domingo, 30 de setembro de 2012

A falência é um estado de espírito

ALBERTO GONÇALVES
DN 2012-09-30

É extraordinária a quantidade de gente capaz de interpretar os sentimentos expressos nas manifestações de rua. Não possuo tal dom. Ouço e leio as palavras de ordem (pelo televisor, salvo seja) e acabo mais confuso do que comecei.
Ao que tudo indica, o povo em protesto não quer aumentos de impostos e, em simultâneo, não quer a redução na despesa que compensaria a manutenção dos impostos tal como estão ou estavam. O povo pretende a expulsão da troika e não se encontra minimamente preparado para a penúria que a partida da troika implicaria. O povo rejeita a austeridade sem perceber que a alternativa é uma austeridade maior e menos meiga. O povo está contra o Estado e vive apavorado com a ideia de que o Estado recue nas suas vidas. O povo insulta o Governo que desastradamente tenta corrigir as contas públicas embora não deseje que as corrija com acerto, nem dedique grandes insultos aos governos que deliberadamente transformaram as contas públicas na ruína actual. O povo, em suma, é realista à maneira do Maio de 68: pedindo o impossível. Impossível no sentido de que não tem pés nem cabeça.
É natural que o povo, às vezes constituído por serventes partidários, às vezes por gente em autênticas dificuldades, às vezes por sujeitos que berram qualquer coisa, caia nesta teia de contradições. Não deveria ser natural que as contradições chegassem a jornais ditos de referência sob a forma de colunas de opinião. A opinião é livre? É, e Deus nosso Senhor sabe o quanto agradeço a benesse. Por acaso, a irracionalidade também não conhece amarras, donde a emergência de textos do calibre do de José Vítor Malheiros, no Público de 25 de Setembro.
O título do texto ("A Dívida Existe Mesmo?) já arrepia. O pior é que após a pergunta do título o sr. Malheiros gasta uma data de caracteres a responder "não". Não perderei tempo a comentar os, digamos, "argumentos" do homem (o João Caetano Dias fê-lo brilhantemente no blogue Blasfémias). Basta resumi-los: para o sr. Malheiros, o défice e a dívida que decorre dos sucessivos défices (ele pensa ser ao contrário) são uma história mal contada, um provável estratagema para oprimir as massas que nada justifica, excepto talvez os favores às construtoras e aos bancos.
Perante isto, o que fazer? Podemos, claro, organizar uma colecta a fim de enviar o sr. Malheiros para um curso de Economia ou um merecido descanso. Porém, podemos igualmente aproveitar o mote e estender a tese ao que nos aprouver. A dívida não existe. O Estado esbanjador não existe. Os gastos com os salários e as prestações sociais não existem. Os custos da educação e da saúde não existem. As autarquias e as regiões autónomas não existem. As fundações e as empresas públicas não existem. O Magalhães não existe. Os estádios do "euro" não existem. Os pareceres, as consultorias e os estudos encomendados a amigos não existem. Os subsídios às energias "renováveis" não existem. Os apoios à "cultura" não existem. O socialismo não existe. O eng. Sócrates nunca existiu. E é duvidoso que, a médio prazo, o próprio país exista.
O exercício não é fortuito: se passarmos por doidos varridos, o mundo exterior comove-se e dá-nos um desconto moral. Infelizmente, dado que ninguém investe na demência, o mundo não nos dará um desconto material. Mas, de acordo com a escola financeira do sr. Malheiros, dinheiro não nos falta.

30 de Setembro - S. Jerónimo

S. Jerónimo no seu estudo
Domenico Ghirlandaio (1480)
Fresco (184 x 119 cm)
Igreja de Ognissanti
Florença 

A maior parte dos santos são conhecidos por virtudes extraordinárias que demonstraram ou devoções que praticaram. S. Jerónimo é frequentemente lembrado pelo seu mau génio. É verdade que ele tinha mau génio e tinha uma escrita vitriólica. Porém, o seu amor a Deus e ao Seu Filho Jesus Cristo era extraordinariamente intenso, a ponto de considerar inimigos de Deus e de Jesus Cristo quem ensinasse o erro, refutando-os com a sua poderosa e muitas vezes sarcástica pena. O seu amor à Sagrada Escritura levou-o à Terra Santa após a morte do papa Dâmaso, de quem era secretário. Viveu em Belém, perto do local da Natividade, onde conclui a tradução para latim da Bíblia. Ainda hoje esta tradução, chamada a Vulgata é a base da Bíblia que lemos.
O Santo Padre Bento XVI dedicou-lhe duas preciosas audiências de quarta-feira. Lê-las “levam-nos mais longe”

AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
São Jerónimo (1)
Queridos irmãos e irmãs!
Detemos hoje a nossa atenção sobre São Jerónimo, um Padre da Igreja que colocou no centro da sua vida a Bíblia: traduziu-a em língua latina, comentou-a nas suas obras, e sobretudo empenhou-se em vivê-la concretamente na sua longa existência terrena, não obstante o conhecido carácter difícil e impetuoso que recebeu da natureza.
Jerónimo nasceu em Strídon por volta de 347 de uma família cristã, que lhe garantiu uma cuidadosa formação, enviando-o também a Roma para aperfeiçoar os seus estudos. Desde jovem sentiu atracção pela vida mundana (cf. Ep. 22, 7), mas prevaleceram nele o desejo e a intercessão pela religião cristã. Tendo recebido o baptismo por volta de 336, orientou-se para a vida ascética e, tendo ido a Aquileia, inseriu-se num grupo de cristãos fervorosos por ele definido quase "um coro de beatos" (Chron. ad ann. 374) reunido em volta do Bispo Valeriano. Partiu depois para o Oriente e viveu como eremita no deserto de Calcide, a sul de Alepo (cf. Ep. 14, 10), dedicando-se seriamente aos estudos. Aperfeiçoou o seu conhecimento do grego, iniciou o estudo do hebraico (cf. Ap. 125, 12), transcreveu códices e obras patrísticas (cf. Ep. 5, 2). A meditação, a solidão, o contacto com a Palavra de Deus fizeram amadurecer a sua sensibilidade cristã. Sentiu mais incómodo o peso dos anos juvenis (cf. Ep. 22, 7), e advertiu vivamente o contraste entre mentalidade pagã e vida cristã: um contraste que se tornou célebre pela "visão" dramática e vivaz, da qual nos deixou uma narração. Nela pareceu-lhe ser flagelado diante de Deus, porque "ciceroniano e não-cristão" (cf. Ep 22, 30).
Em 382 transferiu-se para Roma: aqui o Papa Dâmaso, conhecendo a sua fama de asceta e a sua competência de estudioso, assumiu-o como secretário e conselheiro; encorajou-o a empreender uma nova tradução latina dos textos bíblicos por motivos pastorais e culturais. Algumas pessoas da aristocracia romana, sobretudo fidalgas como Paula, Marcela, Asella, Lea e outras, desejosas de se empenharem no caminho da perfeição cristã e de aprofundarem o seu conhecimento da Palavra de Deus, escolheram-no como sua guia espiritual e mestre na abordagem metódica aos textos sagrados. Estas fidalgas aprenderam também grego e hebraico.
Depois da morte do Papa Dâmaso, Jerónimo deixou Roma em 385, e empreendeu uma peregrinação, primeiro à Terra Santa, testemunha silenciosa da vida terrena de Cristo, depois ao Egipto, terra de eleição de muitos monges (cf. Contra Rufinum 3, 22; Ep. 108, 6-14). Em 386 permaneceu em Belém onde, por generosidade da fidalga Paula, foram construídos um mosteiro masculino, um feminino e uma estalagem para os peregrinos que iam à Terra Santa, "pensando que Maria e José não tinham encontrado onde repousar" (Ep. 108, 14). Permaneceu em Belém até à morte, continuando a desempenhar uma intensa actividade: comentou a Palavra de Deus; defendeu a fé, opondo-se vigorosamente a várias heresias; exortou os monges à perfeição; ensinou a cultura clássica e cristã a jovens alunos; acolheu com alma pastoral os peregrinos que visitavam a Terra Santa. Faleceu na sua cela, perto da gruta da Natividade, a 30 de Setembro de 419/420.
A preparação literária e a ampla erudição permitiram que Jerónimo fizesse a revisão e a tradução de muitos textos bíblicos: um precioso trabalho para a Igreja latina e para a cultura ocidental. Com base nos textos originais em grego e em hebraico e graças ao confronto com versões anteriores, ele realizou a revisão dos quatro Evangelhos em língua latina, depois o Saltério e grande parte do Antigo Testamento. Tendo em conta o original hebraico e grego, dos Setenta, a versão grega clássica do Antigo Testamento que remontava ao tempo pré-cristão, e as precedentes versões latinas, Jerónimo, com a ajuda de outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: ela constitui a chamada "Vulgata", o texto "oficial" da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento e que, depois da recente revisão, permanece o texto "oficial" da Igreja de língua latina. É interessante ressaltar os critérios aos quais o grande biblista se ateve na sua obra de tradutor. Revela-o ele mesmo quando afirma respeitar até a ordem das palavras das Sagradas Escrituras, porque nelas, diz, "até a ordem das palavras é um mistério" (Ep. 57, 5), isto é, uma revelação. Reafirma ainda a necessidade de recorrer aos textos originários: "Quando surge um debate entre os Latinos sobre o Novo Testamento, para as relações discordantes dos manuscritos, recorremos ao original, isto é, ao texto grego, no qual foi escrito o Novo Pacto. Do mesmo modo para o Antigo Testamento, se existem divergências entre os textos gregos e latinos, apelamos ao texto original, o hebraico; assim tudo o que brota da nascente, podemo-lo encontrar nos ribeiros" (Ep. 106, 2). Além disso, Jerónimo comentou também muitos textos bíblicos. Para ele os comentários devem oferecer numerosas opiniões, "de modo que o leitor cauteloso, depois de ter lido as diversas explicações e conhecido numerosas opiniões para aceitar ou rejeitar julgue qual seja a mais fidedigna e, como um perito de câmbios, rejeite a moeda falsa" (Contra Rufinum 1, 16).
Contestou enérgica e vivazmente os hereges que recusavam a tradição e a fé da Igreja. Demonstrou também a importância e a validade da literatura cristã, que se tornou uma verdadeira cultura já digna de ser posta em confronto com a clássica: fê-lo compondo o De viris illustribus, uma obra na qual Jerónimo apresenta as biografias de mais de uma centena de autores cristãos. Escreveu também biografias de monges, ilustrando ao lado de outros percursos espirituais também o ideal monástico; traduziu também várias obras de autores gregos. Por fim, no importante Epistolário, uma obra-prima da literatura latina, Jerónimo sobressai com as suas características de homem culto, de asceta e de guia das almas.
Que podemos nós aprender de São Jerónimo? Sobretudo, penso, o seguinte: amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura. Diz São Jerónimo: "Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo". Por isso é importante que cada cristão viva em contacto e em diálogo pessoal com a palavra de Deus, que nos é dada na Sagrada Escritura. Este nosso diálogo com ela deve ter sempre duas dimensões: por um lado, deve ser um diálogo realmente pessoal, porque Deus fala com cada um de nós através da Sagrada Escritura e cada um tem uma mensagem. Devemos ler a Sagrada Escritura não como palavra do passado, mas como Palavra de Deus que se dirige também a nós e procurar compreender o que o Senhor nos quer dizer. Mas para não cair no individualismo devemos ter presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir comunhão, para nos unir na verdade no nosso caminho para Deus. Portanto, ela, mesmo sendo sempre uma palavra pessoal, é também uma Palavra que constrói comunidade, que constrói a Igreja. Por isso, devemos lê-la em comunhão com a Igreja viva. O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a liturgia, na qual, celebrando a Palavra e tornando presente no Sacramento o Corpo de Cristo, actualizamos a Palavra na nossa vida e tornámo-la presente entre nós. Nunca devemos esquecer que a Palavra de Deus transcende os tempos. As opiniões humanas vão e voltam. O que hoje é muito moderno, amanhã será velho. A Palavra de Deus, ao contrário, é Palavra de vida eterna, tem em si a eternidade, ou seja, é válida para sempre. Trazendo em nós a Palavra de Deus, trazemos também em nós o eterno, a vida eterna.
E concluo com uma palavra de São Jerónimo a São Paulino de Nola. Nela o grande exegeta expressa precisamente esta realidade, isto é, que na Palavra de Deus recebemos a eternidade, a vida eterna. Diz São Jerónimo: "Procuremos aprender na terra aquelas verdades cuja consistência persistirá também no céu" (Ep. 53, 10).
AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
São Jerónimo (2)
Queridos irmãos e irmãs!
Continuemos hoje a apresentação da figura de São Jerónimo. Como dissemos na quarta-feira passada, ele dedicou a sua vida ao estudo da Bíblia, a ponto de ser reconhecido por um meu Predecessor, o Papa Bento XV, como "doutor eminente na interpretação das Sagradas Escrituras".
Jerónimo ressaltava a alegria e a importância de se familiarizar com os textos bíblicos: "Não te parece habitar já aqui na terra no reino dos céus, quando se vive entre estes textos, quando os meditamos, quando não se conhece e não se procura nada mais?" (Ep. 53, 10). Na realidade, dialogar com Deus, com a sua Palavra, é num certo sentido presença do Céu, isto é, presença de Deus. Aproximar-se dos textos bíblicos, sobretudo do Novo Testamento, é essencial para o crente, porque "ignorar a Escritura é ignorar Cristo". É sua esta célebre frase, citada também pelo Concílio Vaticano II na Constituição Dei Verbum (n. 25).
