se vê estas semanas nos EUA.

Ser humano

Neste mundo comandado por máquinas, torna-se cada vez mais difícil ser humano. Vivemos em liberdade condicional, vigiados em todo o lado por essas pulseiras electrónicas que são os telemóveis.

Ao Santuário de Cristo-Rei foi concedida Indulgência Plenária Perpétua

Se há um dia dos Santos Inocentes logo a seguir ao Natal, o dia de ontem é também um dia de memória de tantos milhões de vidas no pensamento de Deus que nunca chegaram a pisar esta terra e que seguramente o louvam no Céu. Pedir-lhes pelas suas mães, para que consigam recuperar um dia a paz perdida é a oração do dia de hoje (ver aqui)


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

14.ª Catequese do Ano da Fé - Creio em Deus


Eu não quero um RingDing

Público, 23/01/2013
Neste mundo comandado por máquinas, torna-se cada vez mais difícil ser humano. Vivemos em liberdade condicional, vigiados em todo o lado por essas pulseiras electrónicas que são os telemóveis. Somos inopinadamente dados como culpados de qualquer coisa e a pulseira lá está para não fugirmos. Fui no outro dia interpelado por um SMS da minha operadora de telecomunicações que me avisava de uma suposta dívida para com ela:
[P/ evitar suspensao da conta v devera liquidar o valor vencido de x ate ao dia y. MB/Ent w /Ref z /Imp. x]
Reproduzo como recebi, com abreviaturas e sem acentos (este é que é o verdadeiro acordo ortográfico que nos estão a impor!), apenas com as letras v a z a substituir números. Ignorei a mensagem, uma vez que tinha dado autorização para cobrança automática pelo banco. Mas, quando a intimidação reapareceu, não me fiquei. Embora ciente de que era uma máquina e esta é incapaz de uma conversa, resolvi tentar uma aproximação, imitando-a nas abreviaturas e na falta de acentos:
[Os senhores tem autorizacao para cobrar do meu NIB. Façam-no pf.]
Recebi a resposta na volta do correio:
[A sua ultima factura no valor de x tem data limite de pagamento até ao dia y. Aceda tambem, gratis, apoiocliente. O valor vencido tem a entidade w e a referencia z.]
A máquina era teimosa, mas notei alguma abertura: "factura" tinha um c como eu gosto, "gratis" embora sem acento vinha delicadamente envirgulado e os "Ent." e "Ref." anteriores vinham agora descodificados. Até o "até" tinha, aleluia, um acento agudo. O caso não seria grave. Usei a paciência:
[Repito: Podem levantar no NIB indicado. Por que nao o fazem e pretendem criar uma questao inexistente? Um cliente descontente.]
Só depois de a ter enviado é que me apercebi que a minha prosa rimava no final. Não gostei e a máquina, fiquei logo a saber, também não:
[Nao foi possivel identificar o seu pedido. Utilize palavras chave como pontos, saldo, tarifarios, etc. Mais informacoes em apoiocliente.]
Só o uso de senhas como "saldo" e "tarifários" em vez de "cliente descontente" me abriria portas. Cogitava eu na moderna semiótica quando recebi um SMS muito jovial:
"Enquanto nao atendes, da musica aos teus amigos. Liga gratis e escolhe 1 RingDing gratuito: Rihanna, Psy, Florence and the Machine, etc."
Estavam a dar-me música, tratando-me por tu, mas eu não queria um "RingDing", seja lá o que isso for, nem tamanha familiaridade. Comecei a ficar irritado:
[Por favor parem de me mandar mensagens anonimas. Eu estou identificado.]
Resposta lesta:
[Prefere escrever q falar? Envie SMS p/ qq rede. P/ Tarifas envie sms com o seu Tarifario. Consulte + info, gratuitamente, em apoiocliente.]
Sim, nestes assuntos prefiro escrever do que falar, uma vez que, das poucas vezes em que recorri a callcenters, a conversa foi de surdos. Perante uma situação particular, repetiam-me fórmulas gerais. Não sei se, do outro lado, há máquinas a imitar seres humanos ou seres humanos, mal pagos, a imitar máquinas (um amigo meu que passou por lá assegura-me que é esta última). Despedi-me:
[Por favor não insistam em enviar-me mensagens sem nexo.]
A réplica foi:
[Comunique Mais, envie sms c/: Aditivo FimdeSemana, Aditivo SMS; Aditivo Rede Fixa, Aditivo Internacional, Aditivo Internet.]
Mas não comuniquei mais por aquele meio. Enviei antes emails para o dito "apoiocliente". Quiseram primeiro testar-me a ver se eu era uma máquina como eles, exigindo-me um reconhecimento óptico de caracteres. A resposta demorou, mas voltou a ser maquinal. Tentaram vencer-me pela exaustão. Era mesmo assim. Não queriam cobrar pelo banco, eu teria de pagar pelo multibanco. O máximo que consegui foi o encaminhamento para um "Departamento de Controlo de Qualidade". O problema devia estar aí: a qualidade era controlada, no sentido de a impedir.
O que se tinha passado? Eu tinha comunicado à operadora a mudança do meu NIB, mas a máquina dela tinha uma relação estável com a máquina do meu ex-banco. Recusava-se a mudar. Para mostrar a sua obstinação, a máquina "cortou" mesmo comigo, desligando-me no anunciado dia y o telemóvel. Procurei, numa loja, um ser humano, para lhe dizer que ia mudar de operadora. Nesse representante da espécie humana encontrei finalmente um assomo de humanidade. A pessoa, temendo talvez o desemprego, pediu desculpa pelo sucedido, que eram "automatismos", que havia um erro e que me iam indemnizar. Automatismos? Formatados pelas máquinas, esquecemo-nos que, pelo menos por enquanto, ainda somos nós que as formatamos.

