quinta-feira, 30 de abril de 2009

Fim de semana "Descoberta" - a fé cooperante


Queres dar um tempo da tua vida ao serviço dos mais pobres?

Estarias interessado(a) em partir em missão humanitária, para um país do terceiro mundo?

Sentes em ti o apelo missionário?


Sabes que se pode ser missionário(a) sem sair de casa?

Estás interessado em colaborar com os voluntários que partem?

Aparece nos dias 9 e 10 de Maio.

Para inscrições e mais informações

fidescoportugal@emmanuel.info

ou 914660842

ou

FIDEMA, Rua Palmira Bastos, 7, 5º dto.

2685-226 Portela


Assine a petição:

Uma lição de S. Nuno

«Qual é o rei que, estando para entrar em guerra contra outro rei, não pondera primeiro se com 10.000 homens pode enfrentar aquele que vem contra ele com 20.000?» (Lc 14, 31). Esta comparação evangélica é lida muito apropriadamente na festa de S. Nuno Álvares Pereira. Grande cabo-de-guerra, soube derrotar os seus adversários com recursos muito inferiores aos de Castela, e com perdas mínimas do seu lado, usando tácticas modernas e bom sentido estratégico. Mas bem sabemos que isso seria insuficiente, se os seus soldados não estivessem tão motivados como ele para enfrentar os inimigos. Estes atacavam por obediência militar a legítimas ambições - segundo as normas dinásticas - dos seus chefes; os nossos, por amor à Pátria, à independência, à identidade nacional, que é direito superior.

Pensando em aplicar de algum modo o exemplo do santo à vida empresarial, diríamos que a principal superioridade do Condestável consistiu numa união perfeita entre ele e os «subordinados», muito mais estreita do que a dos chefes castelhanos com os seus.

Existe sempre união de interesses entre qualquer empresário e os seus empregados, mas costumam ser interesses diferentes: o empresário deseja enriquecer, ou ter êxito pessoal, ou realizar um projecto útil à sociedade; e os empregados desejam trabalhar e sustentar-se a eles e à família. O empregado procura o patrão que mais lhe garanta o salário, a estabilidade e o progresso na carreira, e por isso o segue e lhe obedece, e até o admirará, mas sem se identificar por completo com ele, e sempre disposto a abandoná-lo quando se lhe apresente outro melhor. Por isso, a autoridade do patrão é naturalmente precária, frágil, por mais qualidades de chefia que possua.

As ambições do empresário podem ser legítimas e, em princípio, são-no:

uma empresa sustentável e lucrativa é, sem dúvida uma riqueza para o país e uma fonte de bem-estar para muitas famílias. Simplesmente, a sua unidade habitualmente é fraca, e tantas vezes a vemos quebrar-se, inclusive nas mais potentes empresas. O ideal seria que os empregados sentissem que a primeira e maior ambição dos chefes eram eles mesmos e os seus lares. Quando os subordinados se revêem no patrão, sentindo-se realmente representados por ele, este não precisa de especiais qualidades de chefia, porque a sua autoridade é natural e indiscutível: a autoridade de quem os serve lealmente. Não se trata de paternalismo, nem de uma simples união de interesses diversos, mas do mesmo interesse, comum a uns e outros, e assumido por todos.

Os cavaleiros, besteiros, lanceiros e peões de Atoleiros ou Aljubarrota não obedeceram ao Condestável pelos seus talentos militares, mas pela determinação com que Nun’Álvares estava decidido a defender Portugal, custasse o que custasse, e ainda que fossem vencidos. Que era um chefe competente, verificou-se depois. Mas nunca o seria sem o mesmo amor à pátria dos que comandava.

Mais forte, portanto, do que a união de interesses é o interesse comum.

Mons. Hugo de Azevedo

(publicado em http://spedeus.blogspot.com/ a 30 de Abril de 2009

A Praça de S. Pedro

DN, 20090430
Maria José Nogueira Pinto
Para nós, a importância de S. Nuno de Santa Maria vem especialmente da sua acção.

Roma, 26 de Abril de 2009. Na Praça de S. Pedro, na cidade capital da Cristandade, perante uma multidão de quarenta mil fiéis, o Papa Bento XVI proclama cinco novos santos.

Os rostos e as imagens dos "servos de Deus" hoje promovidos à glória do Calendário dos Santos, estão ali expostos em frente da Basílica: são eles Santa Gertrude Comensoli, uma religiosa italiana de Brescia; S. Bernardo Tolomei, um teólogo medieval; D. Arcangelo Tadini, um sacerdote italiano fundador de obras sociais; Santa Catarina Volpicelli, uma militante do Apostolado da Oração. E S. Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira.

Deste, o Papa, na alocução em que traçou o perfil dos canonizados e a razão da sua santidade, referiu a sua extrema confiança em Deus, a sua fé, como regra permanente de acção na vida. Exaltando o papel de Nun'Álvares na independência de Portugal, Bento XVI referiu as virtudes de fé, de esperança e de caridade do novo santo e o papel dos portugueses na cristianização do mundo.

Ao instituir os santos, a Igreja não só quer distinguir aqueles que são mais santos que os outros (já que em princípio todos os homens e mulheres que se salvam, são santos) mas apontá-los como modelos aos fiéis, aos outros cristãos.