Verdadeiramente "apaixonado" pela Palavra de Deus, ele perguntava: "Como se poderia viver sem a ciência das Escrituras, através das quais se aprende a conhecer o próprio Cristo, que é a vida dos crentes?" (Ep. 30, 7). A Bíblia, instrumento "com o qual todos os dias Deus fala aos fiéis" (Ep. 133, 13), torna-se assim estímulo e fonte da vida cristã para todas as situações e para cada pessoa. Ler a Escritura é conversar com Deus: "Se rezas escreve ele a uma jovem nobre de Roma falas com o Esposo; se lês, é Ele quem te fala" (Ep. 22, 25). O estudo e a meditação da Escritura tornam o homem sábio e sereno (cf. In Eph., prol.). Sem dúvida, para compreender cada vez mais profundamente a palavra de Deus é necessária uma dedicação constante e progressiva. Assim Jerónimo recomendava ao sacerdote Nepociano: "Lê com muita frequência as divinas Escrituras; aliás, que o Livro sagrado nunca seja deposto das tuas mãos. Aprende aqui o que tu deves ensinar (Ep. 52, 7). Dava estes conselhos à matrona romana Leta para a educação cristã da filha: "Certifica-te que ela estude todos os dias alguns trechos da Escritura... Que depois da oração se dedique à leitura, e depois da leitura à oração... Que em vez das jóias e dos vestidos de seda, ela aprecie os Livros divinos" (Ep. 107, 9.12). Com a meditação e a ciência das Escrituras "mantém-se o equilíbrio da alma" (Ad Eph., prol.). Só um profundo espírito de oração e a ajuda do Espírito Santo nos podem introduzir na compreensão da Bíblia: "Na interpretação da Sagrada Escritura nós temos sempre necessidade do socorro do Espírito Santo" (In Mich., 1, 1, 10, 15).
Toda a vida de Jerónimo se distingue por um amor apaixonado pelas Escrituras, um amor que ele sempre procurou despertar nos fiéis: "Ama a Sagrada Escritura e a sabedoria amar-te-á; ama-a ternamente e ela guardar-te-á; honra-a e receberás as suas carícias. Que ela seja para ti como os teus colares e brincos" (Ep. 130, 20). E ainda: "Ama a ciência da Escritura, e não amarás os vícios da carne" (Ep. 125, 11).
Para Jerónimo um critério fundamental de método na interpretação das Escrituras era a sintonia com o magistério da Igreja. Nunca podemos sozinhos ler a Escritura. Encontramos demasiadas portas fechadas e facilmente caímos no erro. A Bíblia foi escrita pelo Povo de Deus e para o Povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Só nesta comunhão com o Povo de Deus podemos realmente entrar com o "nós" no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer dizer. Para ele uma interpretação autêntica da Bíblia devia estar sempre em concordância harmoniosa com a fé da Igreja católica. Não se trata de uma exigência imposta a este Livro a partir de fora; o Livro é precisamente a voz do Povo de Deus peregrino e só na fé deste Povo temos, por assim dizer, a tonalidade justa para compreender a Sagrada Escritura. Por isso Jerónimo admoestava: "Permanece firmemente apegado à doutrina tradicional que te foi ensinada, para que tu possas exortar segundo a tua sã doutrina e contrastar quantos a contradizem" (Ep. 52, 7). Em particular, dado que Jesus Cristo fundou a sua Igreja sobre Pedro, cada cristão concluía ele deve estar em comunhão "com a Cátedra de São Pedro. Eu sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja" (Ep. 15, 2). Consequentemente, sem meios-termos, declarava: "Eu estou com todo aquele que estiver na Cátedra de São Pedro" (Ep. 16).
Obviamente Jerónimo não descuida o aspecto ético. Com frequência ele recorda o dever de conciliar a vida com a Palavra divina e só vivendo-a encontramos também a capacidade de a compreender. Esta coerência é indispensável para cada cristão, e particularmente para o pregador, para que as suas acções, se forem discordantes em relação aos discursos, não o ponham em dificuldade. Assim exorta o sacerdote Nepociano: "Que as tuas acções não desmintam as tuas palavras, para que não aconteça que, quando pregas na igreja, haja quem no seu íntimo comente: "Por que precisamente tu não te comportas assim?". Verdadeiramente simpático aquele mestre que, de barriga cheia, disserta sobre o jejum; também um ladrão pode censurar a avareza; mas no sacerdote de Cristo a mente e a palavra devem estar em sintonia" (Ep. 52, 7). Noutra carta Jerónimo recorda: "Também se possui uma doutrina maravilhosa, não tem vergonha a pessoa que se sente condenar pela própria consciência" (Ep. 127, 4). Sempre em tema de coerência, ele observa: o Evangelho deve traduzir-se em atitudes de caridade verdadeira, porque em cada ser humano está presente a própria Pessoa de Cristo. Dirigindo-se, por exemplo, ao presbítero Paulino (que depois foi Bispo de Nola e Santo), Jerónimo assim o aconselha: "O verdadeiro templo de Cristo é a alma do fiel: ornamenta este santuário, embeleza-o, coloca nele as tuas ofertas e recebe Cristo. Para que revestir as paredes de pedras preciosas, se Cristo morre de fome na pessoa de um pobre?" (Ep. 58, 7). Jerónimo concretiza: é preciso "vestir Cristo nos pobres, visitá-lo em quem sofre, alimentá-lo nos famintos, dar-lhe abrigo nos desalojados" (Ep. 130, 14). O amor a Cristo, alimentado com o estudo e a meditação, faz-nos superar qualquer dificuldade: "Amemos também nós Jesus Cristo, procuremos sempre a união com ele: então parecer-nos-á fácil também o que é difícil" (Ep.22, 40).
Jerónimo, definido por Próspero de Aquitânia "modelo de comportamento e mestre do género humano" (Carmen de ingratis, 57), deixou-nos também um ensinamento rico e variado sobre o ascetismo cristão. Ele recorda que um compromisso corajoso em relação à perfeição exige uma vigilância constante, mortificações frequentes, mesmo se com moderação e prudência, um trabalho intelectual ou manual assíduo para evitar o ócio (cf. Epp. 125, 11 e 130, 15), e sobretudo a obediência a Deus: "Nada... apraz tanto a Deus como a obediência... que é a virtude mais excelsa e única" (Hom. de Oboedientia: CCL 78, 552). No caminho ascético pode estar incluída também a prática das peregrinações. Em particular, Jerónimo estimulou as peregrinações à Terra Santa, onde os peregrinos eram acolhidos e hospedados nos edifícios ao lado do mosteiro de Belém, graças à generosidade da fidalga Paula, filha espiritual de Jerónimo (cf. Ep. 108,14).
Por fim, não podemos deixar de mencionar o contributo dado por Jerónimo em matéria de pedagogia cristã (cf. Epp. 107 e 128). Ele propõe-se formar "uma alma que deve tornar-se o templo do Senhor" (Ep. 107, 4), uma "gema preciosíssima" aos olhos de Deus (Ep. 107, 13). Com profunda intuição ele aconselha a sua preservação do mal e das ocasiões pecaminosas, a exclusão de amizades equívocas ou dissipantes (cf. Ep. 107, 4 e 8-9; cf. também Ep. 128, 3-4). Sobretudo exorta os pais para que criem um ambiente de tranquilidade e de alegria em volta dos filhos, os estimulem ao estudo e ao trabalho, também com o louvor e a emulação (cf. Epp. 107, 4 e 128, 1), os encoragem a superar as dificuldades, favoreçam neles os bons hábitos e os preservem dos maus costumes porque e cita uma frase de Públio Sírio que ouviu na escola "dificilmente conseguirás corrigir-te daquelas coisas às quais te vais tranquilamente habituando" (Ep. 107, 8). Os pais são os principais educadores dos filhos, os primeiros mestres de vida. Com muita clareza Jerónimo, dirigindo-se à mãe de uma jovem e mencionando depois o pai, admoesta, quase expressando uma exigência fundamental de cada criatura humana que empreende a existência: "Que ela encontre em ti a sua mestra, e olhe para ti com admiração na sua inexperiente juventude. Que nunca veja em ti nem em seu pai atitudes que a levem a pecar, se forem imitadas. Recordai-vos de que... a podeis educar mais com o exemplo do que com a palavra" (Ep. 107, 9). Entre as principais intuições de Jerónimo como pedagogo devem ser ressaltadas a importância atribuída a uma educação sadia e completa desde a infância, a responsabilidade peculiar reconhecida aos pais, a urgência de uma séria formação moral e religiosa, a exigência do estudo para uma formação humana mais completa.
Além disso, um aspecto bastante esquecido nos tempos antigos, mas considerado vital pelo nosso autor, é a promoção da mulher, à qual reconhece o direito a uma formação completa: humana, escolar, religiosa, profissional. E vemos precisamente hoje como a educação da personalidade na sua totalidade, a educação para a responsabilidade diante de Deus e do homem, seja a verdadeira condição para qualquer progresso, paz, reconciliação e exclusão da violência. Educação diante de Deus e do homem: é a Sagrada Escritura que nos oferece a guia para a educação e assim para o verdadeiro humanismo.
Não podemos concluir estas rápidas anotações sobre o grande Padre da Igreja sem mencionar a contribuição eficaz por ela dada à salvaguarda dos elementos positivos e válidos das antigas culturas judaica, grega e romana na nascente civilização cristã. Jerónimo reconheceu e assimilou os valores artísticos, a riqueza dos sentimentos e a harmonia das imagens presentes nos clássicos, que educam o coração e a fantasia para sentimentos nobres. Sobretudo, ele pôs no centro da sua vida e da sua actividade a Palavra de Deus, que indica ao homem os caminhos da vida, e revela-lhe os segredos da santidade. Por tudo isto devemos estar-lhe profundamente gratos, precisamente no nosso hoje.