Frase do dia

Não existe à face da terra tal coisa como um assunto desinteressante; a única coisa que pode existir é uma pessoa desinteressada
G. K. Chesterton

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Só por confissão

Pedro Lomba 
Público, 22/01/2013

É uma história peripatética, nefasta para ele. Para nós pode ser uma fábula moral sobre o tempo infinito que leva uma pessoa a convencer-se. Ontem mesmo, enquanto investigava para esta coluna e depois de Lance Armstrong já ter confessado as suas trapacices a Oprah Winfrey, encontrei artigos que continuavam a explicar ou atenuar o que ele fez. Prosas em blogs, páginas virtuais, o texto de uma revista judaica lembrando que as mentiras de Armstrong podem ser justificadas perante o Talmude. Ele não é bem um mentiroso. Ou mentiu com estrondo, vinte anos, mas como outros também mentiram e, ao menos, ele pôde frutificar a sua obra solidária. Ainda um grande homem.
Então recapitulemos a farsa. Sobretudo o nosso lado da farsa, porque o interesse disto é que estava toda a gente disposta a ser o farsante de Lance Armstrong. Em 1999, quem olhasse para Armstrong no Tour de França ficava abismado. Em época marcada pelas primeiras descobertas de doping (a prisão do patrão da Festina, Willy Woet, o escândalo com Richard Virenque e Marco Pantani), Armstrong prometia tornar-se um Zaratustra. Não era o super-homem mas a superação do Homem.
O desporto individual pode ganhar uma transcendência improvável. Vítor Cunha Rego definia os homens da bicicleta como "volframistas da montanha". É escusado dizer que Cunha Rego era um romântico para quem os ciclistas eram proletários que recuperavam a liberdade com as pernas. Armstrong não era proletário. Era um CEO, fixado nos objectivos. Venceu um cancro porque disse que ia vencer um cancro. Venceu o Tour sete vezes porque disse que o ia vencer sete vezes. Especulava-se que tinha um coração superior ao de uma pessoa normal.
Não demoraram as acusações e os boatos de dopagem. Armstrong negava tudo. Não havia provas nem testes positivos. Era Armstrong contra os concorrentes. E ao contrário destes, ele continuava a ganhar. Nessa altura tornara-se visível que, com ele, o ciclismo não era "camaradas e amizade", ao contrário da música dos Kraftwerk. Permanecia a dúvida, mas impunha-se a certeza. Com tanto exame, análise, despistagem, não era possível que Armstrong se dopasse.
Passámos os anos seguintes acreditando sempre na inocência de Armstrong. O homem cria uma fundação para apoiar doentes de cancro, experimenta a redenção após o ordálio. Mas não acaba. Inquéritos, relatórios, confissões mostram que o ciclismo é um mundo mais sujo do que se imagina. O ex-colega de Armstrong, Tyler Hamilton, é "apanhado" e confessa. A seguir é Jan Ullrich. E Lance Armstrong? Numa altura em que a imundície estava a descoberto e os ídolos do ciclismo caíam um a um, seria ele o único sem mácula? Armstrong defendia-se com os 500 controlos limpos a que fora sujeito. Vai-se descobrindo que os testes de doping eram falíveis, manipuláveis, manipulados. Não provavam nada.
Entretanto, a união internacional de ciclismo investiga Armstong, que começa a contribuir financeiramente para a organização para eliminar suspeitas. A agência americana antidoping investiga Armstrong. Os antigos colegas denunciam Armstrong. O caso contra o ciclista torna-se sólido. No Verão de 2012 Armstrong lamenta a "caça às bruxas" e diz que desistirá de refutar as acusações. Desistira ele da sua inocência? E não seria isso ser culpado?
