domingo, 31 de outubro de 2010

De joelhos para mudar a História

João Távora
emprestado de Corta-Fitas em 2010-10-31 com os agradecimentos do Povo

Como aqui refere Fernando Alves, com a habitual ambiguidade dos “Sinais”, a sua crónica matinal da TSF, de facto um grupo de católicos desde Junho de 2009 promove “Um milhão de terços por Portugal”, iniciativa que vem “incendiando” várias igrejas do país em oração comunitária. E acredite o cronista que os joelhos são de facto a mais poderosa arma dos cristãos, pois a demanda duma prece profunda e crédula envolve o Homem na mais profícua relação interpessoal: com Jesus Cristo. Ao contrário do que aparenta àqueles que não crêem, é com este Amor que as mais profundas angústias humanas se colocam sob uma mais sã perspectiva. É resultado deste Amor que Deus interfere verdadeiramente na (nossa) História. Não tenho dúvidas de que os cristãos possuem o mais poderoso recurso para enfrentar as adversidades com que somos ameaçados nestes conturbados tempos. É com os joelhos no chão que nos redimimos e libertamos. Porque como escreveu Alberto Caeiro “(…) eu sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura...".

Halloween

RR on-line, 29-10-2010 09:27

Aí está a invasão publicitária, como em todos os anos nesta época: abóboras, disfarces de bruxas, de fantasmas, de esqueletos, diabos e de morte. E com nomes sugestivos: “Filha das trevas”, “A morte branca”, “Emissário da morte”, “Fantasma do Inferno”.
Para as carteiras menos recheadas, também há forquilhas, cornos e caveiras luminosas e também perucas de lobisomen e dentes de vampiro. Basta entrar nos supermercados e centros comerciais e até mesmo nas lojas de bairro que adultos, crianças e jovens têm uma panóplia para celebrar o Halloween.
A festa das bruxas, que se celebra na noite de 31 de Outubro, coincide com a véspera de todos os santos. Todos os anos a Santa Sé alerta para o carácter pagão do Halloween que "tem um pano de fundo de ocultismo e é absolutamente anticristã" (L’Osservatore Romano). Alguns bispos na Europa alertam os pais para esta onda de paganismo e apresentam alternativas curiosas: as Holywins - que brinca com as palavras "Santo" e "Vencer" - lançada pela diocese de Paris para juntar os jovens e crianças na noite de 31 de Outubro.
Também os bispos do Reino Unido deixam um apelo para que as crianças se disfarcem de santos, em vez de bruxos e diabos, porque a palavra Halloween deriva da expressão inglesa “All Hallow’s Eve”, ou seja “Véspera de Todos os Santos”.
Que bom seria se os portugueses encontrassem alternativas para testemunhar a fé e a esperança cristã diante da morte, em vez de celebrarem o Dia das Bruxas.


Fundo Bem Comum

Zita Seabra, JN 2010.10.31
Foi lançada esta semana uma iniciativa muito emblemática e exemplar, vinda da sociedade e não do Estado, que merece ser divulgada num país que atravessa um momento dramático e que consciencializou o medo do futuro.
A ACEGE, Associação de Empresários e Gestores Cristãos, lançou o Fundo Bem Comum, um fundo a ser gerido por uma sociedade de capital de risco e que visa promover e apoiar projectos empresariais de desempregados ou pré-reformados com mais de 40 anos.
Em Janeiro deste ano tinha sido constituída uma empresa denominada Fundo Bem Comum, com um capital de 2,5 M euro, estruturada pela Mckinsey e que se tornou possível graças ao apoio e à aposta do Banco Espírito Santo, do Grupo José de Mello, da Caixa Geral de Depósitos, do Grupo Santander e do Montepio Geral. Juntos promoveram a constituição de um fundo de capital de risco, sugestivamente denominado de Fundo Bem Comum, destinado a promover e a financiar projectos de empreendedorismo liderados por quadros qualificados desempregados com mais de 40 anos de idade. Sublinho: desempregados, pré-reformados com mais de 40 anos de idade.
Nas palavras do presidente deste fundo, dr. Nuno Fernandes Thomaz, a iniciativa surge "da perplexidade perante uma das maiores contradições da sociedade actual, qual seja a de ser cada vez maior a expectativa de vida fisiológica de homens e mulheres, e ser cada vez menor a expectativa da sua vida profissional".
Referiu ainda que "se vive hoje cerca de 80 anos e, inexplicavelmente, se alguém for despedido com 40 - nem é preciso mais - certamente terá a maior dificuldade em arranjar novo emprego. Com tudo o que isto significa de dramático em termos pessoais e familiares e, não menos significativo, com o que em termos económicos representa de delapidação de valiosos recursos humanos. E essa é a mensagem principal desta iniciativa: por um lado, impedir que pessoas com tanto para dar à nossa economia sejam desaproveitadas e esquecidas e, por outro, desafiar quantos caiam no desemprego a recusar pôr um ponto final na sua vida profissional".
É certo que se tem assistido a diversas iniciativas de fundos de capitais de risco para suprir as dificuldades de financiamento de novos projectos empresariais, mas que tenha como condição destinar-se a maiores de 40 anos, visando estimular desempregados com experiência profissional a desenvolver projectos empresariais, não conheço mais nenhum.
Para se perceber a inovação do Fundo Bem Comum, sublinho ainda dois aspectos importantes. O primeiro, o facto de experientes membros da ACEGE, empresários e gestores de grande prestígio e sucesso se disponibilizarem, sem custos, para a execução das tarefas de selecção e avaliação das candidaturas e de "coaching" dos promotores e dos projectos. Segundo: a qualidade das parcerias que também graciosamente diversas entidades disponibilizaram, num país habituado a só olhar para o Estado de mão estendida com as consequências que estão à vista. É o caso da MLGTS & Associados na área jurídica, o VER na área da comunicação, a Partners na área da imagem, a KPMG, a Accenture e a Moore Stephens na área da auditoria, a Dynargie na área da formação e cooperação como co-investidor da Inov Capital.
Quando temos a sensação de que tudo se afunda no país, e o desespero e o medo substituem a esperança, há sempre projectos exemplares, pioneiros, que nascem e que rompem caminhos num país desgastado pela falta de valores, onde se vive com a sensação de que se atola no meio da corrupção, dos carros de alta cilindrada, dos comités e das comissões, dos institutos públicos e dos lugares fáceis. O Fundo tem rostos diversos de gente boa. Assinalo quatro nomes: António Pinto Leite, actual presidente, Jorge Líbano Monteiro, secretário-geral, padre Mário Rui Leal Pedras, assistente eclesial, e o ex-presidente João Alberto Pinto Basto, o homem que foi um dos fundadores de um importante Banco - o Banco Alimentar Contra a Fome - e que na ACEGE deixa um notável trabalho. No meio da crise, percebe-se que este país triste e deprimido tem gente boa para a qual vale a pena olhar.

Zita Seabra
Alêtheia Editores SA
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1200-433 Lisboa
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www.aletheia.pt

Sentença de um não-aborto ou o aborto de uma não-sentença

Público, Padre Gonçalo Portocarrero de Almada
Compreende-se que uma entidade especializada em diagnósticos pré-natais seja responsabilizada por erro grosseiro, mas...

O Supremo Tribunal de Justiça espanhol condenou uma administração regional de saúde e um laboratório a pagar uma pensão mensal vitalícia a uma criança nascida com síndrome de Down e, ainda, uma indemnização de 150 mil euros aos pais. Quer a pensão, quer a indemnização, são uma compensação pelo nascimento "indevido" do filho, que teria sido abortado se os pais tivessem conhecido a sua deficiência, a tempo de interromper legalmente a respectiva gravidez. Contudo, a negligência do laboratório impediu detectar o mongolismo da criança, pelo que se deu o seu "indevido" nascimento. Mas o dito supremo tribunal decidiu não só responsabilizar os organismos de saúde responsáveis pelo desconhecimento dessa penosa malformação congénita, como também indemnizar os pais pelo facto de, por este motivo, a não terem podido abortar.

Compreende-se que uma entidade especializada em diagnósticos pré-natais seja responsabilizada por um erro grosseiro, como foi, neste caso, ao que consta, uma troca de análises. O que já não parece razoável é que seja atendível juridicamente a pretensão de eliminar um filho, à conta de uma sua deficiência congénita com que não se contava e que, em teoria, poderia ter sido conhecida a tempo de interromper legalmente a dita gravidez. O Supremo Tribunal de Justiça hispânico, ao proceder deste modo, está na realidade a reconhecer um pretenso "direito à morte" do filho deficiente, o que, em termos práticos, implica a institucionalização jurídica do parricídio como um direito - talvez algum dia elevado à condição de direito fundamental ou, até, do mais desumano dos direitos humanos - e uma consagração jurídica do princípio da exterminação dos seres humanos portadores de graves limitações.

Se houve troca de dados, isto é, se houve um casal que ficou sem saber que o seu filho padecia trissomia 21, houve necessariamente outro que foi erradamente informado de que o filho tinha esta anomalia, não a tendo. Seria portanto lícito que também estes pais exigissem uma indemnização pelo erro laboratorial de que foram igualmente vítimas e que, supostamente, lhes terá causado não pouco sofrimento.