sábado, 29 de setembro de 2012

Ciências da (dí)Vida

José Luís Nunes Martins, ionline 29 Set 2012

Será que os médicos deixarão de fazer juramento de Hipócrates para, hipocritamente, jurar defender com aprumo, brio, disciplina e coragem militares o Orçamento?

Nesta semana, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida pronunciou-se no sentido de que o Estado português pode e deve racionar o acesso aos medicamentos mais caros para tratar o cancro, a sida e a artrite reumatóide. Tendo o médico que preside ao referido Conselho dito que se trata de “uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que é enorme em saúde”. Mais, que “não é só legítimo, mas desejável”. Chegando- -se a referir ao facto de que 50 mil euros por 2 meses de vida não se justificam.
Uma vida não tem preço. Nem qualquer pedaço dela.
Como pode um homem, médico, chegar à conclusão de que há um valor justo para um mês de vida... todos já tivemos muitos meses maus, anos até... eu também, poderia ter passado por cima deles, mas, ainda assim, integram a minha história, fazem parte do meu caminho até aqui... Mas, apesar de tudo, amputar passados é diferente de abortar futuros.
Matar de forma absoluta o amanhã de alguém é crime. Chama-se homicídio. Trate-se de um bebé em embrião que se desenvolve à velocidade da vida ou um doente em coma, com cancro em fase terminal... é sempre homicídio. Sempre. Porque morre alguém por vontade de outrem.
Na vida, há momentos, um olhar, um sorriso, um beijo que duram segundos mas que valem (mais que) uma vida...
A vida é essencialmente futuro. Ainda que numa cama de hospital, em lágrimas, num mar de sofrimento... a Vida também é isso. Não é só alegria, também é dor.
Será que os médicos deixarão de fazer juramento de Hipócrates para, hipocritamente, jurar defender com aprumo, brio, disciplina e coragem militares o Orçamento? Na conclusão 6 do parecer, o Conselho refere que os médicos deviam obrigatoriamente ter mais formação ética para tomarem decisões mais justas e mais, imagine-se, responsáveis!
Argumentarão que não há recursos e perguntarão quem escolheria eu de entre dois doentes com diagnósticos e prognósticos diferentes... Mas a falta de recursos deve-se não a quem está doente, mas a quem andou a desperdiçá-los. Em casa onde não há razão, todos ralham, mas nunca há pão. Talvez porque alguém o come todo assim que chega... O problema não é o custo das terapias, mas o dinheiro que devia existir para as pagar e que foi canalizado para outras vi(d)as.
Haverá, por esta altura, uma multidão de gente à procura de uma fórmula matemática que decida, ela própria, o “sim” ou “não” em relação ao futuro dos doentes em avançado estado de despesa pública... No entanto, parecia-me bem mais humano que, em casos extremos, fosse alguém a fazê-lo, alguém com valores a assumi-lo, mas nunca um algoritmo que se aplica de forma impessoal... e atrás do qual, depois, muitos se esconderão.
Em breve, a capacidade de o Estado pagar reformas acabará... O que argumentarão, perante esse cenário, os então senhores das Ciências da (dí)Vida? Talvez alguém ligado a um qualquer conselho de ética (!) venha dizer que a vida, para além dos 70 anos, já não é vida, que a qualidade de vida dos mais novos é posta em causa por esses egoístas que já viveram mais do que o suficiente... ou talvez que se devia ter investido mais em aborto... ou outra enormidade que não me é dado imaginar...
Está completamente errado quem contribui com a sua sabedoria sobre Ética e sobre a Vida para a aplicação de medidas políticas inumanas, num país que pode ter pouco dinheiro, mas que não deixa por isso de ter muito valor. Apesar dos concidadãos que trocam vidas por dinheiro.
Resta um apelo: que se perdoem estes senhores da Ética pois, seguramente, não sabem o que dizem nem o que fazem... Na melhor das hipóteses, porque talvez nunca tenham conseguido um olhar que de um sorriso se fez beijo... mas, sabem, nunca é tarde! E vale sempre muito mais que 50 mil euros – asseguro eu.

Quedas

Inês Teotónio Pereira , ionline  29 Set 2012
A idade, a experiência e o saber contam tanto na educação como um zero à esquerda


Uma das coisas mais importantes que aprendi nesta estonteante aventura maternal é que não se aprende a educar. Educar é uma daquelas coisas que se sabe fazer ou não se sabe. Por mais filhos que se tenha e por mais anos que passem, os erros repetem-se, aprofundam-se mesmo, e as asneiras multiplicam-se de forma exponencial. Ao contrário do que acontece com a matemática, na educação não se aprende com os erros. Se erramos uma vez, isso quer dizer que vamos errar muito mais vezes. É só uma questão de tempo e oportunidade.
Isto da educação, ou se tem ou se nasce com jeito, assim como se nasce com jeito para a música ou para o futebol, ou não se nasce com jeito para educar. A experiência ou os livros na educação não servem para nada, da mesma forma que uma pessoa que tenha um ouvido duro para a música não aprende a tocar piano por ter seis pianos em casa ou por ter um piano há vários anos. Ou tem ouvido ou não tem.
Por exemplo, eu. Ora, eu, apesar de ter alguns filhos, continuo na mesma. Não melhorei nem um bocadinho (e também não sei tocar piano). Os anos passam e eu continuo a gritar com as crianças, a dizer que sim quando estou bem-disposta e não quando não estou, a dar-lhes palmadas com a intensidade correspondente ao meu estado de espírito e não conforme a gravidade da infracção, a perder a cabeça cada vez que estou perante um qualquer trabalho de casa, etc., etc., etc. Não tenho remédio. Podia ter 20 filhos que o desgraçado do vigésimo iria sofrer tanto quanto o primeiro. A idade, a experiência e o saber contam tanto na educação como um zero à esquerda. O que conta, meus senhores, é a chamada queda para educar: há quem tenha queda e há quem não saiba cair.
E o pior, o que torna a coisa ainda mais deprimente, é que quando percebemos que pertencemos ao grupo dos educadores indigentes, desistimos e deixamos de nos esforçar. Tomamos consciência da nossa enorme incompetência e assumimo-la com a displicência do tipo juvenil: “Olha, eu sou assim, quem gosta, gosta, e quem não gosta, azar.” E voltamos, alegre e despreocupadamente, à gritaria matinal.
Por exemplo, eu. Eu agora já não perco muito tempo antes de começar a gritar, já não faço cerimónia. À mínima contrariedade, grito e acabo logo com o suspense. Meias sujas no chão: já não peço para as arrumarem, grito logo. Já desisti de, vá, contrariar a minha natureza. Rendi-me à minha incompetência.
Dantes, ainda me esforçava para seguir o exemplo daquelas mães calmas e serenas, compreensivas e silenciosas, delicadas e bondosas que nunca se alteram, que têm sempre um sorriso maternal e um tom de voz civilizado. Mães a sério (tipo a minha).
Ora, está visto que ninguém aprende a ser mãe assim. Não há forma natural (os ansiolíticos não valem) de aprender a ser como a mãe dos Cinco, que em 21 livros nunca levantou a voz nem pôs as crianças de castigo, nem mesmo quando elas foram sozinhas para uma ilha atrás de uns contrabandistas sem pedirem autorização. Não se aprende a ser do tipo de mães que não se angustiam e que, nas situações extremas – do tipo lutas entre irmãos em que chovem cadeiras e candeeiros –, se limitam a ficar tristes em vez de correrem a criançada de castigo.
Teoricamente, todos sabemos como se educa; na prática, fazemos tudo ao contrário. Só quem nasceu com a dita queda é que se safa. Os filhos, esses, sobrevivem a tudo: melhor ou pior educados, todos eles irão herdar a dívida nacional.