Chegados aqui, a única conclusão razoável era admitir que Lance Armstrong era um produto da "cultura do doping" no ciclismo desde os anos 90. E no entanto. Sim, e no entanto nada. Ninguém estava certo. Mesmo contra a evidência. Mesmo contra os relatórios. Estávamos nos "desconhecidos desconhecidos" do velho Rumsfeld.
Até que Armstrong contou. O que seria se não o tivesse feito.

Sessão evocativa de S. Francisco de Sales e de Santa Joana de Chantal

Sessao_evocativa_SFranciscoSales by papinto

Papa concede Indulgência Plenária Perpétua ao Santuário de Cristo-Rei

Decreto premeia «esforço» para que local não seja visto, nem pelas pessoas em geral nem pela Igreja, «como um belo miradouro para Lisboa», diz reitor

Setúbal, 22 jan 2013 (Ecclesia) – O Papa concedeu a Indulgência Plenária Perpétua ao Santuário de Cristo-Rei, na Diocese de Setúbal, conhecido pela imagem de Jesus de braços abertos que domina o rio Tejo junto a Lisboa.
O reitor do santuário disse hoje à Agência ECCLESIA que o documento é "bastante importante" por se tratar do "reconhecimento, por parte da Santa Sé, do esforço que tem sido feito nos últimos anos" para que o local "não seja visto, nem pelas pessoas em geral nem pela Igreja em particular, como um belo miradouro para Lisboa".
Com esta declaração o santuário "torna-se mais fiel ao seu próprio espírito e carisma fundacional, que é ser um centro de oração e reparação [dos males causados pelos pecados]", frisou o padre Sezinando Alberto, acrescentando que a Indulgência "vai com certeza ajudar os peregrinos a crescerem espiritualmente".
"Para aqueles que são crentes, a Indulgência Plenária Perpétua permite-lhes saber que podem sentir mais de perto a misericórdia de Deus para a sua alma", enquanto que "para quem não é muito praticante mas procura Deus" a atribuição contribui para que "tome consciência" de que o santuário "está envolvido num mistério onde se vive e consegue realmente transmitir a paz interior aos corações que andam atribulados", afirmou.
O responsável considera que o decreto "não interessa nada" a quem se desloca ao santuário "como mero turista e está pouco interessado nas questões espirituais": "É a mesma coisa que em Fátima; é indiferente a quem lá vai motivado por curiosidade turística que Nossa Senhora tenha aparecido ou não".
O cardeal português Monteiro de Castro, penitenciário-mor da Igreja, entregou esta segunda-feira o decreto ao bispo de Setúbal, D. Gilberto Reis, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.
"É uma grande graça esta que agora nos é concedida, a de poder ter em permanência um lugar onde a misericórdia de Deus se estende a todos os que, de coração contrito e convertido, se voltam para o Senhor", lê-se na página da diocese setubalense na rede social Facebook.
De acordo com o Direito Canónico, para alcançar a indulgência, que pode ser parcial ou plenária conforme liberta parcial ou totalmente da sanção devida pelos pecados, requer-se, além da exclusão de qualquer afeto ao pecado, o cumprimento da obra prescrita pela Igreja, os sacramentos da Reconciliação (Confissão) e da Eucaristia, bem como a oração pelas intenções do Papa.
A entrega do decreto sobre o Santuário de Cristo-Rei foi um dos últimos atos da peregrinação que a diocese setubalense organizou a Roma entre sexta e segunda-feira.