Para nós, a importância de S. Nuno de Santa Maria vem especialmente da sua acção, como comandante militar na guerra da independência de 1383-1411 contra os invasores castelhanos. Depois do Fundador, Afonso Henriques, é Nun'Álvares a pessoa a quem mais devemos ser independentes, existirmos como Nação. Foi ele quem, com um grande patriotismo, servido por coragem e decisão, venceu nos dois anos decisivos de luta - 1383-1385 - as batalhas dos Atoleiros, de Aljubarrota e de Valverde, que acabaram com as pretensões de Castela.

E por toda esta guerra ele foi sempre o chefe militar, aliando a capacidade estratégica ao rasgo táctico. E não hesitando, quando o entendeu ser o bem comum, contrariar o próprio rei, D. João I. Como na escolha do tempo e do lugar da batalha de Aljubarrota. E sempre se conduziu como um soldado cristão coerente, na razão da guerra - guerra justa de defesa do povo e do território pátrio - e no modo de a fazer - cristamente, poupando os civis, tratando bem os prisioneiros e os seus próprios homens.

E no fim, sendo o homem mais rico do Reino, despojou-se e viveu os últimos anos como monge carmelita, no Convento do Carmo que fundara.

A sua canonização foi também uma longa jornada, através da História, a partir da uma fama e culto populares, que também por razões de Estado (da Espanha no século XVII, e não só) foi complexa. Mas em 1918, Bento XV, reconhecendo essas virtudes cristãs na sua vida - e particularmente na vida militar - beatificou-o como exemplo do soldado cristão no tempo em que os filhos da Europa cristã se matavam na Flandres.

Agora chegou ao fim o processo. Foi uma emoção estar em Roma, neste dia, com tantos portugueses, peregrinos unidos na mesma fé e no mesmo orgulho: de todas as idades - desde crianças de colo a adolescentes ruidosos, passando pelos adultos e os mais velhos - de todas as condições, de todas as origens, com bandeiras, lenços, insígnias e outros sinais que nos identificavam como um corpo, ali na imensa Praça de S. Pedro. E o clamor de júbilo que lançámos, neste grande dia para todos os portugueses e especialmente para os católicos.

Nem nos abalaram os comentários, fruto de ignorância e má-fé, daqueles que, exigindo e intimidando para que se respeitem supostos direitos e opções de todas as minorias, num complexo calendário próprio de devoções, pensaram poder ofender, nos seus artigos e declarações públicas, uma grande parte do povo português que em Nun'Álvares admirará sempre o herói da independência nacional e o santo que viveu na fé e na confiança de Deus.

Em Sintra não comem frango?

PÚBLICO, 30.04.2009, Helena Matos

A preocupação com o sofrimento dos touros parece não se aplicar a animais menos telegénicos