Mas - pode-se perguntar - que aconteceria se estes segundos pais alegarem agora que, por razões económicas prementes, era sua intenção inicial abortar legalmente o filho, mas que, depois de erradamente informados de que o mesmo era mongolóide, por compaixão acabaram por decidir não o fazer? Poderiam, agora, também eles exigir responsabilidades ao Estado e ao laboratório pelo "indevido" nascimento de um filho que, de outro modo, não teria sido dado à luz?!

Qualquer que seja a resposta a estas questões, uma coisa é certa: se, para o ordenamento jurídico, alguém inocente pode viver "indevidamente", então não há ninguém que possa viver "devidamente" e a vida é, juridicamente, não um direito inalienável da pessoa humana, mas tão-só mais um interesse em jogo e, como tal, transaccionável.

Numa sociedade que não valoriza a vida humana, que subestima os portadores de deficiências profundas e aceita a sua inócua eliminação pré-natal ou terminal, não será de estranhar que, com este bizarro precedente, apareçam indivíduos sem escrúpulos apostados em fazer render, como no caso em apreço, um seu suposto "direito à morte". Afinal de contas, um filho deficiente que aufere mensalmente uma pensão vitalícia três vezes maior do que o salário mínimo nacional e ainda oferece o bónus de 150 mil euros a seus pais é - não obstante a infelicidade da sua deformação, que obviamente nenhuma quantia, por avultada que seja, pode compensar - um "rico" filho. Sobretudo se comparado com tantas crianças em situação análoga que, contudo, não auferem o tratamento de excelência a que também teriam direito e cujas famílias são praticamente ignoradas pelo Estado, talvez pelo facto de estes pais terem desejado, recebido e amado esses filhos desde os primórdios da sua gestação, com todas as suas particularidades que, como é evidente, em nada afectam a sua dignidade.

O rei Salomão, que a Bíblia exalta pela sua prudência e sabedoria, identificou a verdadeira mãe de um recém-nascido, reivindicado por duas mulheres, como sendo aquela que antes o queria são e salvo nas mãos de outra pessoa do que morto em seu poder. Alguém que invoca a posteriori um pretenso "direito à morte" de um seu filho, seja ele qual for ou como for, certamente não merece um tão grande dom. Talvez não se possam evitar estas monstruosidades, mas é lamentável que a justiça se rebaixe ao extremo de legitimar tais propósitos.

De Espanha, decididamente, nem bons ventos, nem "indevidos" nascimentos...
Licenciado em Direito e doutorado em Filosofia. Vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF)

sábado, 30 de outubro de 2010

O povo não está com o MFA

29 Outubro2010  |  11:54 Negócios on-line
Pedro Santos Guerreiro  - psg@negocios.pt

Para David Schnautz, Portugal é uma linha numa folha de cálculo.

Ontem de manhã, emprestou-nos dinheiro, comprando obrigações da República. Depois, foi surpreendido: afinal não há Orçamento - os juros dispararam. Schnautz sentiu-se enganado. E ironizou, ao Negócios: "Da próxima vez que participar num leilão de dívida de Portugal, é provável que queira cobrar um prémio de juro 'contra todos os riscos'...".

Portugal está nas mãos dos David Schnautzes. Este especialista em obrigações do Commerzbank, em Londres, representa "os mercados": os nossos credores. E nós, os aflitos, que imagem damos? A de um País em derrapagem orçamental alarmante, incapaz de se governar ou sequer de acordar mínimos olímpicos para um Orçamento do Estado. Este dia-sim-dia-não da aprovação do Orçamento é humor negro. Os Schnautzes de Londres podem dizer-nos o que Hamlet disse à mãe: "Inconstância, teu nome é Portugal".

A mãe de Hamlet, Rainha da Dinamarca, casou com o cunhado depois deste lhe matar o marido. O que se segue ao fractidício-regicídio é uma história de loucura e de alianças torpes. Também Portugal tarda em vingar os seus fantasmas, enquanto serve de entrada na Europa a ditadores. Recebemos ministros do Irão, vendemos bancos ao poder de angolanos, abrimos palácios a líbios, mendigamos dinheiro chinês, encomendamos fanfarras a venezuelanos para lhes vender pela segunda vez o que da primeira não nos pagaram. Isto não é "real politik", é carência e aflição. Tem de ser. O que custa é perceber como os mesmos que são tão fáceis para negócios exteriores se façam tão difíceis para acordos internos.

Os portugueses trabalham para pagar impostos e Portugal vive para pagar dívidas. Não estamos aqui para crescer, expandir, lucrar, investir; estamos a contrair, cortar, pagar, desendividar - estamos a destruir economia. Ou, nome técnico, estamos a entrar em recessão.

Quando José Sócrates e Passos Coelho saem de Portugal, como saíram ontem, ficam imediatamente lúcidos. "Os mercados", Angela Merkel e Durão Barroso não precisam de fazer mais do que levantar o sobreolho para fazer corar de vergonha quem insiste em ignorar os saltos do sismógrafo.

Chamar o FMI é uma rendição. Mas é, também, perdição. Porque os credores nunca estão interessados em salvar quem lhes deve dinheiro, mas em recuperar a dívida. Podemos vociferar contra a Alemanha e dizer que nos deram o euro para o gastarmos a comprar-lhes produtos, mas isso não serve de nada. Toda a política comercial externa da União foi concebida a pensar na Alemanha, foi daí que no passado surgiu a pressão da abertura à China, como é daí que surge hoje a pressão para que a China valorize a sua moeda e passe a comprar (e não apenas vender) produtos à Europa. Foi a Alemanha que nos vendeu os automóveis com que nos endividámos e os submarinos com que submergimos. Mas a cabeça é nossa. Para pensar ou para a perder. Que sirva de lição: é cada um por si e nós por nós.

Se Portugal persistir nesta balbúrdia política, teremos um FMI, não um MFA. E o FMI vem a pedido dos devedores com mandato dos credores. A proposta alemã de retirar o voto na União a países que peçam auxílio financeiro não vai passar, é apenas a debulhadora para abrir caminho à discussão. Mas mesmo sem esse radicalismo, vamos perder autonomia. Portugal não é uma empresa, é um País. Um país sem Hamlet, sem rainha, sem rei nem roque. "Há algo de podre no reino da Dinamarca."


psg@negocios.pt


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Vá a Santiago de Compostela receber o Papa


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Bento XVI apela ao diálogo entre fé e ciência

Ecclesia, 2010-10-29
Papa destaca importância da verdade na investigação científica e fala numa «Razão omnipotente» que sustenta o mundo
Bento XVI defendeu esta Quinta-feira, no Vaticano, a importância da busca da verdade na investigação científica, apelando ao diálogo entre fé e ciência.
“Os resultados positivos da ciência do século XXI dependerão em larga medida da capacidade do cientista em buscar a verdade e aplicar as descobertas de forma a que vão de mão dada com a busca do que é bom e justo”, disse.
Falando aos participantes na assembleia plenária da Academia Pontifícia das Ciências, o Papa pôs em realce os pontos de contacto entre a fé a pesquisa científica.
“Os cientistas não criam o mundo. Procuram imitar as leis que a natureza nos manifesta. A experiência dos cientistas como seres humanos é, portanto, a da percepção de uma lei, de um logos”, precisou.
Para o Papa, este dado “leva-nos a admitir a existência de uma Razão omnipotente, diferente da do homem, que sustenta o mundo”.
“Este é o ponto de encontro entre a ciência natural e a religião. Como resultado, a ciência torna-se um lugar de diálogo, de encontro entre o homem e a natureza, e potencialmente, até mesmo entre o homem e o seu Criador”, acrescentou.
Bento XVI considera que o progresso científico deve ser sempre realizado em vista “da fraternidade e da paz” para ajudar a resolver os “grandes problemas da humanidade”.
“A tarefa da ciência era e continua a ser uma procura paciente e ao mesmo tempo apaixonada da verdade, acerca do cosmo, da natureza e do ser humano”, afirmou.
Esta busca, assinalou, “pode conhecer sucessos e insucessos”, “pode viver momentos de exaltação quando se descobrem aspectos complexos da natureza, mas também de humildade quando teorias que se pensava terem descoberto alguns fenómenos se revelam pelo contrário apenas parciais”.
O Papa reafirmou a estima da Igreja pelos investigadores e a gratidão pelos seus esforços, que continua a encorajar.
“A Igreja está convencida que, em definitivo, a actividade científica recebe benefícios do reconhecimento da dimensão espiritual do homem e da sua procura de respostas ultimas”, indicou.
Por outro lado, sublinhou que “também os cientistas apreciam cada vez mais a necessidade de abrir-se à filosofia para descobrir o fundamento lógico e epistemológico da sua metodologia”.
(Com Rádio Vaticano)

A década perdida

Público, 2010-10-29 Luís Campos e Cunha
Como seria de esperar, a situação orçamental deteriorou-se para níveis nunca imaginados serem possíveis

De 2002 até hoje a economia portuguesa, basicamente, não cresceu. Se tomarmos os dados do Rendimento - e não do Produto -, a situação é ainda mais triste. Porquê?

Não conheço estudos que possam dar uma resposta quantificada e mais ou menos definitiva. É pena. Mas podemos pensar sobre o assunto. Não houve certamente um só factor mas uma conjugação de factores que determinaram o paupérrimo desempenho da economia portuguesa nos últimos oito anos, quase uma década.