Se o jornal não traz a verdade até nós, temos nós que a ir procurar

Em dia de “mega” manifestação contra a troika, o governo e, quem sabe, contra uma realidade que temos dificuldade em aceitar, é mesmo melhor encarar a realidade com realismo e dar primazia aos factos sobre as opiniões e estados de alma. Infelizmente os nossos jornais não ajudam. Por exemplo, o Público de hoje dá nota de um relatório do INE, discretamente no canto da página 16, para salientar um défice acima das metas previstas pelo governo. Porém, avisado pelo Henrique Pereira dos Santos, e indo ao relatório que o Público usa para confirmar a desgraça, dou-me conta de que as notícias são muito animadoras. Vão lá e leiam aquilo que os jornais preferem esconder
As coisas estão negras, mas há muitos sinais de que estão a melhorar e há situações que nos chamam a atenção para escolhas que é preciso fazer:  Prefere ter um SNS de topo ou uma estação de telev...isão pública? Nas nossas vidas sabemos que não é possível ter sol na eira e água no nabal. Na nossa vida de comunidade a regra é a mesma.
Miguel Esteves Cardoso revela aqui um mixed feeling perante os sinos que marcam o tempo em Almoçageme.
Veio-me à memória este lindo texto de Eduardo Prado Coelho (1944-2007) : Os sinos da minha aldeia. Convido-vos a lê-lo. É um dos textos que agrupo na categoria Top10.
Continua a mostrar-se como centro de um interesse muito significativo entre os leitores do Povo este comentário ao artigo de José Vítor Malheiros em que ele perguntava se a dívida existia mesmo: O José Vítor existe mesmo?

É melhor olhar para os factos....

Henrique Pereira dos Santos
Facebook, 2012-09-29

Todos os que dizem que a receita está a falhar e que é preciso voltar aos estímulos aos crescimento (suponho que na mesma receita dos anteriores, visto que os inovadores como as alterações da TSU não lhes agradam) devem olhar bem para este quadro para evitar dizer asneiras.

O relatório vale a pena ser lido integralmente, sobretudo para os viciados em jornais e noticiários. A distância entre o quadro negro e sem horizonte com que somos bombardeados todos os dias tem aqui um desmentido categórico: as coisas estão pretas, mas estão muito menos pretas do que estavam e lá no fundo, no fundo, já se começam a vislumbrar uns cinzentos, em especial o quase equilíbrio das necessidades / capacidades da economia se financiar, depois de três anos inacreditáveis. São evidentes as razões das descidas dos juros da dívida portuguesa.
Ver aqui e também  aqui (com quadros em excel dos núemros mais relevantes).

Toquem os sinos

Miguel Esteves Cardoso
Público 2012-09-29

Começam às oito da manhã, comoito badaladas. Passada meia hora para quem conseguiu premir, nas complicações do ouvido interno, o snooze apropriado para lidar com um carrilhão de sinos, soa um lembrete de sininhos.
Às nove vêm nove das pesadas, capazes de levantar da cama o próprio colchão.
Tão certos estão os sinos da igreja de já não permanecer ninguém na cama que às dez da manhã, a seguir às dez badaladas, toca um melodioso hino litúrgico que felicita as pessoas por estarem acordadas, já a trabalhar, ainda a tomar o pequeno-almoço ou, idealmente, a pensar em ir à missa.
É um jingle que, feliz ou infelizmente (não sabemos, estando ainda em estado de choque), não mais se repetirá ao longo do dia ou da noite. Só quem consegue acordar depois das dez da manhã, por lassidão, devassa vivencial ou droga, não conhece os duvidosos benefícios que oferece.
Desde que viemos viver para Almoçageme que a nossa noção do tempo mudou. Mudou para a verdade. Não é só a igreja que dá as horas: a vista, que mistura o cabo da Roca com a serra de Sintra, convoca os tempos da terra e do mar.
Os sinos da igreja de Almoçageme substituem, com brilho e espiritualíssima eficácia, os relógios de todas as espécies; os telemóveis e os iPhones.
Regressamos assim ao nosso tempo — que é o tempo de todos. Os sinos subjugam-nos. Ensinam-nos. As badaladas substituem, com razão, os nossos relógios imorais. Estamos vivos. Soem os sinos. Oh não. Lá estão eles outra vez.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Contas Nacionais trimestrais (2º trimestre de 2012) Aumenta a taxa de poupança

Relatin e 2012 Trim 2

Prefere ter um SNS de topo ou uma estação de televisão pública?

Bruno Faria Lopes, i-online 28 Set 2012


Portugal é de novo agitado pela verdade inconveniente de que há racionamento na saúde. Ainda bem. O debate dá-nos o poder para escrutinar – e fazer escolhas cruciais

“Vivemos numa sociedade em que, independentemente das restrições orçamentais, não é possível em termos de cuidados de saúde todos terem acesso a tudo. Será que mais dois meses de vida, independentemente dessa qualidade de vida, justificam uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros? Tudo isso tem de ser muito transparente e muito claro, envolvendo todos os interessados”. A frase é do presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Miguel Oliveira da Silva, e gerou – como sempre no debate público em Portugal – uma reacção emocional e acusações de eugenismo. Mas será mesmo assim?
À primeira vista parece estranho que seja o Conselho de Ética a levantar publicamente o problema do racionamento de cuidados de saúde. Mas, na verdade, é de uma questão de ética que estamos a falar, sobretudo quando ninguém no poder político está disposto a assumir que o racionamento de cuidados e saúde já existe em Portugal. Ainda em Junho o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, garantiu com visível agitação que “não há racionamento implícito no Serviço Nacional de Saúde”, mas sim “uma racionalização cada vez maior no sentido de só fazermos às pessoas aquilo que faz bem às pessoas”. São palavras que devem ter despertado o pobre Orwell na tumba.
O racionamento existe – e, a avaliar pelo que aí vem no orçamento da saúde poderá aumentar. No essencial trata-se de limitar o número de exames e de medicamentos à disposição dos médicos no SNS, no que caminhará cada vez mais para um regime de linhas orientadoras padrão, à semelhança do que existe noutros países europeus (como o Reino Unido). O objectivo é poupar despesa. Para isso, as linhas definem, por exemplo, listas de medicamentos e orientações para tratamento (abandono de terapêuticas muito caras em situações terminais, por exemplo). Casos de pessoas com cancro, sida e artrite reumatóide – doenças muito caras – são alvos preferenciais.
Quando se pensa em racionar cuidados de saúde são muitas as perguntas. Quem define as linhas orientadoras? Se um médico souber de um tratamento melhor, mas que viola a linha orientadora – algo provável no cancro, por exemplo, em que a investigação anda rápido – que liberdade tem para agir num contexto de aperto orçamental violento? E por racionamento estamos a falar só de não gastar 50 mil euros em casos sem esperança ou estamos a travar sistematicamente a entrada de tratamentos inovadores?
Discutir estes problemas em público – tirá-los do manto de falsa oratória política e da gaveta do secretismo – é obrigatório. Em primeiro lugar porque permite escrutinar melhor o processo de decisão sobre “orientações” que, com o objectivo compreensível de evitar o desperdício, envolvem a nossa saúde, seja da frequência com que fazemos exames à delicada opção por um novo tratamento para um cancro. Depois, porque é mais honesto: informa as pessoas sobre o que podem esperar do SNS (dá-lhes poder perante o sistema) e tira dos médicos (formados para fazerem tudo pelos doentes) o peso exclusivo de agirem como gestores hospitalares.
Mas a transparência tem outro grande benefício: permite-nos saber onde está a tolerância da sociedade na hora de racionar cuidados de saúde. A necessidade de poupar na Saúde pública é irrefutável. Mas, no debate sobre Saúde, olhamos sempre para o SNS como uma ilha isolada. Não é. Em 2012 o SNS representará cerca de 10% do total da despesa pública em Portugal.
Há, por isso, muita margem para fazer escolhas. O que queremos? Um serviço de saúde de país avançado ou uma estação de televisão pública? Um óptimo serviço de saúde ou mais pressão política do país para renegociar os juros da dívida? Cortar nos 222 milhões de euros que custam por ano os medicamentos para o cancro ou cortar mais ainda nos apoios às fundações e nas borlas nas PPP? (Estes são dilemas fáceis...) É preciso escolher – e para sermos pressionados para pressionar o poder político a escolher o melhor possível, com cabeça fria e coração quente, precisamos de informação. Não mandemos, por isso, pedras a quente sobre quem tenta trazer estas questões para a luz do dia.