Por enquanto talvez ainda comam, mas certamente que vão deixar de comer, pois o novo Regulamento de Animais de Sintra estabelece que os animais não podem sofrer psicológica ou fisicamente naquele concelho. É certo que o dito regulamento para já apenas se destina aos espectáculos - como os circos e as touradas -, mas quem já entrou num aviário certamente comprovou o sofrimento psicológico e físico experimentado pelos frangos e demais seres de pena que se encontram nos ditos estabelecimentos. O mesmo regulamento, se fosse para ser levado a sério, poderia conduzir à extinção as reservas de caça existentes no concelho, pois, como se supõe, a felicidade não é propriamente um estado de alma entre as espécie cinegéticas na época da caça. Seja em Sintra ou em qualquer outro lugar.
Viana do Castelo, Braga e Cascais fazem companhia a Sintra nesta nova bandeira do politicamente correcto dos direitos dos animais ou mais precisamente dos direitos de alguns animais. Tanto mais que este tipo de medidas dá boa imprensa. Tão boa que ninguém se lembra de confrontar os partidos com o duplo critério que adoptam neste assunto. Ou será que o BE, que apresentou a proposta do fim das touradas em Sintra - proposta essa que só teve os votos contra do PCP e de alguns dos eleitos do PS -, também vai propor o mesmo tipo de regulamento em Salvaterra de Magos, única autarquia presidida pelo BE e onde apresentar um regulamento destes implicará com quase toda a certeza perder as eleições?
Estranhamente, a preocupação com o sofrimento dos animais que tanto incomoda os autoproclamados defensores dos touros vivos - convirá não esquecer que se acabarem as touradas ninguém investirá na criação de touros bravos, logo os touros bravos passarão a touros bravos desaparecidos - não se aplica a animais menos telegénicos. A mim, por exemplo, impressiona-me muito mais a morte dos peixes do que as touradas, as matanças ou as chegas de bois. Tenho uma atávica dificuldade em entender como há quem se divirta em campeonatos de pesca e exasperam-me aquelas boas almas que passam horas imóveis, de cana de pesca na mão, à espera que um peixe morda o anzol para em seguida o deixarem morrer asfixiado. Mas não creio que fosse aceitável que um regulamento semelhante ao que foi aprovado em Sintra, Cascais ou Viana do Castelo impedisse a pesca desportiva ou outra qualquer em nome da condenação do sofrimento físico e psicológico dos peixes.
Acontece simplesmente que as touradas vivem hoje, em Portugal, um momento equivalente ao que aconteceu há algumas décadas com o fado. Consoante as épocas, o fado foi acusado de degenerar a raça ou de ser reaccionário e não havia escritor ou artista que não se sentisse na obrigação de declarar o seu nojo por aquilo que consideravam um arrazoado acanalhado de canções de faca, alguidar e ciúme.
Até um acontecimento com características populares como a Grande Noite do Fado não merecia o menor interesse quer aos militantes da canção popular quer ao estudiosos que todos os dias lastimavam que o povo preferisse ouvir rádio em vez de cantar nas mondas e nas ceifas.
Como nesses tempos não existia a figura de ministro da Cultura, o mesmo não vivia o embaraço de surgir nas fotografias ao lado de fadistas e guitarras. Hoje o fado passou de canção cantada em Portugal para uma espécie de praga nacional: à excepção daqueles que, como é o meu caso, não cantam nada, parece existir um fadista dentro de cada português. Nos locais mais recônditos do país organizam-se noites de fado e fala-se do dito como se a Severa fosse lá da terra. E, claro, os políticos e as elites já não têm vergonha de aparecer ao lado dos fadistas. Ensina aliás a última campanha presidencial que ter uma mandatária que cante fado, como aconteceu a Cavaco Silva com Kátia Guerreiro, é uma vantagem muito acrescida sobre os outros candidatos que também escolheram cantores para mandatários mas especializados noutros estilos supostamente mais modernos mas certamente menos eficazes na hora de fazer esquecer aos auditórios que o candidato ainda não chegou - veja-se o caso de Manuel Alegre com Pacman.
Não sei se as touradas conseguirão fazer o percurso do fado e recuperar a popularidade. Logo nada me chocaria que as mesmas deixassem de existir, em Portugal, por falta de público. O que me parece um claro abuso de poder por parte dos autarcas é arrogarem-se o direito de decidir que determinados espectáculos não terão lugar nos respectivos concelhos. Agora são as touradas e os circos. Amanhã podem ser as feiras, os concertos dum determinado tipo de música, uma peça de teatro ou outro espectáculo qualquer. É sempre fácil arranjar argumentos para legitimar uma proibição.
Presumo que nas próximas autárquicas a questão das touradas não suscite especial interesse. Mas neste país onde o poder central e local já achou um sinal de progresso proibir toques de sinos, procissões e piqueniques, neste mesmo país onde uma autarquia achou por bem adquirir um cinema que mantém mais ou menos fechado (falo do São Jorge, em Lisboa), unicamente para impedir que uma igreja pouco institucional ali se instalasse, conviria perceber o que pensam os diversos candidatos não sobre as touradas mas sim sobre o direito a decidirem acerca dos espectáculos e eventos que podemos frequentar. Jornalista (helenafmatos@hotmail.com)


- "Vão empandeirados como animais, mas lá vão..." Esta frase surge num conto de Miguel Torga, Renovo, que dá conta do caminho de morte que uma gripe doutros tempos deixava por aquelas aldeias serranas que constituíam o universo de Torga.
A dado momento os mortos eram tantos que o prior, para não desmoralizar ainda mais os vivos, proibiu o sacristão de tocar o sino aquando dos funerais. E foi aí que o Eusébio, assim se chamava o sacristão, proferiu aquele "Vão empandeirados como animais, mas lá vão..." Concluía Torga que "até aquela alma rude sabia que, embora triste, sempre era uma nota de vida e de dignificação o sino a anunciar um trespasse humano". Torga só escreveu isto porque não conheceu Sebastião Cabila, também ele sacristão, residente em Setúbal e não morto pela gripe, mas sim a pontapé. A morte de Sebastião Cabila não gerou grandes notícias e, apesar de serem vários as pessoas que assistiram ao espancamento que o matou, ninguém quis intervir. Dois homens, ainda por cima imigrantes, não são suficientes para quebrar a indiferença que mascara o medo daqueles que vivem em localidades onde se deixou de acreditar na polícia.
Por isso Sebastião Cabila, ex-sacristão, foi para o outro mundo empandeirado tal como outrora iam os cães.

- Os porcos, os mexicanos e os sensíveis. Como os muçulmanos e os judeus não comem carne de porco, o político israelita Yakov Litzman logo aventou que o ideal seria a presente gripe passar a ser designada por mexicana e não por suína. Argumenta o autor da ideia que assim nem os judeus nem os muçulmanos se sentiriam ofendidos ou quiçá impuros com a alusão aos porcos. Os mexicanos, esses, não é suposto que se sintam ofendidos com a proposta. Mas engana-se quem achar que o caso se esgota aqui. Cada nova ameaça de catástrofe ressuscita o que se procura escamotear em cada país: no Egipto, a minoria cristã saiu para a rua em defesa dos seus 300 mil porcos que as autoridades daquele país resolveram abater para prevenir a gripe suína. Ou, como dizem os cristãos, resolveram abater, ao contrário do que se está a fazer no restante mundo, simplesmente porque a maioria muçulmana considera os porcos impuros. Em Portugal, como se sabe, o nosso problema não é a intolerância religiosa mas sim a mania das doenças. Já está meio país colado às televisões à espera do caso português e é com zanga e desilusão que se constata que a comissão entretanto criada para acompanhar esta gripe suína não tem nada de catastrófico para nos anunciar.