Entre os muitos factores, parece-me relevante destacar quatro. Primeiro, o efeito da abertura das economias desenvolvidas à China e à Índia. Com estes países mais envolvidos no comércio mundial, os preços de muitos bens de baixa tecnologia e de produtos mais estandardizados caiu significativamente. Desde a T-shirt à torradeira acabando na televisão, a queda dos preços foi brutal. Isso tem sido certamente muito bom para o consumidor, que viu o seu poder de compra aumentar significativamente. No entanto, muitos desses produtos concorriam com as nossas exportações, nomeadamente todo o têxtil mais tradicional. Deste modo, a queda do preço destes bens no mercado internacional configura aquilo que os economistas chamam uma perda nos termos de troca. As nossas exportações viram os preços cair e as nossas empresas mais tradicionais tiveram problemas, e muitas, naturalmente, fecharam. Quando os termos de troca caem o bem-estar também cai; ou seja, teríamos de exportar mais T-shirts para podermos importar um programa de software, por exemplo...

É claro que a entrada da China no comércio mundial era bem conhecida, mas os nossos empresários sempre acharam que era só fumaça e o Estado havia de arranjar qualquer coisa. Não arranjou, nem podia.

Mas infelizmente tentou. Ou seja, com políticas de apoio à reestruturação de empresas, o Estado subsidiou empresas arruinadas, adiando e protelando os necessários ajustamentos na produção. Estes passavam com toda a certeza pelo fecho de empresas, agora inviáveis. Por isso, durou oito anos o nosso sacrifício e não apenas três ou quatro, embora os ajustamentos que tudo isto implica levem tempo. Verifica-se, desde há alguns anos, uma clara evolução nas nossas exportações para bens tecnologicamente mais evoluídos. Isto não é fruto, estou certo, de grandes políticas públicas, mas de um rearranjo nas vantagens comparativas: agora temos de exportar mais, mas fundamentalmente melhores produtos.

Um segundo aspecto tem a ver com a entrada dos países de Leste na União Europeia. A entrada de países como a República Checa ou a Hungria não só aumentou a concorrência das nossas exportações tradicionais, reforçando o efeito da China, mas também desviou muito investimento internacional. O investimento internacional, mormente da Alemanha, passou muitas vezes a preferir localizar-se em países com mão-de-obra muito mais barata e não raro mais qualificada que a portuguesa. Eram economias ávidas de capital e de novos investimentos e, para os alemães, ficavam ali mesmo ao lado. Sem dúvida que este factor explica em grande parte a queda no investimento directo estrangeiro em Portugal nos últimos dez ou quinze anos, o que contribuiu para a estagnação da última (quase) década.

A reacção dos vários Governos a esta perda de capacidade de atracção de investimento internacional não foi a melhor. Como sempre, em vez de os resolver, lançou dinheiro sobre os problemas.

Um terceiro factor que também teve influência - e, mais uma vez, actuou no sentido de deteriorar as nossas relações de troca - foi a subida dos preços do petróleo. No início da década o barril deveria rondar os 25 ou 30 dólares e, com altos e baixos, desde então a tendência geral foi de subida. Como o petróleo e o gás natural são integralmente importados, as importações ficaram mais caras, enquanto as exportações tradicionais viam os preços a cair. Infelizmente também aqui a reacção dos Governos foi a pior. Inicialmente protelou-se (mais uma vez o protelar) a subida dos combustíveis nas bombas e depois foi a moda, politicamente correcta, das renováveis, com especial destaque para os últimos cinco anos. A aposta nas energias alternativas - vento e sol - saiu caríssima às famílias e às empresas, que já estão a pagar a factura, com perdas acrescidas de bem-estar e competitividade.

Mas um quarto e último aspecto foi crucial e decorre do já referido atrás: o Estado. O que é que andámos a discutir desde 2002? Finanças públicas, o défice ou a dívida pública. E com boas razões o discutimos, porque este problema é um problema real como o sentimos hoje. E afugentou o investimento. De facto, um investidor internacional - que pode muito bem ser português - pode escolher entre investir na Hungria, na Polónia ou em Portugal. Os critérios de decisão têm certamente a ver com a prospectiva solidez financeira do Estado, com a expectativa do nível futuro de impostos, com a facilidade futura de acesso ao crédito, com o risco de o país não vir a pagar o que deve. Por tudo isto, o nosso país comparava mal. Para além dos outros factores muitas vezes referidos: ensino, justiça, burocracia... E sem investimento, não há crescimento.

Como seria de esperar, a situação orçamental deteriorou-se para níveis nunca imaginados serem possíveis. Tudo isto com custos para todos nós, com mais impostos, menor crescimento e mais desemprego. E a próxima década será outra década perdida? Tudo estamos a fazer para que seja. Professor universitário

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Apresentação da Associação Projecto REKLUSA


REKLUSA

Cara a cara

Público, 2010-10-28  Helena Matos
Negociar directa ou indirectamente com Sócrates implica saber que isto já aconteceu: Sócrates não é um parceiro fiável


Cara e coroa. Durão Barroso dizia que sabia que seria primeiro-ministro. Só não sabia quando. Passos Coelho sabe que só será primeiro-ministro se acertar no quando. E sabe que não pode falhar. O seu partido só lhe dará o direito a uma tentativa. Por isso joga um contínuo cara e coroa com José Sócrates.
Ontem adiou mais uma vez esse momento.

Dar a cara. O que têm em comum Eduardo Catroga, Passos Coelho, João Lobo Antunes e Cavaco Silva? Ou mais concretamente o que une as negociações do Orçamento do Estado para 2010 à escolha dos nomes para o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e à alteração do Estatuto dos Açores? A acusação de que Sócrates ou os seus negociadores não cumpriram a palavra que deram aos interlocutores dessas negociações. Mas não só. O que para o caso interessa é que essa acusação deixa sempre os acusadores com um ar assarapantado de quem ainda não percebeu o que lhe aconteceu. Quase de zanga consigo mesmos por terem sido tão ingénuos, eles que precisamente se achavam tão perspicazes e avisados.
O que agora aconteceu ao experiente e cavaquista Eduardo Catroga, quando foi confrontado por Teixeira dos Santos com uma contraproposta inegociável, foi o mesmo que ocorreu há um mês ao inexperiente e, para Belém, pouco simpático Passos Coelho, quando ouviu e viu o ministro Silva Pereira a revelar aos jornalistas o teor das reuniões até aí secretas que tinham sido mantidas entre os líderes do PS e do PSD. Foi também o que aconteceu a João Lobo Antunes, quando foi afastado do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, apesar do compromisso governamental em contrário. E como é óbvio foi o que aconteceu a Cavaco Silva, quando constatou que o Estatuto dos Açores mantinha a alteração dos poderes presidenciais e das assembleias da República e Regional dos Açores. Em todas estas circunstâncias estes homens viram-se sós perante a evidência de que só lhes restava a sua palavra contra a do primeiro-ministro ou de quem negoceia por ele.
E nessa constrangedora solidão perceberam que teriam de explicar aos portugueses que estavam a dizer a verdade. Explicação que tem implícita que existe, pelo menos, 50 por cento de possibilidades de se estar a mentir. E, cereja no cimo do bolo desta concepção equitativa do carácter ou da falta dele, vai-se deixando cair que tudo não passa duma troca de acusações e que a culpa é afinal de todos.
Negociar directa ou indirectamente com José Sócrates implica saber que isto já aconteceu, está a acontecer e vai acontecer de novo, pois o problema não está nas cedências ou nas não cedências de Teixeira dos Santos e de Eduardo Catroga. O problema é que José Sócrates não é um parceiro fiável. Desde Setembro de 2009, quando perdeu a maioria absoluta, que a estratégia de José Sócrates passa por provocar crises que legitimem perante a opinião pública o seu pedido de demissão. José Sócrates é um sobrevivente nato e não está de modo algum nos seus planos deixar-se ficar tranquilamente à espera que algures em 2011 o PS, o PSD e o Presidente acordem o seu afastamento.
A conferência de imprensa de ontem de Teixeira dos Santos foi um remake em pior da comunicação que o mesmo ministro fez ao país em Fevereiro deste ano a propósito da Lei das Finanças Regionais. E foi um remake em pior porque a situação do país é agora ainda mais grave do que era há sete meses. E um remake em mais óbvio, porque ontem, ao contrário do que aconteceu aquando da crise com o orçamento da Madeira, já nem sequer houve o cuidado de fazer de conta que era a sério: Teixeira dos Santos levou para a conferência de imprensa um longo, muito organizado e devidamente dactilografado texto para justificar a ruptura que não se entende como podia ter sido redigido no escasso tempo que decorreu entre a saída de Eduardo Catroga da sala de reuniões e o início da conferência do ministro das Finanças.
Eduardo Catroga e Teixeira dos Santos são os protagonistas de algo que naturalmente os transcende: Portugal em Outubro de 2010 é um país à espera. Não de que o Orçamento do Estado seja aprovado. Ou de que os juros da dívida subam ou desçam. Portugal é um país à espera de que aproximadamente meio milhão de eleitores decida finalmente se vota PS ou PSD, assegurando assim a base de apoio suficiente para que Portugal tenha governo.
Enquanto tal não acontecer, Sócrates vai inventar crises para conseguir sair por cima e Passos Coelho não dá o passo em frente que o leve pior do que a perdê-las a ganhá-las por muito pouco.