Churchill

No seu curto artigo das quintas feiras, João César das Neves dá uma nota optimista, melhor realista da situação nacional e cita Churchill “Mas isto não é o fim. Nem sequer o princípio do fim. É talvez o fim do princípio”.
Nem de propósito ao “folhear” a Internet, dou-me conta como a história e personagens com a dimensão de Winston Churchill podem ser inspiração nestes tempos de dificuldade. Pedro Leal, a propósito do momento delicado da política nacional lembra a clarividência, melhor, a sabedoria de que o estadista inglês deu provas na véspera da batalha de Inglaterra: “Vamos, portanto, entregar-nos àquilo que temos que fazer. Daqui a mil anos, ainda se dirá de nós: “Aquele foi o seu melhor tempo!”.
Recomendo ainda a excelente lição sobre dívida pública no artigo O José Vítor existe mesmo?
Peço a vossa generosidade para considerarem disponibilizar algum do vosso tempo na ajuda à PEREGRINAÇÃO A PÉ DE COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO - AJUDA...

Aquilo que nenhum político vos dirá

Público 2012-09-28 José Manuel Fernandes
Portugal pode não ter alternativa a renegociar a dívida e a sair do euro. Mas não será nada bonito de se ver

Quando pensamos que nada pode correr pior, é sempre possível que tudo piore ainda mais. Por isso é bom começar a pensar nos cenários de que ninguém nos fala, sobretudo não nos falam os políticos. Os cenários de falhanço completo da estratégia seguida nas últimas décadas. Pois é a isso que estamos a assistir.

Há 20 anos, quando Portugal assinou o Tratado de Maastricht, ainda Cavaco Silva era primeiro-ministro, vivíamos duas imensas ilusões. Nos anos anteriores a economia portuguesa tinha crescido a um ritmo que não conhecia desde o final da década de 60, início da década de 70. A adesão à União Europeia e o cavaquismo triunfante pareciam estar a cumprir o sonho de gerações de portugueses, isto é, a rápida aproximação ao nível de vida da Europa desenvolvida. A economia passava por um rápido processo de transformação e liberalização. Comprometermo-nos com um tratado que procurava fazer de toda a União uma espécie de Alemanha gigante parecia não só razoável como lógico.

Este sonho não era só português, era de toda a Europa do Sul, e pareceu estar a materializar-se quando, no caminho para a moeda única, a inflação começou a desaparecer, as taxas de juro baixaram de forma dramática e pareceu haver dinheiro para todos os investimentos, mesmos os mais disparatados, e para um consumo sem limites. Embebedámos-nos, como se embebedaram os gregos, os espanhóis e os italianos. Nos nossos países aconteceu com o euro o contrário do que devia ter acontecido. Em vez de nos tornarmos mais disciplinados, como os actores das economias do Norte da Europa, ficámos mais irresponsáveis. Em vez de aproveitarmos os mecanismos da moeda única para abrirmos mais as nossas economias, aprofundando o mercado único, fechámos essas economias, diminuindo o seu grau de integração com o resto da zona euro. Isso não correspondeu sequer a uma reacção irracional: as empresas, face ao boom do mercado interno de cada país, insuflado pelo crédito fácil, deixaram de procurar os mercados externos. Para usar a linguagem dos economistas, o dinheiro disponível passou do sector transaccionável para o sector não transaccionável.

Ou seja, o euro fez-nos muito mal. Não só nestes últimos anos, mas desde que, como se diz com algum exagero mas também com verdade, começámos a destruir a nossa indústria e a ver tornarem-se nas grandes empresas nacionais os fornecedores de serviços protegidos da concorrência (telecomunicações, energia), os grupos de comércio a retalho e os conglomerados da construção civil.

O resultado de tantos anos de escolhas erradas foram duas dívidas gigantescas. A dívida pública está a um passo de ultrapassar os 120% o PIB. E a dívida externa (que inclui as dívidas das empresas, dos bancos e dos particulares ao exterior) disparou para valores ainda mais estratosféricos, tendo uma evolução negativa muito rápida, pois em 1995/96 Portugal praticamente não tinha dívida externa. O crescimento da dívida pública é o resultado dos défices acumulados pelo Estado; o crescimento da dívida externa é a consequência de há quase 15 anos Portugal ter sistematicamente consumido, ano após ano, mais 10% do que aquilo que produz.

As intenções de quem negociou o euro e subscreveu Maastricht podem ter sido as melhores do mundo, e não há dúvidas de que as economias do Norte da Europa, mesmo as que não aderiram à moeda única (casos da Suécia, Dinamarca ou Polónia), souberam tirar o melhor partido das oportunidades criadas. Já entre nós o sonho de ver o nosso portugalito transformado numa versão atlântica e ensolarada da Alemanha foi apenas uma enorme ilusão. Fatal ilusão.

Hoje o nosso país está preso numa armadilha. Porque está no euro, não tem política monetária, logo não pode desvalorizar a moeda para tornar as importações mais caras e as exportações mais competitivas. Porque está no euro, o Banco de Portugal não se pode pôr a imprimir moeda para ajudar o Estado a pagar as suas dívidas e o seu défice. Porque está no euro, está num colete de forças. E o esforço para sair desse colete de forças está a falhar.

O processo que iniciámos há pouco mais de um ano é uma tentativa desesperada de recolocar Portugal num, chamemos-lhe assim, "caminho alemão", ou "caminho nórdico". Por um lado, diminuir o défice público. Por outro, reverter os equilíbrios da economia para a fazer exportar mais e importar menos, processo impossível de conseguir sem uma compressão do consumo interno. À frente desse processo tem estado o mais "alemão" de todos os ministros das Finanças da democracia portuguesa, Vítor Gaspar, ele mesmo um homem das negociações de Maastricht.

Parece estar a tornar-se óbvio que Portugal não quer, ou não pode, ou não consegue, seguir este caminho. Não o digo por causa das manifestações do 15 de Setembro. Digo-o por causa do que significou o Conselho de Estado. E das exigências da Concertação Social. Digo-o porque os portugueses, como é seu hábito secular, querem tudo e não querem nada. Ainda ontem era muito significativa a capa do Jornal de Negócios sobre o que os portugueses quereriam do próximo Orçamento do Estado: "Lóbis, corporações, empresários e sindicatos estão juntos. Pedem menos cortes, mais investimento, apoios às exportações, redução selectiva da TSU, descida do IVA e aposta na reabilitação urbana." Ou seja, querem como de costume que tudo fique na mesma.