A Igreja e o PS

João César das Neves
DESTAK | 30 | 04 | 2009 09.01H

Os bispos portugueses publicaram a 23 de Abril uma Nota Pastoral sobre as próximas eleições, «Direito e dever de votar», onde dizem: «O eleitor cristão não pode trair a sua consciência no acto de votar. Os valores morais radicados na fé não podem separar-se da vida familiar, social e política, mas devem encarnar-se em todas as dimensões da vida humana. As opções políticas dos católicos devem ser tomadas de harmonia com os valores do Evangelho, sendo coerentes com a sua fé vivida na comunidade da Igreja» (n.º 4)

Pela primeira vez na democracia portuguesa, um grande partido apresenta-se às eleições com um projecto abertamente oposto à doutrina da Igreja. Na sua moção "A Força da Mudança", aprovada no XVI Congresso Nacional do PS a 1 de Março de 2009, José Sócrates afirma: «A segunda prioridade na promoção da igualdade é o combate a todas as formas de discriminação e a remoção, na próxima legislatura, das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.» (III 4 F).

Antes disso, o Conselho Permanente da Conferência Episcopal já publicara a 20 de Fevereiro uma Nota Pastoral «Em favor do verdadeiro casamento». Agora os bispos na nova Nota indicam como um dos «critérios que consideramos importantes para escolher quem possa melhor contribuir para a dignificação da pessoa e a realização do bem comum (...) defesa e protecção da instituição familiar, fundada na complementaridade homem mulher» (n.º 4).

Só existe uma conclusão possível disto tudo: os católicos coerentes nas próximas eleições não podem votar no PS.
João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Frase do dia

As crianças de hoje são tiranetes. Contradizem os pais, devoram a comida e tiranizam os seus professores

Socrates

(470-399 aC)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Frase do dia

Sem fé é aquele que se despede quando a estrada escurece
J. R. R. Tolkien (1892-1973)

O elogio da loucura

April 28, 2009
Op-Ed Contributor

In Praise of Folly

BERLIN — The Vatican spokesman Federico Lombardi has good reason to feel nervous. On May 8, Pope Benedict XVI begins an eight-day visit to the Middle East. The pope doesn’t think much of spin doctors. But when he makes waves, it’s his director of communications who has to bail water out of the boat.

The pope has already caused Father Lombardi a number of headaches. In a press conference on the papal flight to Brazil last May, Benedict appeared to suggest that legislators who support laws allowing abortions should be excommunicated. That sparked a torrid debate in the world’s largest Roman Catholic country. The furor overshadowed the whole trip.

Not surprisingly, when the pope flew to Africa in March, Father Lombardi said firmly: No in-flight press conference. But en route to Cameroon, the pope told journalists that the distribution of condoms was contributing to the AIDS pandemic. International health organizations were enraged.

Benedict XVI made his first major blooper in September 2006, one day after the fifth anniversary of the 9/11 terrorist attacks. The former theology professor speculated that there might be a correlation between the subordinate role of reason in Islam and the violence committed in its name. His comments were intended as an invitation to inter-religious dialogue, based not on the feel-good approach of his predecessor John Paul II but on frank discussion of the differences between Islam and Christianity.

Perhaps nobody was more surprised and shocked than he when radical Muslims in the West Bank responded by burning down Catholic churches.

But that wasn’t the end of the story. An international group of 138 Islamic scholars wrote to the Vatican, requesting an opportunity to make their case. The pope met them and apologized for hurting Muslim sensibilities. Two years later an unprecedented Catholic-Muslim summit was held at the Vatican. It resulted in the creation of a permanent interfaith forum.

The work of this group, which includes scholars and leaders representing every Muslim country and every major school of Islam, has hardly been noticed by the media. And that’s probably a good thing. The discussions are delicate, and any progress will likely be incremental. But its mere existence is a sensation. This is the first time in their thousand years of coexistence that the world’s two largest monotheistic faiths, represented by high-ranking scholars, are discussing their differences in a spirit of mutual respect and genuine inquiry. And without Benedict XVI’s disparaging remarks in Regensberg, foolish by any standards of diplomacy, it wouldn’t have happened.

The pope’s second monumental blooper was lifting the excommunication in January of four ultra-conservative Catholic bishops, including that of Richard Williamson, who had denied the Holocaust. Jewish groups reacted with fury; many Catholics, with incredulity. In an unprecedented move, Chancellor Angela Merkel of Germany publicly asked the pope for “clarification” of his actions. Once again, Father Lombardi was bailing water for all he was worth.

The Vatican spokesman explained that the bishops had not been “fully reinstated,” that the lifting of excommunication was simply “a gesture of compassion,” an invitation to dialogue. Archbishop Robert Zollitsch, chairman of the German Catholic Bishops Conference, added that it was Benedict’s “nightmare” that the ultra-conservatives might take the final step and break with the Church during his pontificate.

There are no grounds for supposing that this pope will have any truck with anti-Semitism. He has actively promoted Catholic-Jewish relations for decades and publicly said there can be no place for anti-Semitism in the Church.

Nevertheless, his obsessive desire to preserve Church unity in this case was foolish — as foolish, in fact, as that shepherd in the Parable of the Lost Sheep, who left 99 of his flock to go in search of the one that had strayed. Incidentally, as the great 16th century Catholic Humanist Erasmus of Rotterdam pointed out, the Gospels are full of such foolishness.