A cara que não devia estar lá. Obviamente a de Jorge Lacão. Sem competência técnica que justificasse a sua inclusão na equipa do PS, qual foi o papel de Lacão? Ser chaperon do entendimento que a vertente técnica dos negociadores propiciaria. Já Francisco Assis e Miguel Macedo deviam ter assistido às negociações. Mesmo que nelas não participassem directamente, a sua presença reforçava o papel do Parlamento. E a sua capacidade de intervenção na discussão parlamentar do Orçamento.

A cara que podia ficar na fotografia. Paulo Portas. Em política saber equacionar cenários é muito importante, mas convém não esquecer que a realidade é matreira: a 23 de Outubro, Paulo Portas anunciou que o CDS-PP vai votar contra o Orçamento do Estado. A 23 de Outubro, o PS e o PSD começaram as negociações que nesse dia todos auguravam ir terminar em acordo. A 27 de Outubro, Paulo Portas constata que podia ter ficado na fotografia da viabilização deste Orçamento. Mas saiu de cena antes da hora.  
Ensaísta

O rei vai nu

DESTAK |27 | 10 | 2010   20.58H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
No que toca ao sexo, vivemos um tempo doentio. A ausência de regras é a única regra admissível, o prazer é o propósito absoluto e todas as formas de o obter, por mais aberrantes, são equivalentes.
O comportamento marialva e devasso são hoje a norma e esta ditadura cultural é esmagadora. Anúncios comerciais, programas escolares, séries juvenis, literatura erudita e investigação pseudo-científica, tudo impõe a atitude dominante, que antes só se ouvia em tabernas e prostíbulos.
Esta ideologia hedonista e irresponsável (dê-se-lhe o nome que sempre teve: porcalhona) é não só popular mas apregoada a níveis oficiais. Especialistas, pedagogos e psicólogos dedicam a carreira a promover nos jovens um deboche higiénico.
Isso é que é saudável! Até o Governo, embrulhado em crises insolúveis, arranja tempo para repetidamente regulamentar a fornicação dos seus súbditos.
Só existe uma posição inaceitável: a defesa da castidade, pureza e temperança, que é dominante em todas as épocas e culturas, excepto hoje no Ocidente. Defender a decência é «conservador» e constitui o supremo pecado.
Qualquer observador imparcial vê que isto não pode ser sensato ou sustentável. A história regista casos paralelos de cegueira ideológica, com gerações obcecadas temporariamente por uma posição extremista e desequilibrada, embora raramente em tema tão nuclear.
Esta é a lição da genial história do jovem Hans Christian Andersen (1805–1875), As Roupas Novas do Imperador, publicada a 7 de Abril de 1837 em Copenhaga. Mas aqui a nudez do rei é mesmo pornografia.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

ACEGE lançou «Fundo Bem Comum»

Iniciativa quer promover emprego sustentável para pessoas com mais de 40 anos

A Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) apresentou hoje, dia 27 de Outubro, em Lisboa, o «Fundo Bem Comum» que visa promover e apoiar projectos empresariais de desempregados ou pré-reformados com mais de 40 anos.
Estimular o empreendedorismo e a economia nacional, fomentando o emprego sénior, para aquelas pessoas que, apesar de ainda terem capacidades para contribuir para o desenvolvimento social, se viram atiradas para o desemprego são os principais objectivos do Fundo.
O seminário de apresentação da iniciativa teve como tema “Nunca é tarde para recomeçar”, reunindo nas instalações da Caixa Geral de Depósitos cerca de 250 pessoas, entre empresários, economistas, políticos e cidadãos interessados.
De acordo com António Pinto Leite, presidente da ACEGE, a iniciativa resulta de um “olhar para a sociedade portuguesa, onde há muito sofrimento, tendo a associação escolhido um ponto desse sofrimento, o desemprego, focando-se naquelas pessoas com mais de 40 anos que têm perfil empreendedor, estão tristes mas não conformadas, que batem às portas e que as encontram fechadas”.
De facto, o FNC destina-se a apoiar projectos empresariais de desempregados ou pré-reformados, dentro daquela faixa etária, e que sejam considerados como sustentáveis no futuro.
“Queremos sobretudo estimular o empreendedorismo social” realça o presidente da ACEGE, em declarações à Agência ECCLESIA, mostrando-se confiante de que haverá uma adesão significativa da parte das pessoas.
“Temos indicações de que haverá neste universo de quadros médios e superiores que estamos a querer atingir, cerca de 50 a 60 mil pessoas, e dentro deste número há cerca de 5 mil com perfil empreendedor. Portanto, ao ouvir isto, vão reagir e é nesses que estamos a apostar” sublinha António Pinto Leite.
O FBC vai ser gerido por uma sociedade de capital de risco, a Sociedade Bem Comum (SBC) com um capital inicial de 2,5 milhões de Euros, aplicado em parte iguais pelas cinco instituições bancárias que colaboram no projecto: Banco Espírito Santo, Grupo José de Mello, Caixa Geral de Depósitos, Grupo Santander e Montepio Geral.
Nuno Fernandes Thomaz, membro da direcção da ACEGE, é quem terá como responsabilidade liderar a sociedade. Na sessão de apresentação, explicou que “os objectivos da iniciativa passam pelo estímulo da economia e pela promoção do bem comum”, atendendo a uma faixa da população que é, muitas vezes, esquecida pelo mercado de trabalho.
“Se alguém for despedido com 40 anos, certamente que terá muitas dificuldades em arranjar emprego e o que está em causa é impedir o desaproveitamento de recursos humanos valiosos”, reforça o mesmo responsável.
O presidente da SBC deixa no entanto o aviso de que “a gestão deste projecto seguirá sem margem para cedências a impulsos caritativos”, antes procurará “primar pelo rigor, apoiado num conjunto de parceiros que, de formas gratuita, irão garantir que só projectos sustentáveis e capazes serão apoiados”.
A empresa Morais Leitão Galvão Teles Soares da Silva & Associados vai funcionará como consultora legal da SBC, enquanto que a KPMG & Associados será a auditora do projecto.
Quanto àqueles que apoiam com o FBC com o capital, ou seja, os bancos, há a ideia unânime de que esta grave crise financeira que Portugal atravessa exige medidas novas e inovadoras, e essa foi a razão principal pela qual aderiram a esta causa.
As entidades bancárias estiveram representadas no Seminário através dos respectivos presidentes ou administradores, tendo Vasco de Mello, presidente do Grupo José de Mello e vice-presidente do Conselho de Investimento do FBC, realçado que “a única forma de aumentar a escala de investimento agora disponibilizado será garantindo que os projectos tenham sucesso, chamando mais investidores”.
A partir de hoje, quem quiser apresentar o seu projecto de trabalho, desde que cumpra os requisitos delineados pela ACEGE, poderá fazê-lo através do site oficial do FBC.
A ACEGE garante que não há sectores privilegiados para receberem os apoios, apenas ressalva que propostas ligadas à área da Restauração não deverão ser contempladas.
Todos os projectos que não caibam no âmbito do FBC serão, no entanto, encaminhados para outras entidades, garantindo que não ficarão na gaveta.