Como se isto não chegasse, os nossos números são demasiado pesados. O pagamento de juros da dívida pública já leva mais dinheiro do que o que se gasta em Educação ou em Saúde, e, enquanto existir défice público - mesmo que seja apenas de 3% -, essa dívida vai continuar a subir. Por outro lado, para voluntariamente chegarmos ao equilíbrio orçamental, teríamos de cortar quase um quinto das despesas do Estado e da Segurança Social, se tomarmos como referência o ano de 2010. Isso não é possível sem abdicar de boa parte do nosso Estado social, o qual consome três quartos da despesa pública primária.

Mas há mais. Mesmo aquilo que está a correr melhor - o equilíbrio das nossas contas externas - é muito insuficiente para permitir grandes optimismos. Um economista que se tem dedicado ao tema, Ricardo Cabral, estima que para reequilibrar em 15 anos a nossa situação necessitaríamos de crescer 4% ao ano e de ter um saldo positivo na balança comercial de 6% (o tal saldo que foi sempre negativo desde a II Guerra Mundial). Ninguém acredita que seja possível.

Tenho falado nos últimos meses com muitos economistas, incluindo com antigos ministros das Finanças, que conhecem os números e convergem quase sempre num ponto: assim não vamos lá. Curiosamente quase todos eles se inibem de tirar as consequências, porque isso implica tocar em dois tabus. São esses tabus que temos de começar a discutir.

O primeiro tabu é o da renegociação das dívidas. Não que essas dívidas não existam, como dizem os viciados em despesa pública. Mas porque genuinamente não conseguimos pagá-las e elas condicionam demasiado o nosso futuro para podermos ter qualquer esperança.

O segundo tabu é o do abandono do euro, acabando de vez com a ilusão de que conseguimos ter a disciplina dos alemães. A nossa economia, para nossa desgraça, não mostrou ser capaz de viver sem inflação e sem desvalorizações. Será o fim do nosso sonho de convergência com "a Europa", mas marcará também o regresso a uma vida com os pés na terra.

O país que sairia destas duas medidas não seria bonito de se ver, mas seria ao menos um país de novo entregue a si próprio, que teria reconquistado a liberdade que pusemos nas mãos da troika. É altura de começar a discutir o preço que teriam para todos nós estas alternativas. Estou cansado da conversa sobre os "cortes" por parte de quem, na verdade, não quer "cortes" nenhuns e tem como único sonho encontrar quem que nos pague as contas, chamando a isso "solidariedade".

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ulrich: Ajustamento de Portugal é "notável" e devíamos "chapar isso na cara desses articulistas do Financial Times"

27 Setembro 2012 | 16:52 negocios online
Ana Laranjeiro - alaranjeiro@negocios.pt

Presidente do BPI defende que o ajustamento que Portugal está a fazer é "notável" e que há demasiadas pessoas a comentar a situação nacional.
Fernando Ulrich (na foto), presidente do BPI, considera “notável” o ajustamento que Portugal estar a levar a efeito.
O banqueiro, presente na conferência da Exame, em Lisboa, recordou alguns números para sustentar esta opinião.

“O défice orçamental, sem medidas extraordinárias, em 2009 e 2010 foi praticamente igual 17 mil milhões de euros, o que representou 10,2% do PIB num ano e 9,8% no outro. Em 2012, aquilo que se estima, sem medidas extraordinárias é um défice de 10 mil milhões de euros, 6,1% do PIB. Desde 2010 até 2012, o défice, sem medidas extraordinárias, reduz quase sete mil milhões de euros em dois anos, o que são quase 3,7 pontos percentuais de PIB e, a primeira coisa que temos de assumir é que é um resultado muito bom em qualquer parte do mundo”, afirmou.

Por isso, Ulrich defende que “temos de nos orgulhar disto e usar isto como bandeira e chapar na cara desses articulistas do ‘Financial Times’ e outros que tais”.

Continuando nos números das contas públicas, o presidente do BPI, assinalou que o “défice sem juros e sem medidas extraordinárias foi à volta de 12 mil milhões de euros em 2009 e em 2010, que dá cerca de 7% do PIB em cada um dos anos”.

“Em 2012, será de menos 1600 milhões de euros, menos um por cento do PIB. É um ajustamento de 10,4 mil milhões de euros em dois anos o que representa seis pontos percentuais no défice primário e sem medidas extraordinárias. Isto é notável e é um motivo de orgulho para todos os portugueses, estejam no Governo, estejam na oposição”, acrescentou.

Quanto à despesa primária “sem juros e sem medidas extraordinárias, ela atingiu o pico histórico 83 500 milhões de euros em 2010, 48,4% do PIB. Este ano deverá atingir pouco menos de 70 mil milhões, ou seja, 41% do PIB. São menos 13700 milhões de euros, em dois anos, o que são 8,2 pontos percentuais de PIB”.

Neste sentido, Fernando Ulrich considera que isto é “notável”. “Temos de estar orgulhosos disto e é isto que nos dá força, eventualmente, para agora ter obtido da troika um alívio nos objectivos. É porque há aqui um trabalho de consolidação orçamental em dois anos que é notável”, sustentou.

O banqueiro disse ainda que tem visto muitas personalidades a comentar a situação portuguesa, em particular nas televisões, mas sem atentar aos números. Ulrich aproveitou a ocasião e o facto de Francisco Pinto Balsemão estar na plateia para dizer: “prefiro ver a Gabriela”, uma novela transmitida pela SIC.

472º aniversário da Companhia de Jesus

Na Companhia de Jesus, a data de hoje é uma daquelas que, para todos os efeitos, é considerada fundacional, pois foi neste dia (27 de Setembro) de 1540, ou seja, há 472 anos que a Ordem Religiosa a que pertenço, a Companhia de Jesus, foi oficialmente aprovada pelo Papa Paulo III, dando-se então início a esta secular e providencial aventura no Espírito de Servir a Igreja e a Humanidade em União com Cristo e a Sua Missão de Salvação, Missão esta a que, ao longo destes quase 500 anos de história, com os seus altos e os seus baixos, as suas virtudes e as suas quebras, mas sobretudo com a admirável, e sempre surpreendente Graça de Deus, os membros da Companhia de Jesus, cada um a seu modo, têm dedicado, pela Graça que só Deus dá, o melhor das suas vidas e da sua acção, oferta e oblação feita sempre em comunhão com a Igreja e com tantos homens e mulheres que, directa ou indirectamente, mais de perto ou mais ao longe, sempre participam, no passado como agora, na missão apostólica que é a da Companhia de Jesus. 
Por outras palavras, hoje é o dia em que, literalmente, como Instituição dentro da Igreja, nasceu a Companhia de Jesus, cabendo aos Jesuítas de hoje celebrar, pelo menos interiormente, esta Graça extraordinária de poder pertencer a um corpo apostólico, radicalmente histórico e contudo radicado em Deus e na Sua vontade, a passagem dos primeiros 472 anos da nossa história, sendo que desta fazem parte grandes feitos de Santidade e de Serviço ao Reino, mas também os anos em que, por graves incompreensões de muitos, entre eles o “nosso” Marquês de Pombal, a Companhia de Jesus, sem nunca ter deixado de existir graças às maravilhas da Providência divina, deixou contudo de ter "existência oficial" na Igreja entre 1773 e 1814. A data de hoje, para todos os efeitos, não nos pode senão encher de gratidão, e fazer-nos redobrar na responsabilidade histórica de sabermos que a Missão da Companhia ao Serviço da Igreja e para a Maior Glória de Deus, não é coisa já feita, mas Obra a continuar; de facto, empreendimento que está sempre a pontos de começar.
A Companhia de Jesus, aprovada por Júlio III a 27 de Setembro de 1540, continua ainda hoje a ser (e ai dela se não o é!) uma instituição apostólica "geneticamente" associada ao Papado, carismaticamente ao Serviço da Igreja, espiritualmente centrada no "ser-de-Cristo", radicalmente empenhada no Maior e mais Global Serviço do Reino a partir de ponto de difusão universal que, desde 1540, é este: Roma. Neste caso, porém, com um qualificativo que não posso deixar de mencionar, e que é este: o centro de irradiação é suposto estar em toda a parte, ou seja, ali onde quer que haja um coração disponível para o Serviço segundo a inspiração e a dinâmica ínsita aos Exercícios Espirituais!