At present it looks as though the pope’s “compassionate gesture” will not bear the desired fruit. But, paradoxically, it has focused attention on Nostra Aetate, a decree of the Second Vatican Council, which marked a new beginning in Catholic-Jewish relations in the mid-20th century. It teaches that Judaism has not been replaced by Christianity; God’s covenant with the Jewish people is eternal. And therefore Judaism has a special place alongside Christianity.

Some conservative elements within the Church have disputed that Nostra Aetate is binding because it is “merely” a decree, not a constitution or a declaration. That sophism is now exposed. And without Benedict XVI’s foolish gesture of goodwill toward Bishop Williamson, it might never have been.

Perhaps we should be less worried about the pope’s bloopers than the arbiters of political correctness would have us be. In his classic Praise of Folly, Erasmus concluded: “All men are fools, even the pious ones. Christ himself, though he was the wisdom of the Father, took on the foolishness of humanity in order to redeem sinners. Nor did he choose to redeem them in any other way but through the folly of the cross and through ignorant, sottish disciples.”

There’s no accounting for folly, except to recognize that it’s perhaps the most endearing and creative human quality. And in the long run, it can be a lot more productive than prudent diplomacy.

John Berwick is the religious affairs correspondent of DW-TV, Germany’s international state broadcaster.

28 de Abril - S. Luís Maria Grignon de Monfort


LUIS MARIA GRIGNION DE MONTFORT
1673 - 1716
Festa: 28 de abril
"Ad Jesum Per Mariam"

Nasceu em 1673 na aldeia de Montfort, em França. Foi educado no colégio da Companhia de Jesus de Rennes e ordenado padre em 1700. Fundou uma congregação de sacerdotes, a "Companhia de Maria", para o ministério de missões populares, e uma congregação feminina, as "Filhas da Sabedoria".

Foi um missionário infatigável e abnegado que, com missão recebida directamente do Papa, evangelizou a Bretanha e diversas regiões de França ao longo de muitos anos, tendo sofrido inúmeras perseguições, instigadas pelo espírito jansenista que nessa época se tinha infiltrado não só entre os fiéis como entre o clero e até na hierarquia da Igreja de França.

A característica que mais o distinguiu na sua pregação e marca a sua espiritualidade foi a devoção à Virgem Santíssima, com modalidades tão pessoais que fazem dele um caso sem igual na espiritualidade mariana de todos os tempos.

Morreu santamente em 1716. Foi beatificado por Leão XIII e canonizado por Pio XII.
É de sua autoria o Tratado da Verdadeira Devoção à Santissima Virgem Maria

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O factor decisivo da liberdade

Diário de Notícias, 20090427

João César das Neves

Esta santa liberdade é aquilo de que mais precisamos na crise dos 35 anos da nossa democracia.

No dia seguinte à celebração dos 35 anos da democracia, estranhamente, levanta-se de novo das profundezas do passado a figura de D. Nuno Álvares Pereira. A ocasião é a sua canonização por Bento XVI.

Portugal está hoje em crise. Como estava aquando da sua beatificação por Bento XV a 23 de Janeiro de 1918. Como esteve durante grande parte da vida do Santo Condestável. No meio dos problemas, D. Nuno sempre pareceu demasiado perfeito, acima deste mundo. Vemo-lo saído de um romance de cavalaria, esculpido em mármore, feito em banda desenhada.

Mas ele nunca foi uma personagem de fantasia. Vê-se isso pela sua longevidade. Galaaz, como James Dean, gastam--se depressa, mas D. Nuno viveu quase 71 anos, de 24 de Junho de 1360 a 1 de Abril de 1431. Vê-se pelo pragmatismo. Militar genial e político astuto, os inimigos tinham-lhe uma alcunha: "Nuno madruga"(Anónimo Crónica do Condestável, CC, cap. 66), atacando sempre antes dos outros acordarem.

Vê-se ainda pelo realismo. "Quando os seus homens saíam de Elvas o alferes que levava a bandeira, não reparando na altura das portas, partiu sem querer o estandarte do seu senhor, o que foi entendido por muitos como um mau presságio. Disseram então a Nuno Álvares que o melhor seria adiarem aquela ida a Vila Viçosa, mas o valoroso cavaleiro não deu ouvidos às superstições e limitou-se a substituir a haste da bandeira. Seguindo tranquilamente o seu caminho" (CC 38).

O traço de carácter que mais o define é a liberdade. A liberdade de Portugal face a Castela foi o tema central da sua acção. Mas também a liberdade face às riquezas e às honras, que distribuiu em vida e abandonou no convento.
Liberdade perante o perigo: em Valverde "como era seu costume em momentos de aflição, o Condestável ajoelhou-se a rezar. As setas e as pedras do exército castelhano não deixaram de chover, pondo em grande perigo a sua vida e a de todos os seus soldados. (...) Perante tanta agitação o Condestável mantinha o maior sossego do mundo e continuava o seu louvor a Deus. Quando acabou de rezar levantou-se com grande vigor e ordenou a Diogo Gil, seu alferes que andasse com as tropas da vanguarda" (CC 54).