Crónica: Um segredo de um casamento feliz

25.10.2010 - 10:45 Pública Miguel Esteves Cardoso

Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.
Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.
Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.
O casamento feliz não é nem um contrato nem uma relação. Relações temos nós com toda a gente. É uma criação. É criado por duas pessoas que se amam.
O nosso casamento é um filho. É um filho inteiramente dependente de nós. Se nós nos separarmos, ele morre. Mas não deixa de ser uma terceira entidade.
Quando esse filho é amado por ambos os casados - que cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro. Têm também de amar o casamento que criaram.
O nosso casamento é uma cultura secreta de hábitos, métodos e sistemas de comunicação. Todos foram criados do zero, a partir do material do eu e do tu originais.
Foram concordados, são desenvolvidos, são revistos, são alterados, esquecidos e discutidos. Mas um casamento feliz com dez anos, tal como um filho de dez anos, tem uma personalidade mais rica e mais bem sustentada, expressa e divertida do que um bebé com um ano de idade.
Eu só vivo desta maneira - que é o nosso casamento - vivendo com a Maria João, da maneira como estamos um com o outro, casados. Nada é exportável. Não há bocados do nosso casamento que eu possa levar comigo, caso ele acabe.
O casamento é um filho carente que dá mais prazer do que trabalho. Dá-se de comer ao bebé mas, felizmente, o organismo do bebé é que faz o trabalho dificílimo, embora automático, de converter essa comida em saúde e crescimento.
Também o casamento precisa de ser alimentado mas faz sozinho o aproveitamento do que lhe damos. Às vezes adoece e tem de ser tratado com cuidados especiais. Às vezes os casamentos têm de ir às urgências. Mas quanto mais crescem, menos emergências há e melhor sabemos lidar com elas.
Se calhar, os casais apaixonados que têm filhos também ganhariam em pensar no primeiro filho que têm como sendo o segundo. O filho mais velho é o casamento deles. É irmão mais velho do que nasce e ajuda a tratar dele. O bebé idealmente é amado e cuidado pela mãe, pelo pai e pelo casamento feliz dos pais.
Se o primeiro filho que nasce é considerado o primeiro, pode apagar o casamento ou substitui-lo. Os pais jovens - os homens e as mulheres - têm de tomar conta de ambos os filhos. Se a mãe está a tratar do filho em carne e osso, o pai, em vez de queixar-se da falta de atenção, deve tratar do mais velho: do casamento deles, mantendo-o romântico e atencioso.
o contrário dos outros filhos, o primeiro nunca sai de casa, está sempre lá. Vale a pena tratar dele. Em contrapartida, ao contrário dos outros filhos, desaparece para sempre com a maior das facilidades e as mais pequenas desatenções. O casamento feliz faz parte da família e faz bem a todos os que também fazem parte dela.
Os livros que li dão a ideia de que os casamentos felizes dão muito trabalho. Mas se dão muito trabalho como é que podem ser felizes? Os livros que li vêem o casamento como uma relação entre duas pessoas em que ambas transigem e transaccionam para continuarem juntas sem serem infelizes. Que grande chatice!
Quando vemos o trabalho que os filhos pequenos dão aos pais, parece-nos muito e mal pago, porque não estamos a receber nada em troca. Só vemos a despesa: o miúdo aos berros e a mãe aflita, a desfazer-se em mimos.
É a mesma coisa com os casamentos felizes. Os pais felizes reconhecem o trabalho que os filhos dão mas, regra geral, acham que vale a pena. Isto é, que ficaram a ganhar, por muito que tenham perdido. O que recebem do filho compensa o que lhe deram. E mais: também pensam que fizeram bem ao filho. Sacrificam-se mas sentem-se recompensados.Num casamento feliz, cada um pensa que tem mais a perder do que o outro, caso o casamento desapareça. Sente que, se isso acontecer, fica sem nada. É do amor. Só perdeu o casamento deles, que eles criaram, mas sente que perdeu tudo: ela, o casamento deles e ele próprio, por já não se reconhecer sozinho, por já não saber quem é - ou querer estar com essa pessoa que ele é.
Se o casamento for pensado e vivido como uma troca vantajosa - tu dás-me isto e eu dou-te aquilo e ambos ficamos melhores do que se estivéssemos sozinhos -, até pode ser feliz, mas não é um casamento de amor.
Quando se ama, não se consegue pensar assim. E agora vem a parte em que se percebe que estes conselhos de nada valem - porque quando se ama e se é amado, é fácil ser-se feliz. É uma sorte estar-se casado com a pessoa que se ama, mesmo que ela não nos ame.
Ouvir um casado feliz a falar dos segredos de um casamento feliz é como ouvir um bilionário a explicar como é que se deve tomar conta de uma frota de aviões particulares - quantos e quais se devem comprar e quais as garrafas que se deve ter no bar, para agradar aos convidados.
Dirijo-me então às únicas pessoas que poderão aproveitar os meus conselhos: homens apaixonados pelas mulheres com quem estão casados.
E às mulheres apaixonadas pelos homens com quem estão casadas? Não tenho nada a dizer. Até porque a minha mulher continua a ser um mistério para mim. É um mistério que adoro, mas constitui uma ignorância especulativa quase total.
Assim chego ao primeiro conselho: os homens são homens e as mulheres são mulheres. A mulher pode ser muito amiga, mas não é um gajo. O marido pode ser muito amigo, mas não é uma amiga.
Nos livros profissionais, dizem que a única grande diferença entre homens e mulheres é a maneira como "lidam com o conflito": os homens evitam mais do que as mulheres. Fogem. Recolhem-se, preferem ficar calados.
Por acaso é verdade. Os livros podem ser da treta mas os homens são mais fugidios.
Em vez de lutar contra isso, o marido deve ceder a essa cobardia e recolher-se sempre que a discussão der para o torto. Não pode ser é de repente. Tem de discutir (dizê-las e ouvi-las) um bocadinho antes de fugir.
Não pode é sair de casa ou ir ter com outra pessoa. Deve ficar sozinho, calado, a fumegar e a sofrer. Ele prende-se ali para não dizer coisas más.
As más coisas ditas não se podem desdizer. Ficam ditas. São inesquecíveis. Ou, pior ainda, de se repetirem tanto, banalizam-se. Perdem força e, com essa força, perde-se muito mais.
As zangas passam porque são substituídas pela saudade. No momento da zanga, a solidão protege-nos de nós mesmos e das nossas mulheres. Mas pouco - ou muito - depois, a saudade e a solidão tornam-se insuportáveis e zangamo-nos com a própria zanga. Dantes estávamos apenas magoados. Agora continuamos magoados mas também estamos um bocadinho arrependidos e esperamos que ela também esteja um bocadinho.
Nunca podemos esconder os nossos sentimentos mas podemos esconder-nos até poder mostrá-los com gentileza e mágoa que queira mimo e não proclamação.
Consiste este segredo em esperar que o nosso amor por ela nos puxe e nos conduza. A tempestade passa, fica o orgulho mas, mesmo com o orgulho, lá aparece a saudade e a vontade de estar com ela e, sobretudo, empurrador, o tamanho do amor que lhe temos comparado com as dimensões tacanhas daquela raivinha ou mágoa. Ou comparando o que ganhamos em permanecer ali sozinhos com o que perdemos por não estar com ela.
Mas não se pode condescender ou disfarçar. Para haver respeito, temos de nos fazer respeitar. Tem de ficar tudo dito, exprimido com o devido amuo de parte a parte, até se tornar na conversa abençoada acerca de quem é que gosta menos do outro.Há conflitos irresolúveis que chegam para ginasticar qualquer casal apaixonado sem ter de inventar outros. Assim como o primeiro dever do médico é não fazer mal ao doente, o primeiro cuidado de um casamento feliz é não inventar e acrescentar conflitos desnecessários.
No dia-a-dia, é preciso haver arenas designadas onde possamos marrar uns com os outros à vontade. No nosso caso, é a cozinha. Discutimos cada garfo, cada pitada de sal, cada lugar no frigorífico com desabrida selvajaria.
Carregamos a cozinha de significados substituídos - violentos mas saudáveis e, com um bocadinho de boa vontade, irreconhecíveis. Não sabemos o que representam as cores dos pratos nas discussões que desencadeiam. Alguma coisa má - competitiva, agressiva - há-de ser. Poderíamos saber, se nos déssemos ao trabalho, mas preferimos assim.
A cozinha está encarregada de representar os nossos conflitos profundos, permanentes e, se calhar, irresolúveis. Não interessa. Ela fornece-nos uma solução superficial e temporária - mas altamente satisfatória e renovável. Passando a porta da cozinha para irmos jantar, é como se o diabo tivesse ficado lá dentro.
Outro coliseu de carnificina autorizada, que mesmo os casais que não podem um com o outro têm prazer em frequentar, é o automóvel. Aí representamos, através da comodidade dos mapas e das estradas mesmo ali aos nossos pés, as nossas brigas primais acerca das nossas autonomias, direcções e autoridades para tomar decisões que nos afectam aos dois, blá blá blá.
Vendo bem, os casamentos felizes são muito mais dramáticos, violentos, divertidos e surpreendentes do que os infelizes. Nos casamentos infelizes é que pode haver, mantidas inteligentemente as distâncias, paz e sossego no lar.

 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Testamentos de vida e de morte

Público, 2010-10-25 
Pedro Vaz Patto

Não deverá ser vinculativa uma declaração antecipada de vontade de recusa de tratamentos úteis à salvaguarda da vida

Volta à ordem do dia a discussão sobre o chamado "testamento vital". Há quem sublinhe a diferença entre a consagração legal deste instituto e a legalização da eutanásia. Mas há também quem receie que desta forma se abram as portas a esta legalização.
Não será justificado esse receio se o testamento vital servir para manifestar a vontade do "testador" no sentido da abstenção de tratamentos inúteis ou desproporcionados (no âmbito da chamada "exacerbação terapêutica"). Mas já não será assim quanto a tratamentos úteis e proporcionados na perspectiva da salvaguarda da vida. Os modelos de testamento vital anexos ao projecto apresentado pelo Bloco de Esquerda são claros a este respeito: aí se contempla a recusa de tratamentos que permitam salvaguardar uma vida sem capacidades de autonomia ou sem "qualidade". Respeitar uma declaração deste tipo é confirmar aquela ideia, subjacente à legalização da eutanásia, de que a vida pode deixar de ser merecedora de tutela quando perde "qualidade". Trata-se de veicular uma mensagem cultural de desvalorização da vida limitada pela doença que não deixa de ter graves consequências sociais.
Dir-se-á que há que respeitar o princípio da autonomia, evitar tratamentos forçados, respeitar uma vontade do doente previamente formulada quando este não a pode manifestar actualmente por estar inconsciente (a sua incapacidade não o faz perder direitos - argumenta-se). Mas é diferente o respeito por uma vontade actual e esclarecida (que não suscita dúvidas sobre o seu sentido autêntico) e o respeito por uma vontade hipotética, com base em declarações prestadas anteriormente num contexto muito diferente do actual (de forma necessariamente pouco esclarecida, precisamente por esse contexto ser diferente do actual). Não se trata apenas de considerar a dúvida sobre a informação a que possa ter tido acesso a pessoa quando formulou essa declaração, ou sobre se a situação em que se encontra agora era, para ela, nessa altura, previsível. Nem também a possibilidade de o estado dos conhecimentos médicos se ter alterado desde então. É que subsiste sempre a dúvida (independentemente do tempo decorrido e da possibilidade de revogação da declaração) a respeito de saber se a pessoa não poderia mudar de opinião.
É sabido como é frequente uma atitude de grande apego à vida nos seus últimos momentos e diante da revelação de uma doença, mesmo da parte de quem havia manifestado uma atitude contrária quando se encontrava são. Tem sido evocado o exemplo da médica francesa Silvie Ménard, que rasgou o seu testamento vital depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro, porque passou a querer "lutar" até ao fim. E um caso ocorrido num hospital de Cambridge em Julho deste ano também é significativo: estavam os médicos para desligar um aparelho que mantinha em vida Richard Ruud, um homem paralítico e inconsciente devido a um acidente, baseados numa declaração de vontade que este havia formulado verbalmente alguns anos antes a propósito de um amigo também vítima de um acidente análogo; quando ele, através do abrir e fechar de olhos, manifestou a sua oposição, que veio a ser atendida. Afirmou, então, o pai, que tinha autorizado os médicos a desligar o aparelho: "Estou feliz por lhe ter sido dada a oportunidade de sobreviver. Decidir se um filho deve, ou não, viver é quase impossível".
Está em jogo o mais fundamental dos bens e a mais claramente irreversível de todas as decisões "Há solução para tudo menos para a morte" - diz o povo. Depois da morte, não há nada a fazer. Depois de salva a vida, quem disso beneficia sempre poderá pôr-lhe termo pelos seus próprios meios (o que até será pouco provável). Mais vale, pois, salvar uma vida do que tomar uma decisão irreversível que conduz à morte sem a certeza absoluta de que seria essa a vontade do doente. Esta dúvida há-de subsistir sempre. Rege aqui o princípio in dubio pro vita.
Por isso, não deverá ser vinculativa, nem deverá ser observada, uma declaração antecipada de vontade de recusa de tratamentos úteis e proporcionados na perspectiva da salvaguarda da vida. Só assim o testamento vital não será uma porta aberta à eutanásia.  
Juiz