Pe. João Vila-Chã Facebook, 2012-09-27

Fim do Princípio

DESTAK | 26 | 09 | 2012   20.09H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt

As guerras não são ganhas com evacuações» (Winston Churchill, discurso na Câmaras dos Comuns, 4 de Junho de 1940). Esta frase é um aviso simples, mas sempre necessário. A Inglaterra tinha conseguido um grande sucesso, retirando face aos nazis triunfantes no continente, através de uma operação audaciosa e heróica. O primeiro-ministro, em vez de um discurso de sucesso, teve a coragem e sensatez de lembrar este princípio simples. Por grandioso que fosse o acontecimento de Dunkirk, o problema continuava por resolver.
Este é um conselho importante no actual momento socio-económico da vida nacional. As recentes manifestações obrigaram o Governo a recuar na subida da TSU. Mas a satisfação de tantos com esse triunfo é tolo. Ouvindo-o, até parece que os inimigos são os ministros e que derrotá-los melhora algo na situação. É importante lembrar que o mal não estava na TSU. Uma vez impedida a sua subida, o desequilíbrio nacional, como as forças nazis do outro lado da Mancha, continua tão ameaçador como sempre. A alegria pela humilhação do Governo, por justificada que seja, nada resolve.
Quer dizer que só houve evacuações? Não. Tivemos também uma «vitória – uma vitória notável e definitiva» (Winston Churchill, discurso na Mansion House, 10 de Novembro de 1942). Desde Junho, e ao fim de mais de 25 anos, as exportações subiram acima das importações. Isto é uma prova que, ao contrário do que tantos dizem, a receita está a funcionar. «Mas isto não é o fim. Nem sequer o princípio do fim. É, talvez, o fim do princípio» (idem).

Orgulho

“Um ponto-chave em que o homem é diferente de Deus é o orgulho: em Deus não há orgulho, porque ele é plenitude total e tende permanentemente a amar e a dar vida. Pelo contrário, em nós, homens, o orgulho está intimamente enraizado e exige constante vigilância e purificação”,
“Nós, que somos pequenos, aspiramos a parecer grandes, a ser os primeiros, enquanto Deus não teme rebaixar-se e ser o último”.
Bento XVI
Angelus de 23/09/2012:

Como já vem sendo hábito, apelo à vossa generosidade no apoio à Peregrinação a pé a Fátima de Comunhão e Libertação de 8 a 13 de Outubro. As necessidades e locais bem como todas as instruções de contacto podem ser consultadas aqui.



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PEREGRINAÇÃO A PÉ DE COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO - AJUDAS À PEREGRINAÇÃO - LOCAIS E NECESSIDADES

Amigos,

Como todos os anos, precisamos de equipas para levar e servir as refeições da Peregrinação. Este ano é particularmente difícil porque todos os dias são dias de trabalho, pelo que a vossa generosidade terá que ser ainda maior. Assim, mais uma vez, pedimos a todos, que disponibilizem o vosso precioso tempo.

Agradeço que me enviem (joanaqueiroz@sapo.pt) um e-mail com o vosso nome, número de telemóvel e local onde vão ajudar. Eu, depois de ter as pessoas todas que podem, formarei as equipes e enviarei a todos um e-mail com indicações mais precisas.

Dia 8.10 (2ª. Feira) – Almoço - 1 pessoa para trazer o almoço de Lisboa até Alverca (estar em Alverca às 13h/13h30m) e esperar para trazer as vasilhas de volta

Dia 8.10 (2ª. Feira) – Jantar – Castanheira do Ribatejo – Pavilhão da Juventude da Castanheira – Equipe de 3 pessoas para servir o jantar (estar na Castanheira pelas 18:30 h para ir organizando as coisas) + 1 pessoa para trazer o jantar de Lisboa até Castanheira do Ribatejo (estar no Pavilhão pelas 20h00m) e depois trazer as vasilhas de volta.

Dia 9.10 (3ª. Feira) – Almoço – Azambuja – Bombeiros – Equipe de 6 pessoas para servir o almoço (estar em Azambuja pelas 12h para pôr mesas e preparar as coisas) + 1 pessoa para trazer o almoço de Lisboa até Azambuja (estar em Azambuja pelas 13h30m) e depois trazer as vasilhas de volta.

Dia 10.10 (4ª. Feira) – Almoço – Santarém – Centro de Apoio Social – Equipe de 7 pessoas para servir o almoço (estar em Santarém pelas 12h para pôr mesas e preparar as coisas) + 1 pessoa para trazer o almoço de Lisboa até Santarém (estar em Santarém pelas 13h/13h30) e depois trazer as vasilhas de volta.

Dia 10.10 (4ª. Feira) – Jantar – Vale Figueira – Equipe de 5 pessoas para servir o jantar (estar em Vale Figueira pelas 19h para ajudar a servir o jantar) + 1 pessoa para trazer o jantar de Lisboa até Vale Figueira (estar em Vale Figueira às 20h) e depois trazer as vasilhas de volta.

Dia 11.10 (5ª. Feira) – Jantar – Minde – Pavilhão de Apoio ao Peregrino Ana Sonsa – Equipe de 6 pessoas para servir o jantar (estar em Minde pelas 19h para pôr mesas e preparar as coisas) + 1 pessoa para trazer o jantar de Lisboa até Minde (estar em Minde às 20h) e depois trazer as vasilhas de volta

Dia 12.10 (6ª. Feira) – Almoço – Boleiros – Salão Paroquial – Equipe de 6 pessoas para servir o almoço (estar em Boleiros pelas 11h30m para montar as mesas, pô-las e preparar as coisas) + 1 pessoa para trazer o almoço de Lisboa até Boleiros (estar em Boleiros às 12h30m) e depois trazer as vasilhas de volta

Muito obrigado,

Joana Queiroz

Frase do dia

É pena que as únicas pessoas que sabem como governar o País estejam demasiado ocupadas a conduzir táxis e a cortar cabelos

George Burns

Comediante americano
(1896-1996)

Destaco hoje

José Vítor Malheiros, cronista regular no Público escreve um artigo surreal cujo titulo é “A dívida existe mesmo?”. Jrd no blog Blasfémias responde passo a asso ao disparatado artigo, de uma forma notável e também muito pedagógica para quem quer compreender melhor as razões da crise em que estamos mergulhado. Ler O José Vítor existe mesmo?

Nunca reparou como alguns jovens vão vestidos para o trabalho? Bárbara Wong chegou à conclusão que a geração Morangos com açúcar está a chegar ao mercado de trabalho. O que vestir no local de trabalho? Bárbara Wong

O melhor filme de turismo do mundo é português. Veja aqui: E o melhor filme de turismo do mundo é ... portugu... (video)

Passou a muitos desapercebido mas é essencial ler a nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa do passado dia 17 de Setembro Missão da Igreja num país em crise