Liberdade perante a intriga: "Em segredo, diziam mal dele e combinaram que, por mais acertadas que fossem as suas opiniões, iriam contra elas, intenção que foi descoberta por Nuno Álvares. Um dia, falando o Mestre perante o seu conselho, colocando-lhes uma importante questão, respondeu Nuno Álvares como lhe pareceu ser melhor serviço de Deus e do Mestre. É claro que todos os outros membros discordaram dele, o que fez com que Nuno Álvares começasse a rir, porque sabia o motivo pelo qual contra--argumentavam" (CC 20).
Liberdade até perante as inimizades: "Não bastava dar esmolas no reino de Portugal, ainda, um ano em que Castela esteve com muita falta de pão, vieram à comarca de Entre Tejo e Guadiana cerca de quatrocentos castelhanos, entre homens, mulheres e moços pequenos, os quais lhe disseram que padeciam de fome. (...) Ordenou que lhes fosse entregue, cada mês, quatro alqueires de trigo, o que foi feito durante quatro meses, até que os castelhanos seguiram para as suas terras" (CC 80).

Assim a sua santidade foi reconhecida até pelos inimigos: "Pernoitando num sobreiral, onde foram ter dez escudeiros castelhanos, que pareciam ser homens de bem. D. Nuno recebeu-os perguntando--lhes quem eram, ao que eles responderam que eram naturais do Reino de Castela. Tal afirmação não surpreendeu o Condestável, que lhes disse que os considerava homens muito ousados para irem ter com ele sem salvo-conduto. Os escudeiros justificaram tal ousadia pela vontade que tinham de o conhecer pessoalmente, constando a sua grande bondade e as virtudes que Deus lhe concedera. Perante tal resposta o Condestável convidou-os para jantar, mas eles declinaram uma vez que já tinham realizado o seu desejo" (CC 66).

S. Nuno de Santa Maria foi sempre um homem radicalmente livre. Esta santa liberdade é aquilo que mais precisamos na crise dos 35 anos da nossa democracia

domingo, 26 de abril de 2009

Palavras do Papa na canonização de S. Nuno Álvares Pereira

canonizacao_beato_nuno canonizacao_beato_nuno papinto Palavras do papa Bento XVI sobre São Nuno Álvares Pereira na homilia e Regina Coeli do dia da canonização 26 de Abril de 2009

Doze anos obrigatórios

PÚBLICO
26.04.2009, António Barreto

A noção de "escolaridade obrigatória" aplicava-se aos pais que não estavam dispostos a dispensar os filhos de trabalhar


O Governo acaba de aprovar a lei que estabelece a escolaridade obrigatória de 12 anos. Há muito que se esperava e estava anunciada pelos programas deste e de anteriores Governos. Aliás, a medida tinha já sido aprovada por um governo do PSD, mas, no trânsito entre Barroso e Santana, o Presidente da República, Jorge Sampaio, não tinha homologado o decreto-lei. Ao mesmo tempo, o Governo anuncia uma decisão de aumentar o número de bolsas de estudo para os alunos que tenham dificuldades económicas em frequentar o ensino secundário. Esta medida não suscita objecções de maior. Uma escolaridade de 11 a 13 anos é geralmente considerada como adequada e necessária. Há já muito que em Portugal deveria vigorar esta norma. Aplauso, pois. Mesmo considerando que a noção de "escolaridade obrigatória" é obsoleta. Na verdade, esse imperativo aplicava-se aos pais que, desde o século XIX, não estavam facilmente predispostos a dispensar os filhos de trabalhar. Hoje, a educação é mais um direito social do que uma obrigação. Admita-se, todavia, que a escola compulsiva ainda faz sentido.

O alcance deste novo regime é moderado. Com números de hoje, serão cerca de trinta mil os alunos que, em condições normais, virão aumentar a frequência do secundário. O universo actual deste ensino, em todas as variantes, incluindo a profissional, é de mais ou menos 350.000 (segundo os jornais, o Governo diz que são apenas 307.000, para uma capacidade de 330.000; as estatísticas oficiais dizem 335.000 só no continente). Mesmo assim, a decisão justifica-se. Já o modo como foi preparada a reforma deixa a desejar. Não foram tornados públicos estudos preparatórios relativamente aos custos, à reorganização e às necessidades de instalações, docentes e outro pessoal. Os responsáveis do ministério disseram publicamente que não pensavam que houvesse necessidade de aumentar os recursos humanos, financeiros e físicos. Sem mais. Aprovada a lei em 2009, só se torna efectiva em 2013. Isto é, só os alunos que no presente ano iniciarem o sétimo virão a ser abrangidos pela obrigatoriedade de prosseguir estudos a partir de décimo.
Com uma legislatura de quatro anos completos a chegar ao fim, as circunstâncias desta aprovação tardia são estranhas. Com um prazo diferido como este, não se percebe por que não foi aprovada a lei em 2006. Já hoje estaria totalmente em vigor. Mas a existência desse prazo é também discutível. Com um ou dois anos de preparação rigorosa, a aprovação da lei poderia ter efeitos imediatos: logo nesse ano, os alunos que terminassem o básico seguiriam todos para o secundário. Não é de excluir que, mais uma vez, tenha sido o ano eleitoral responsável por estas decisões fora do tempo e aquém do modo. Sem o esforço de preparação e sem a organização rigorosa, fica o mérito da decisão. Sem, realmente, justa causa.