Les Arceaux - Montpellier

Contentar-se com o que há

JOÃO CÉSAR DAS NEVES, DN 2010-10-25

Nestes tempos de pluralismo, diversidade e agitação existem poucos consensos. Um dos mais gerais é a crítica ao sistema. Vivemos no regime mais reprovado, vituperado e desprezado da história. É espantoso o grau e vastidão desse acordo. Toda a gente acha que isto está mesmo muito mal.
Em Portugal, Europa e mundo, das esquerdas às direitas, conservadores ou revolucionários, jovens e idosos, governos e oposições, todos concordam que isto anda cada vez pior. E não se diga que a causa é a crise financeira, porque mesmo no período anterior, que hoje nos parece de optimismo e euforia, as queixas eram universais. O nosso tempo detesta-se a si próprio. Os únicos períodos, aliás fugazes, de algum alívio e esperança vêm de oportunidades de mudar a detestada situação. O mais recente, na eleição de Obama, foi visto como um triunfo da heterodoxia e contracultura. Já acontecera o mesmo com Blair ou até Sarkozy. Depois, como é inevitável, todos acabam atacados por se acomodar e manter a abominação.
Os lamentos e mal-estar são compreensíveis pelas múltiplas injustiças, abusos, sofrimentos, miséria, desorganização, corrupção, vícios, perversões. Cada um identifica os males que considera piores e todos se queixam por razões objectivas e reais, embora muitas vezes contraditórias. Aquilo a que uns atribuem a maldade, outros lamentam a falta. Mas a questão é, não a justificação, mas a sabedoria das acusações.
Antes de mais é bom perguntar: para quê criticar o sistema? Este é o mundo que temos e ninguém nos vai dar outro. Já era mau quando cá chegámos e continuará a sê-lo depois de partirmos. Não seria mais sensato entretanto contentar-nos com o que temos?
É verdade que o conformismo é um dos vícios mais abominados neste tempo, e todos pensam que estes protestos nos desinstalam, contribuindo para melhorar a situação. Mas será mesmo assim? É indispensável que cada um tente deixar o mundo o melhor possível. Mas isso é uma actividade humilde e atenta, ao nosso nível local, amando e ajudando o próximo. Nada tem que ver com bramar contra males remotos e genéricos, nos quais a nossa influência é nula. Tal lisonjeia o nosso ego, mas não passa de vacuidade ociosa. Quando não é mesmo prejudicial, como as próximas greves, nada resolvendo, pois não há mesmo dinheiro, apenas servem para diminuir o pouco que ainda existe.
Suponhamos, no entanto, que as nossas queixas eram ouvidas. Iriam mesmo melhorar alguma coisa? A verdade é que os problemas globais são muito complexos, e as soluções têm inesperadas consequências nocivas. Basta lembrar como a ingénua confiança dos nossos avós nas virtudes do progresso industrial criou os actuais pesadelos ambientais, ou como o desenvolvimento das regiões pobres, tão ansiosamente desejado, começa a suscitar perigosos desequilíbrios globais que irão assombrar o futuro.
Por outro lado, será a situação assim tão má? Não há dúvida de que, persistindo muitos e graves problemas, o mundo progrediu nos últimos tempos muito mais do que seria de esperar há uma ou duas gerações. A percentagem de pessoas a viver no planeta com menos de dois dólares por dia é ainda de quase 50%. Mas era de 63% em 2002 e de 75% em 1980. Mesmo a actual crise e desemprego, se significam graves sofrimentos para muitos, não têm comparação com a miséria que se vivia por cá há 20 ou 30 anos, em crises menos profundas que esta.
O aspecto mais grave deste clima de descontentamento e queixume é, no entanto, a ingratidão. Tudo aquilo que somos e temos devemo-lo ao sistema que nos sustenta. É este mundo que tanto desprezamos que nos alimenta todos os dias, nos veste, abriga, educa e orienta. Podemos protestar, mas é graças a ele que todos sobrevivemos. Aliás, os críticos só conseguem atacar com tanta eficácia o regime usando os largos meios que o mesmo lhes fornece.
Esta é hoje a suprema posição incorrecta, mas quero dizer uma palavra a favor deste nosso horroroso sistema. Não porque é bom, justo ou agradável, mas porque é nosso. Tem muitos defeitos, mas a grande vantagem de existir.

domingo, 24 de outubro de 2010

Escola de Pais


ESCOLA DE PAIS 2010

Languedoc - Roussillon

Optimismo para resolver problemas

DN 24 Outubro 2010

"Vivemos num país onde persiste a cultura do pessimismo e onde passamos a vida a queixar- -nos, muitas vezes, injustamente e de coisas insignificantes." Maria do Carmo Oliveira, psicóloga clínica e fundadora do Clube do Optimismo, diz que os portugueses precisam de querer ter esperança para enfrentar a crise.

"Ver a vida de maneira negativa só leva à destruição da auto-estima e da motivação." O movimento, diz, tem de ser exactamente no sentido contrário. "Se formos positivos, isso repercute-se no bem--estar geral do País. Seremos pessoas mais energéticas, mais comunicativas, com mais vontade de superar as dificuldades, que passamos a ver como desafios e não como limitações."

Por isso, defende a psicóloga, "é preciso criar e promover ambientes onde se trabalhe a psicologia positiva e se divulguem programas de optimismo".

No DN deixa 10 passos que prometem ajudar a enfrentar as novas medidas de austeridade e os tempos difíceis que se aproximam.

1 Decidir e comprometer-se É preciso tomar a decisão de que se quer ser optimista e assumir o compromisso de mudar. Abandonar o papel de vítima da crise e contrariar o marasmo é o primeiro passo: mudar o rumo da vida, ser pró-activo, nunca desistir de encontrar trabalho, definir estratégias de poupança e cumpri-las ou procurar persistentemente novas formas de aumentar o rendimento familiar.

2 Pensar positivo e manter a esperança Substituir pensamentos negativos por ideias positivas. É importante pensar "eu vou conseguir arranjar trabalho", "tudo vai correr bem", "vou conseguir ultrapassar esta fase difícil". Acreditar nas coisas boas é o caminho para encontrar as soluções para os problemas e chegar ao sucesso.

3 Valorizar o lado bom das coisas Acreditar que há sempre um lado positivo em tudo e procurar os aspectos favoráveis, apesar da crise. Devemos sentir- -nos gratos por termos saúde e o mínimo para alimentar a família. E pensar que há quem não tenha essa sorte. A gratidão leva ao entusiasmo e gera bem-estar.

4 Firmeza na mudança. Não se acomodar aos velhos hábitos. É necessária firmeza para os substituir por atitudes mais positivas. Se tiver de cortar nas despesas, como nas férias ou nos jantares fora, faça-o com firmeza e sem arrependimentos, mas evite faze-lo tudo de uma vez.

5 Nada de queixumes Verbalizar aspectos negativos torna-os mais fortes: leva à desmotivação e apatia. Se nos queixarmos do trabalho e da vida, os outros também vão lamentar-se. Falar de coisas alegres dá energia para enfrentar e inventar formas de contornar o aumento do custo de vida e diminuição dos salários.

6 Conviver com pessoas optimistas Rodear-se de pessoas bem-dispostas e com atitude positiva é muito útil. Permite um incentivo mútuo para superar adversidades e trocar soluções para problemas. É na crise que se encontram novas ideias de negócio e a partilha de ideias ajuda.

7 Fazer exercício físico Fazer ginástica ajuda a melhorar o estado de espírito e aumenta o bem-estar. Pode ser uma boa desculpa para sair de casa e ir pessoalmente entregar currículos. É preciso abrir horizontes e ter energia para começar de novo.