22 de janeiro de 2013 - 40º aniversário de Roe vs. Wade

22 de janeiro de 2013 - 40º aniversário da decisão do Supremo Tribunal de Justiça Americano conhecida como Roe vs. Wade.

Numa decisão histórica de 7 contra 2 o Supremo Tribunal deliberou que a decisão de uma mulher fazer um aborto está dentro do seu direito à privacidade, embora este direito deva ser balançado com os dois interesses legítimos que o Estado defende ao regular o aborto: a protecção da vida pré-natal e a saúde da mãe. Com o argumento que os interesses que o Estado deve defender se tornam mais fortes `com o avanço da gravidez, introduziu o trimestre e depois as semanas de gravidez como medida desse balanço. Em argumentação posterior foi introduzido o conceito de viabilidade.
A historicidade de Roe vs. Wade resulta do debate que, de então para cá foi aberto e é periodicamente reavivado não só nos Estados Unidos, onde a questão do aborto é tema de quase todas as campanhas eleitorais (dividindo o país sensivelmente a meio) como em todo o mundo ocidental.
Deve ser uma data a recordar se anima em nós o vigor da defesa da vida e do reconhecimento que a dignidade humana é muito anterior e superior a qualquer decisão judicial por mais importante que seja.
Se há um dia dos Santos Inocentes logo a seguir ao Natal, este é também um dia de memória de tantos milhões de vidas no pensamento de Deus que nunca chegaram a pisar esta terra e que seguramente o louvam no Céu. Pedir-lhes pelas suas mães, para que consigam recuperar um dia a paz perdida é a oração do dia de hoje

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

The Gospel Project

The Gospel Project: The Grand Narrative in 3 Minutes from Prayson Daniel on Vimeo.

The Gospel Project is a Christ-centered curriculum that examines the grand narrative of Scripture and how the gospel transforms the lives of those it touches. Children and Student in the Churches will so much be blessed with his ministry. Go to http://www.gospelproject.com/