As deficiências na preparação surgem de todos os lados. O facto de não se conhecerem as implicações reais deste alargamento é já bastante. É uma antiga tradição. A feitura das leis é, em Portugal, pouco rigorosa e pouco competente. Se forem leis de carácter essencialmente administrativo e jurídico, são preparadas em gabinete, ao milímetro, com recurso a este talento nacional que é o do regulamento. Podem passar completamente ao lado da sociedade e da realidade, mas são minuciosas. Se forem leis que tratam de dinheiro grande, são feitas nos escritórios dos grandes advogados, servem para o que servem, aplicam-se ao que se devem aplicar. Todas as outras, com implicações sociais e económicas vastas e profundas e que afectam toda a população, são geralmente malfeitas, incompletas, sem estudos preparatórios capazes ou, quando estes existem, com estudos secretos e confidenciais. Um dos resultados desta tradição é a multiplicidade de leis sucessivas, de correcções, de rectificações e de interpretações que transformam os sistemas normativos em selvas tropicais.
O governo "julga" que não vão ser necessários edifícios, equipamentos, recursos financeiros e docentes. Julga! Não é uma maneira de gerir o maior departamento do Estado. A criação do limite de 18 anos sugere imediatamente um problema: a idade de acesso ao mercado de trabalho é de 16 anos! Há aqui qualquer coisa que não bate certo. O Governo "pensa" que não. Pensa! E que dizer dos alunos de 18 anos feitos a quem falta um ano de escolaridade no secundário? O Governo "entende" que não há problema. Entende! Quem são estes trinta mil alunos que vão ser abrangidos? Trabalham? Onde? Em quê? Por que saíram do sistema? São pobres? Incompetentes? Incapazes de estudar? Sem apoios familiares? O Governo não sabe. Se sabe, não diz. Mas vai fazer qualquer coisa. Quer dizer, vai dar dinheiro. Parece ser a única coisa que ocorre ao Governo: dar dinheiro. Que vai o Governo fazer com os que já fizeram 18 anos, mas ainda estão por exemplo a acabar o básico? Não sabemos. Será que o Governo mandou estudar seriamente as razões concretas do abandono no fim do básico e no secundário? Que se saiba, não. Teve o Governo a preocupação de investigar esta população que abandona a escola? Tem algum conhecimento, não apenas uma ideia, das consequências desta entrada na escola de umas dezenas de milhares de alunos renitentes, de jovens que já trabalham ou de adolescentes cujos pais não ajudam? As declarações dos governantes sugerem que têm mais palpites.

Esta teria sido uma excelente oportunidade para repensar o ensino secundário, a sua função e a sua natureza. Poder-se-ia ter examinado o ensino profissional equiparado ao secundário, dando-lhe mais importância. Era uma ocasião excelente para revigorar o ensino tecnológico, que este Governo promoveu, é certo, mas que espera pela definição de uma vocação forte e de uma missão de longo alcance. Teria sido possível rever questões fundamentais como sejam a duração do secundário ou a organização curricular que, actualmente, deixa muito a desejar. Era a altura ideal para apreciar serenamente a articulação do secundário com o ensino superior, tanto politécnico como universitário. Era uma grande oportunidade, era. Mas já não é.