8 Gerir os recursos. Os rendimentos das famílias estão a baixar, tal como o padrão de vida. É preciso gerir os recursos e definir prioridades. Pode começar-se por poupar na electricidade, criar uma conta-poupança ou procurar actividades em que não se gaste dinheiro.

9 Rir. Uma boa gargalhada pode fazer milagres. Aprender a rir das coisas menos boas e a sorrir para os outros ajuda a manter a atitude positiva. Os adultos esquecem-se de rir e a simpatia é um dos requisitos para se ser contratado.

10 Ser solidário. Participar em acções de solidariedade não implica apenas a doação de dinheiro. As acções de voluntariado e a ajuda ao outro elevam o bem--estar, a auto- -estima e a sensação de ser útil à sociedade.

 

sábado, 23 de outubro de 2010

Girona

Catedral de Girona

Manresa

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mesmo repetida muitas vezes, a mentira não se torna verdade


Público 2010-10-22 José Manuel Fernandes
É bom não esquecermos quem nos colocou nesta situação de aflição absoluta e de saque fiscal

Em 2011 o Estado terá de pagar em juros 6326 milhões de euros. Mais 1344 milhões do que este ano. Isto significa que se o IVA aumentar dois pontos percentuais toda a receita adicional irá para pagar apenas este peso acrescido dos juros.

E por que é que o Estado vai ter de gastar esta enormidade de dinheiro a mais em juros? Porque a dívida pública aumentou mas, sobretudo, porque a andámos a financiar a juros proibitivos. E por que é que tivemos de aceitar juros tão elevados? Porque todos desconfiam das nossas contas públicas e porque o primeiro-ministro iludiu, meses a fio, anos a fio, qualquer rigor orçamental. O atraso no anúncio de medidas como as que foram apresentadas ao país a 29 de Setembro custar-nos-á, só em 2011, muitas centenas de milhões de euros. Provavelmente o equivalente à poupança que se espera obter reduzindo os salários dos funcionários públicos (cerca de 800 milhões de euros).

Estes números não são retóricos, antes representam apenas uma pequena parte, facilmente mensurável, do que todos teremos de pagar pela irresponsabilidade orçamental e pela política de ilusões e de mentiras dos últimos anos. É bom não nos esquecermos disto e de quem nos colocou nesta situação mesmo quando discutimos as condições para a viabilização do Orçamento de 2011.

Em 2011 cada português pagará, em média e a preços constantes, mais 20 por cento em impostos do que pagava quando José Sócrates chegou ao poder. Esta estimativa grosseira, que fiz utilizando os números da Pordata e o relatório do Orçamento de 2011, é o retrato fiel do que foi, nestes anos, a política de "consolidação orçamental": no essencial, cobrar mais impostos. Do lado das despesas, as poucas poupanças que tinham sido feitas no quadro de decisões ainda tomadas no tempo de Luís Campos e Cunha como ministro das Finanças foram completamente malbaratadas em 2009 por obra e graça de um eleitoralismo que implicou um aumento irresponsável dos funcionários públicos, acordos com as muitas corporações que tratam o Estado como coisa sua e uma mão-cheia de benesses sociais que já tiveram de ser retiradas quase na totalidade.

O que se passou prova que Passos Coelho teve razão quando, recentemente, disse que, "quando os impostos aumentam, nunca mais voltam a descer", e que "a promessa do Estado de reduzir a sua despesa é sempre uma falácia". Temos tido essa experiência com o IVA - que começou a 16 por cento e querem que salte agora para 23 por cento - e também com o IRS. Durante muitos anos foi sendo possível alimentar a voracidade crescente do "monstro" apenas por via do aumento da eficiência fiscal; porém, conforme o número dos que escapam ao fisco foi diminuindo, só restou aos governantes aumentarem as taxas dos impostos. Numa altura em que o país deixou de crescer, esta contribuição dos cidadãos e da economia para o sorvedouro público tornou-se insustentável.

As propostas do PSD para o IVA e para o IRS são por isso muito razoáveis, pois visam tornar transitório o aumento de impostos e evitar os novos aumentos que virão a seguir se não se alterar o rumo das políticas públicas. Isto porque a máquina do Estado e a lógica reivindicativa dos muitos interesses e corporações são, por definição, insaciáveis. Só impedindo o Estado de colectar mais impostos se consegue obrigar os governos a tomarem medidas para reduzir a receita. É bom não nos esquecermos disto, assim como de toda a actual voracidade fiscal e de quem nos andou a prometer o contrário nos últimos anos enquanto discutimos os detalhes do Orçamento de 2011.

Em 2011 teremos um Orçamento condicionado à batalha por contas públicas equilibradas pois isso é "absolutamente indispensável para defender o crescimento do produto e do emprego", disse no Parlamento o primeiro-ministro. A 30 de Setembro. Depois de, finalmente, ter sido obrigado a enfrentar a realidade. Depois de anos de cegueira - e de uma cegueira perigosa e autista, própria dos cegos que não querem ver.

Porém, ao contrário do que sugere, não era necessário ter chegado ao fim de Setembro para constatar o óbvio. Ou mesmo esperar pelo fim de Agosto, altura em que o ministro das Finanças disse ter acordado para o problema. No dia 1 de Janeiro de 2009, há quase dois anos, alguém sublinhou que "Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz", não podendo continuar "a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos". Na mesma altura esse responsável sublinhou como era, e é, "importante a credibilidade que merece a nossa política interna, as perspectivas futuras do país, a confiança que o exterior tem em nós".

Foi, repito, a 1 de Janeiro de 2009. Na mensagem de Ano Novo do Presidente da República. Está lá tudo, incluindo o alerta para ter em consideração a relação "custo-benefício" nos investimentos públicos. Está também esta constatação importante e certeira: "A crise chegou quando Portugal regista oito anos consecutivos de afastamento em relação ao desenvolvimento médio dos seus parceiros europeus." Foi a década perdida.

Cavaco Silva já tinha, um ano antes (a 1 de Janeiro de 2008!) mas depois de, por altura do Natal, o primeiro-ministro ter celebrado o sucesso da sua política de consolidação orçamental, alertado para a possibilidade de não estarmos "no caminho de uma aproximação sustentada ao nível de desenvolvimento médio dos países mais avançados da Europa" - e não estávamos. Assim como tinha feito sua esta dramática interrogação dos portugueses: "Será que os sacrifícios da última meia dúzia de anos garantem um futuro melhor?" Sabemos hoje que não garantiram. Alguém tratou de, para se manter no poder, malbaratar o pouco que tinha sido conseguido.

O mesmo Cavaco Silva voltou a chamar a atenção, agora a 1 de Janeiro de 2010, 271 dias antes do anúncio do PEC3, para o nosso nível de endividamento, pois "o tempo das taxas de juro baixas não demorará muito a chegar ao fim". Sabemos hoje que já chegou ao fim.

Não é pois aceitável o discurso sobre a imprevisibilidade do que sucedeu com "os mercados" nos últimos meses. Bastava ter tido o cuidado de ouvir os avisos do Presidente - ou de tanta e tanta gente que ainda foi mais clara e mais dura - para saber que a nossa política orçamental tinha de ser credível (e não a trapalhada que tem sido, sobretudo em 2009 e 2010). Ou para prever que os juros iriam subir. Preferiu-se, em contrapartida, criticar os "bota-abaixistas" e essa opção custará anos de sofrimento económico ao país. Isto apesar de - é bom ter memória - também em Janeiro de 2009 a Standard&Poor"s ter baixado pela primeira vez o rating da República na sequência da aprovação do orçamento demencial para esse ano, sinal de que não foi só em 2010 que "os mercados" começaram a castigar Portugal num "ataque especulativo ao euro".

Basta de propaganda e de falta de memória. Pelo que é bom não nos esquecermos mesmo disto tudo. Afinal de contas, as mentiras, mesmo quando repetidas muitas vezes, não se transformam em verdades. Jornalista (twitter.com/jmf1957)


 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Protagonistas de uma crise

 Helena Matos, Público, 2010-10-21
O PS vive na esperança que o PSD ou o PR façam o que o PS não fez: criar uma situação que leva à saída de Sócrates de cena

1.O partido que quer ser auxiliar de acção educativa. Passos Coelho tem razão: o Orçamento é mau. Além disso as propostas ontem apresentadas por Passos Coelho permitem ao Governo negociar. Mas, francamente, ter razão não chega e sobretudo Passos Coelho está enganado em tudo mais, nomeadamente quando pensa que é líder da oposição.

Para se ser líder da oposição tem de se liderar o próprio partido. Coisa quase tecnicamente impossível de suceder no PSD. E depois Passos Coelho não ignora que o PSD, além das várias divisões internas, se deixou subalternizar para um estatuto político próximo do estatuto da auxiliar de acção educativa. Ou seja, quem define o que é certo e errado é o PS. E o PSD vive sob o constante ónus de ser liberal, de não defender o Estado social, de apenas se preocupar com o betão ou de viver em obsessão com o défice. A cada uma destas acusações os sucessivos líderes do PSD desfazem-se em explicações e justificações que só acentuam o efeito dos rótulos que lhe colam. (Aos mais esquecidos sugiro que vejam os sobressaltos e as aflições que os dirigentes laranjas tiveram quando, nos idos de 2002, se viram acusados de viverem obcecados com o défice.)