O curioso caso da ADSE e a espiral estatizante

João Carlos Espada
Público, 21/01/2013

No debate, ou ausência dele, sobre a chamada "reforma", ou "refundação", do Estado social, um tema aparentemente marginal merece, contudo, reflexão. Trata-se da proposta de extinção da ADSE, o sistema de saúde aplicado aos funcionários públicos. Penso que o sistema é conhecidos de todos, mas vale a pena recordar alguns aspectos. Trata-se de uma espécie de seguro de saúde, para a qual empregado e empregador descontam mensalmente. Em contrapartida, o empregado-utente da ADSE tem um desconto significativo no preço de cada consulta ou exame médico. A parte restante será paga pela ADSE, com comparticipação do Estado, ao fornecedor dessa consulta ou desse exame. Finalmente, a ADSE permite ao utente escolher o fornecedor. Este pode ser privado, devendo apenas ter um acordo com a ADSE. Ainda assim, caso não o tenha, o utente da ADSE pode usá-lo, pagando o custo integral da consulta ou do exame, e sendo depois reembolsado pela ADSE de uma parte, em regra, pequena, do que pagou.
Não é preciso grande esforço intelectual para compreender que este sistema tem vantagens significativas relativamente a um serviço de saúde inteiramente estatizado. Em primeiro lugar, permite ao utente a liberdade de escolher o fornecedor de serviços médicos, incluindo o médico, que deseja utilizar. Em segundo lugar, através dos co-pagamentos, responsabiliza o utente pelas escolhas que fizer. Em terceiro lugar, e pelas duas razões anteriores, cria um mercado de serviços médicos e introduz nele concorrência entre fornecedores, estatais ou privados, que concorrem entre si para captar a preferência dos utentes. Este mercado, em quarto lugar, pode criar uma pressão para baixar os custos, com vista a praticar preços mais atractivos para o utente. Em quinto lugar, e finalmente, a ADSE permite uma garantia social por parte do Estado, sem que para isso o Estado tenha de construir e sustentar serviços estatais de saúde. Neste sentido, a ADSE é um sistema mais racional e menos despesista do que o serviço estatizado de saúde, do ponto de vista do princípio constitucional de garantia do acesso universal aos serviços de saúde.
Em face do que fica dito, uma reflexão séria sobre a reforma do Estado no sector da saúde deveria começar por ponderar a possibilidade de estender os princípios da ADSE - escolha pelo utente e concorrência entre fornecedores - a todo o Sistema Nacional de Saúde. Contudo, temos assistido exactamente ao contrário. As propostas em cima da mesa propõem a extinção da ADSE, a qual é acusada de ser cara.
Vale a pena investigar em que sentido pode a ADSE ser considerada cara. Sabemos que é cara no sentido de que as contribuições dos utentes não cobrem a despesa global da ADSE. Mas a ADSE não pode obviamente ser mais cara do que manter milhares de médicos, enfermeiros e outros funcionários em hospitais e centros de saúde que são quase integralmente pagos com o dinheiro dos contribuintes. É obviamente mais barata. E tem a vantagem adicional de, através da escolha, produzir uma pressão para melhorar os serviços e, potencialmente, controlar os custos.
Insisto, por isso, na pergunta. Em que sentido pode a ADSE ser considerada como um problema estrutural? Só há um sentido possível. Se eu considerar como adquiridos e indiscutíveis os custos actuais do sistema de saúde estatizado, então devo percepcionar a ADSE como cara. Simplesmente porque ela é um custo adicional às quantias astronómicas já gastas no serviço estatizado.
Se o meu objectivo for simplesmente orçamental, isto é, se for basicamente cobrir o défice já existente na despesa do Estado, então é compreensível que queira abolir a ADSE. Tal como é compreensível que queira aumentar os impostos, para arrecadar mais receita que permita cobrir uma despesa cuja estrutura permanece intocável: a estrutura da despesa do aparelho do Estado, incluindo na Saúde e na Educação (cujos problemas são idênticos aos acima descritos para a Saúde).
Deve agora ser observado que, se o caminho para reduzir o défice do Estado consistir no acima referido - eliminar prestações sociais em regime de concorrência e aumentar os impostos -, o resultado não intencional pode ser contrário aos objectivos pretendidos. Poderá ser uma enorme estatização da sociedade portuguesa. O que resta de serviços de saúde não estatais será severamente enfraquecido, por via da eliminação da ADSE. E o que resta de economia independente será também severamente asfixiado pela subida dos impostos - como os números do desemprego e das falências mostram de forma alarmante.
O Presidente da República falou, com inteira propriedade, de uma espiral recessiva em curso entre nós. A esse alerta deveria talvez ser acrescentado o de uma possível espiral estatizante. A manterem-se a enorme subida de impostos e iniciativas como a promessa de extinção da ADSE, podemos estar a assistir a uma vaga não intencional de destruição da economia independente portuguesa.