S. Nuno Álvares Pereira já está no álbum dos santos

Com a Praça de S. Pedro no Vaticano completamente cheia foram canonizados esta manhã (26 de Abril) Arcangelo Tadini, Bernardo Tolomei, Gertrude (Caterina) Comensoli, Caterina Volpicelli e Nuno Santa Maria.
Depois da apresentação de uma breve biografia dos novos santos pelo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, D. Angelo Amato, acompanhado pelos postuladores das causas, pediu que os cinco beatos sejam inscritos no “álbum dos Santos” e “como tal sejam invocados por todos os cristãos”. Após a ladainha, Bento XVI canonizou os cinco beatos.
Na fórmula de canonização, o Papa disse: “declaramos e definimos como Santos os Beatos Arcangelo Tadini, Bernardo Tolomei, Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, Geltrude Comensoli e Caterina Volpicelli, e inscrevemo-los no Álbum dos Santos e estabelecemos que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os Santos”.
Os presentes bateram palmas e acenaram-se bandeiras. Após a proclamação dos novos santos – quatro italianos e um português - transportaram-se as relíquias dos novos santos para junto do altar. O Arcebispo Amato e os postuladores agradeceram a Bento XVI.
O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos pediu também que seja redigida a Carta Apostólica a respeito das canonizações que acabaram de ter lugar. Bento XVI respondeu “Decernimus”, ou seja, “ordenamo-lo”.
Os novos santos
Arcangelo Tadini, sacerdote italiano, nasceu em Verolanuova, Brescia, a 12 de Outubro de 1846. Em 1864 entrou para o seminário de Brescia e em 1870 foi ordenado sacerdote. Em 1900, Tadini fundou a Congregação das Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré. A elas confia o exemplo da Sagrada Família, que no silêncio e no escondimento trabalharam e viveram com humildade e simplicidade. Faleceu em 1912.
Bernardo Tolomei nasceu em Sena, s 10 de Maio de 1272, foi educado pelos Padres Pregadores e promovido a Cavaleiro do Imperador de Augsburgo. Retirou-se na solidão, junto com alguns companheiros, levando uma vida de eremita, mediante profissão monacal. Fundou, assim, o Mosteiro de “Monte Oliveto”, onde faleceu em 1348.
Gertrudes Comensoli nasceu em Val Camonica, Brescia, a 18 de Janeiro de 1847. Desde jovem tornou apóstola da Eucaristia. Por isso, com algumas companheiras, a 15 de Dezembro de 1882, instituiu a Congregação das Irmãs Sacramentinas de Bergamo, para a adoração de Jesus na Eucaristia. Faleceu na Casa por ela fundada, no dia 9 de Agosto de 1926.
Catarina Volpicelli nasceu em Nápoles, a 21 de Janeiro de 1839. Com as suas primeiras zeladoras, fundou as Servas do Sagrado Coração, a 1 de Julho de 1874, abertas a todos, sempre ao serviço da Igreja, dos últimos, dos sofredores e da juventude. Mandou construir o Santuário dedicado ao Coração de Jesus, ao lado da Casa Geral, para a adoração permanente pelo sustento da Igreja. Morreu em Nápoles a 28 de Dezembro de 1894.
Nuno de Santa Maria
Espírito contemplativo
Nuno Álvares Pereira, depois de ser religioso, estreitou mais o trato e familiaridade com o Senhor, porque então vivia no retiro, conveniente para poder sem estorvo empregar todas as potências da alma no Senhor que contemplava.
Amor à Eucaristia
«Esta a resposta que o Nuno costumava dar aos que notavam a sua frequência à mesa Eucarística: Que se alguém o quisesse ver vencido, pretendesse afastá-lo daquela Sagrada mesa em que Deus se dá em manjar aos homens, porque dela lhe resultava todo o esforço e fortaleza com que vencia e debelava seus contrários» (Papa Bento XV).
Devoção a Nossa Senhora
Nuno orava à Virgem Maria Senhora Nossa. Ao entrar no Convento de Nossa Senhora do Carmo, que mandou edificar, despojou-se de todos os títulos escolhendo para si o nome de «Frei Nuno de Santa Maria».
Pobreza, humildade e caridade
Nuno, o homem mais rico de Portugal, por amor de Deus fez-se pobre, inteiramente pobre. Distribuiu todos os seus bens pela Igreja, pelos pobres, pela família e pelos antigos companheiros de armas.
Despojado de tudo pede por caridade. Só por ordem do Rei é que deixou de andar pelas ruas a pedir esmola para os pobres. Do que o Rei lhe mandava para seu sustento, distribuía tudo o que podia pelos pobres, socorrendo e assistindo na agonia os moribundos. Mais caritativo era para com o seu próximo quando havia oportunidade de o socorrer nas enfermidades. Assistia os pobres nas doenças, não só com os alimentos necessários, mas com as ofertas que lhes dava.



Mensagem do Presidente da República a propósito da canonização de Nuno Álvares Pereira

Hoje é um dia de alegria para todos os Portugueses.

A canonização de Nuno Álvares Pereira constitui um gesto que honra uma das figuras mais marcantes da nossa História, uma figura em que os Portugueses se revêem como símbolo de amor ao seu País, de defesa corajosa da independência nacional, de vontade de triunfar mesmo nas horas mais difíceis.

Orgulhamo-nos com a canonização de Nuno Álvares Pereira, pelo que ela representa de reconhecimento do valor exemplar de um português heróico e ilustre.

Um português que soube também ser humilde, o que o levou a retirar-se do gozo das grandezas mundanas em nome da fé que possuía.

Recordo o seu epitáfio: «As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge».

De facto, Nuno Álvares Pereira soube voltar as costas às honras terrenas que conquistara através de feitos heróicos.

Mas não voltou as costas ao seu amor por Portugal, pois foi em nome desse amor que o Condestável comandou tropas em defesa da independência de uma nação ameaçada.

O «forte Dom Nuno», como lhe chamou Camões, é um exemplo para todos nós e, muito em particular, para as nossas Forças Armadas.

Congratulo-me pela canonização de Nuno Álvares Pereira e estou certo de que este gesto ficará inscrito na nossa memória colectiva e será motivo de orgulho e de alegria para todos os que amam o nosso País e a sua história.

Nuno de Santa Maria Álvares Pereira (1360-1431)



Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.

Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabo por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria —a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.

Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canonização será bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obstáculos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o Pe. Anastasio Ronci, então postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.

As suas relíquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrinação do precioso relicário de prata que as continha; mas pouco tempo depois é roubado, nunca mais tendo sido encontradas as relíquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do túmulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.

O Postulador Geral da Ordem, P. Felipe M. Amenós y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada graças a um possível milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respectivas investigações, o Santo Padre, Papa Bento XVI, dispõe a 3 de Julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização e durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.

Biografia oficial para a cerimónia de Canonização divulgada pelo Vaticano aqui

26 de Abril - Nossa Senhora do bom Conselho

Nossa Senhora do Bom Conselho
Esta invocação, incluída na Ladainha Lauretana, é muito antiga. Na Idade Média, num santuário situado em Scutari, na Albânia, venerava-se um fresco milagroso de Nossa Senhora do Bom Conselho. Em 1467, quando os turcos maometanos dominaram a Albânia, o fresco foi transportado para a cidade de Genazzano, próxima de Roma. Ali permanece há mais de 500 anos, sendo objecto de grande devoção e ocasião de inúmeros milagres.