Nos raros momentos em que o PSD acredita que pode quebrar este ciclo acentua-se-lhe a costela sebastianista. Morto Sá Carneiro, recordam os anos de Cavaco Silva em S. Bento como o seu Camelot. Desde aí despacham líderes como se trabalhassem numa linha de montagem. Até chegarem ao tal. E é óbvio que Passos Coelho pensa poder ser esse tal mas boa parte do seu partido pensa que esse tal deverá ser outro. Por exemplo Rui Rio.

Passos Coelho causou um sério embaraço ao seu próprio partido quando tomou a sério o debate do Orçamento. É como se ele não tivesse percebido que aquilo que se esperava dele era que aprovasse o Orçamento, deixasse passar o tempo e na altura devida se deixasse afastar para a prateleira honorífica dos pretéritos líderes sociais-democratas.

Quando o debate do Orçamento terminar saberemos também se o líder do PSD já está a prazo ou não.

2.A tribo das causas urgentes. Não sei se se deslocam em grupo, se se encontram ocasionalmente ou se os seus espíritos se unem de preferência entre o fim do Verão e o início do Outono. Mas confesso que estou a ficar cansada deles. Quem são eles? A tribo das causas urgentes. Desde há vários anos que vivemos em constante estado de urgência, ouvindo de minuto a minuto que ou fazemos algo muito rapidamente e em força ou será o caos, a desgraça e o opróbrio. Que me recorde, nos últimos anos os profetas do apocalipse mobilizaram-nos para combater a ameaça da escassez dos alimentos, a gripe A e sobretudo as alterações climáticas. Agora vivem no arrebatamento orçamental. De repente Portugal tem de ter um orçamento para mostrar ao estrangeiro, custe o que custar e independentemente do que lá estiver inscrito. Mesmo que os mercados e o estrangeiro nos fizessem a gentileza de acreditar num orçamento que prevê crescimento para o próximo ano e em que as contas do deve e haver não batem certas, há o detalhe de o Orçamento ir ser pago por nós, cá dentro. Logo, discuti-lo é não só o nosso direito mas também o nosso dever, tanto mais que o Governo é minoritário. E a não ser que se considere que agora os governos minoritários em situação de crise têm os orçamentos automaticamente aprovados não se vê nem como nem por quê se há-de temer ou abreviar essa discussão. Muito menos porque, como defendeu o ministro Silva Pereira, deve essa discussão decorrer à porta fechada. Os portugueses só são responsáveis para pagarem a dívida que os seus governantes geraram?

Sim, a discussão deve ser feita na praça pública porque é da publicidade dessa discussão que pode resultar um orçamento com impactos menos desastrosos no espaço privado dos cidadãos, das famílias e das empresas.

Depois de anos a desprezarem quem lhes falava de números e a responderem com prosa poética de 3.ª categoria aos avisos sobre o endividamento, os membros da tribo das causas urgentes descobriram que a nossa redenção está neste Orçamento. E só nos resta esperar que o transe lhes passe. Ou mais propriamente que a razão deste transe seja substituída por outra.

Porque uma das características desta espécie de tribo informal das causas urgentíssimas é que o extraordinário frenesi que se apodera deles no momento em que descobrem uma causa só tem paralelo na sua capacidade de esquecer essa causa quando a trocam por outra. Assim e apenas por isso não causa espanto que ninguém se tenha escandalizado com a extinção do Secretariado Técnico da Comissão das Alterações Climáticas. Recordo que ainda não há muito tempo as alterações climáticas nos eram apresentadas não só como uma grande questão mas como aquilo que devia ser a preocupação central de quem nos governava e de nós mesmos.

Recordo que chegou a equacionar-se a criação de uma espécie de ONU para o clima, para lá de coisas tão disparatadas quanto a criminalização do simples acto de negar as ditas alterações climáticas. Esse era o tempo em que a senhora Merkel viajava até umas paragens marítimas geladas e olhava para os icebergues que lhe diziam ameaçados pelo aquecimento global com a expressão compungida que agora reserva às contas de Portugal, Espanha e Grécia.

Entretanto, como é óbvio, o ambiente na Terra, com ou sem alterações climáticas provocadas pelo Homem, continua a colocar questões muito sérias. Mas isso agora não interessa nada. O que conta agora é ter um orçamento. O paradoxo é tal que as pessoas que durante anos foram tratadas como excêntricas ou quase paranóicas por procurarem chamar a atenção para a insustentabilidade das nossas contas se arriscam agora a passar por irresponsáveis quando defendem que este Orçamento deve ser discutido.

Tudo aquilo que nos está agora a acontecer era mais que previsto e anunciado há anos. E desde 2009 que se tornou irreversível. Simplesmente não o quisemos ver. Até porque nessa fase a tribo das causas urgentes andava entretida com umas causas intercalares, como o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo que supostamente nos manteria entretidos por algum tempo, sobretudo se o Presidente da República tivesse vetado o diploma. Este aliás é um dos casos em que a tribo era mais numerosa do que aqueles que urgentemente pretendia libertar: até Setembro de 2010 realizaram-se, em Portugal, 131 casamentos entre pessoas do mesmo sexo. O que dá 262 homossexuais casados, número francamente muito inferior ao mobilizado pela tribo das causas urgentes quando se arrebatou com esta questão que garantiam de relevância cósmica.

Não sei qual será a próxima causa urgentíssima da tribo das causas urgentes. Mas tenho a certeza que em matéria orçamental muita coisa de que nos arrependeremos mais tarde será aprovada quase sem darmos por isso caso nos deixemos mais uma vez dominar pelo folclore da urgência.

3.O homem que todos querem ver pelas costas. Mas na verdade o homem de quem todos dependem. Falo de José Sócrates naturalmente. O PS vive na esperança que o PSD ou o PR façam aquilo que em devido tempo o PS não fez: criar uma situação que leva à saída de Sócrates de cena. Infelizmente para o PS agora é tarde: as alternativas à liderança de José Sócrates foram empalidecendo de cada vez que o PS se tornou cúmplice do indefensável e disse sim ao que bem sabe que devia ter dito não.

Sócrates é ignorantíssimo, fútil, não tem sentido de Estado e tomou decisões na sua vida académica, profissional e política que a maior parte dos portugueses, até o conhecerem como primeiro-ministro, repudiariam liminarmente. Mas tem uma noção agudíssima do poder. Enquanto o exerceu de facto transformou o aparelho de Estado na sua máquina e fez de cada português um dependente do Estado.

Continua a fazê-lo agora, quando já não se pode dizer que exerce o poder porque neste momento trata sim ou de arranjar uma situação que lhe permita sair condignamente ou de conseguir uma legitimidade reforçada no cargo de primeiro-ministro.

José Sócrates começou por dizer que se demitiria caso o Orçamento fosse chumbado. Qualquer primeiro-ministro de um governo minoritário em Portugal sabe que pode ter um orçamento chumbado. Até agora José Sócrates nem sequer se deu ao trabalho de explicar essa sua decisão. Aceita-se como natural. E nele é natural. Este é um exemplo. Mas podem arranjar-se centenas deles.

Em tempos de crise homens assim transmitem uma imagem de segurança que não é irrelevante quando se sabe que se têm de ganhar eleições e sobretudo enfrentar forte contestação. Certamente que muitos desejariam ver Sócrates pelas costas. Mas são ainda mais aqueles que no seu partido e fora dele temem o vazio que essa ausência poderia gerar. Ensaísta

P.S.- Eu sei que são apenas 49 milhões de euros, coisa pouca para a nossa grande aflição orçamental. Mas alguém me pode informar se já foi suspenso aquele projecto que visava colocar 187 entidades públicas de Portugal e Espanha a controlar 150 mil cabras, cujas supostamente funcionariam como "limpadores naturais" na zona fronteiriça?

INSULTOS

DESTAK | 20 | 10 | 2010   20.24H
João César das Neves |

Na Primeira República, existiam algumas coisas muito curiosas. Uma das mais insólitas eram os insultos, aliás herdados directamente da Monarquia que derrubara. É espantosa a quantidade e o calibre dos vitupérios que dominavam a vida política portuguesa dos finais do século XIX e inícios do XX. Comparados connosco, esses nossos antepassados eram muitíssimo mais grosseiros e insolentes.
As próprias palavras usadas soam hoje muito estranhas. Ninguém se lembraria de chamar ao senhor Primeiro-ministro «mariola», «pulha» ou «grande marau», epítetos que eram profusamente utilizados para todos os dignitários da época, com maior frequência quanto mais eminente era o alvo.
Mas pior eram os efeitos desta atitude. Num clima de ultraje permanente é impossível respeitar ou dar-se ao respeito. Não há dúvidas que a rudeza de linguagem da imprensa, discursos, comentadores e conversas era dos piores problemas da época, com graves consequências na vida e desenvolvimento, que resultaram na falência do regime.
Esta lição é útil hoje em dia. A actual crise, junto com alguns escândalos sortidos, está a fazer regressar, sobretudo em blogs e mensagens, um tipo semelhante de linguagem indignada. Muita gente, considerando-se ferida ou incomodada pelo que julga passar-se, acha-se com o direito de divulgar as calúnias e injúrias mais torpes sobre os nossos dirigentes. Não interessa se têm razão ou não. O que importa é que, descendo o nível do debate político, todo o país perde gravemente.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Apresentação do livro "O Papa em Portugal"


Papa Em Portugal